Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

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18/12/2023

Um extermínio democrático | Un exterminio democrático

«A vastidão das zonas bombardeadas, a magnitude da destruição e a enorme quantidade de vítimas dos bombardeamentos indicam claramente que o objectivo não são os combatentes da resistência palestiniana, mas toda a população de Gaza. Israel não procura aniquilar umas centenas, ou talvez milhares, de combatentes, mas exterminar toda uma população de 2,3 milhões de seres humanos.
A destruição sistemática de todos os edifícios residenciais e das infra-estruturas civis, tem como finalidade impedir qualquer regresso às zonas evacuadas.
O plano de Israel não é eliminar os combatentes da resistência palestiniana (por cada um que morra surgirá pelo menos outro), mas expulsar do território todos os que não sejam mortos, para depois ocupá-lo militarmente e proceder então à colonização pela população israelita. [...]

Por isso, o objectivo de Israel é exterminar os palestinianos, como povo, como entidade étnica, como realidade política, histórica e cultural. Morto o cão acaba-se a raiva. Essa é a sua filosofia e esse é o seu projecto. E é assim que procedem.
Estamos a assistir a um genocídio em directo e em tempo real. Já vivemos o suficiente para ver como se aprovava e levava a cabo um genocídio à vista do mundo inteiro, com o beneplácito dos poderosos da Terra. 80 anos de propaganda contra o genocídio, 80 anos de "Nunca mais!" deram nisto. [...]

A passividade e inclusive a conivência das nações ocidentais com o monstruoso crime em curso, augura o início de uma nova era. O que se leva a cabo em Gaza não é mais do que a antecipação do que está por chegar. Não é certamente a primeira vez que este tipo de mortandade maciça tem lugar, em nome dos grandes valores e dos elevados princípios. Mas, até agora, actuava-se com certos escrúpulos fingidos, com dissimulação... Hoje reivindica-se orgulhosamente a bondade e a necessidade de um genocídio porque "Israel vale a pena", porque o Império e os seus assim o querem, porque assim manda o imperativo da luta inevitável entre os "seres da luz" e os "seres das trevas". Deu-se um salto qualitativo. Já não se condenam as atrocidades, ainda que de maneira hipócrita, invocando um bem superior, desculpando-se na inevitabilidade de umas "vítimas colaterais", justificando a urgência da acção punitiva para salvar o essencial, ainda que fosse à custa do inferno imposto aos povos que, no fundo, têm algo pelo qual são culpados, por deixar-se governar por tiranos pouco inclinados às bondades do sistema ocidental.

Entrámos numa fase na qual, a partir de agora, se exterminará qualquer tipo de população ou grupo humano que os poderosos considerem inútil ou impeditiva da boa marcha dos seus planos satânicos. Em plena luz do dia, com a cumplicidade e aprovação do mundo "livre e democrático", ou seja, as suas elites autoproclamadas. E que ninguém tenha dúvidas: utilizar-se-ão as armas que se considerem apropriadas para cada caso (e há muitos casos diferentes). Não só, e nem sempre, serão bombas. Morre-se e mata-se de muitas maneiras.

Entrámos numa nova era: o tempo das limpezas étnicas humanitárias, dos extermínios democráticos, dos genocídios morais.»

* * * * *

«La amplitud de las zonas bombardeadas, la magnitud de la destrucción y la enorme cantidad de víctimas de los bombardeos indican claramente que el objetivo no son los combatientes de la resistencia palestina, sino toda la población de Gaza. Israel no busca aniquilar unos cuantos cientos o tal vez miles de combatientes, sino exterminar a una población de 2.3 millones de seres humanos.
La destrucción sistemática de todos los edificios de viviendas y las infraestructuras civiles tiene como finalidad impedir cualquier posibilidad de regreso a las zonas evacuadas.
El plan de Israel no es el de eliminar a los combatientes de la resistencia palestina (por uno que muera surgirá otro o más), sino expulsar del territorio a todos los que no mate para después ocuparlo militarmente y proceder a continuación a la colonización por población israelí. [...]
 

Por eso el objetivo de Israel es exterminar a los palestinos, como pueblo, como entidad étnica, como realidad política, histórica y cultural. Muerto el perro se acabó la rabia. Esa es su filosofía y ese es su proyecto. Y así están procediendo.
Estamos asistiendo a un genocidio en directo y en tiempo real. Hemos vivido lo suficiente como para ver como se aprobaba y llevaba a cabo un genocidio a la vista del mundo entero, con el beneplácito de los poderosos de la tierra. 80 años de propaganda contra el genocidio, de 80 años de “¡Nunca más!” han desembocado en esto. [...]
 

La pasividad e incluso la connivencia de las naciones occidentales con el monstruoso crimen en curso augura el advenimiento de una nueva era. Lo que se está llevando a cabo en Gaza no es más que un anticipo de lo que está por llegar. No es ciertamente la primera vez que este tipo de matanzas masivas tiene lugar, en nombre de los grandes valores y los elevados principios. Pero hasta ahora se actuaba con ciertos remilgos de cara a la galería, con ciertos escrúpulos fingidos, como sin querer queriendo… Hoy se reivindica orgullosamente la bondad y la necesidad de un genocidio porque “Israel lo vale”, porque el Imperio y sus miembros así lo quieren, porque así lo manda el imperativo de la lucha inevitable entre los “seres de la luz” y “los seres de las tinieblas”. Se ha dado un salto cualitativo. Ya no se condenan las atrocidades aunque sea de manera hipócrita invocando un bien superior, excusándose en la inevitabilidad de unas “víctimas colaterales”, justificando la urgencia de la acción punitiva para salvar lo esencial aunque fuera a costa del infierno impuesto a los pueblos que en el fondo algo tienen algo que reprocharse, por dejarse gobernar por tiranos poco inclinados a las bondades del sistema occidental.  

Hemos entrado en una fase en la que a partir de ahora se exterminará cualquier tipo de población o grupo humano que los poderosos consideren que sobran y que estorban la buena marcha de sus planes satánicos. A plena luz del día, con la complicidad y la aprobación del mundo “libre y democrático”, es decir de sus élites autoproclamadas. Y que nadie tenga dudas: se usarán las armas que se consideren apropiadas para cada caso (y hay distintos casos). No sólo ni siempre serán bombas. Se muere y se mata de muchas maneras.

 Entramos en una nueva era: el tiempo de las limpiezas étnicas humanitarias, de los exterminios democráticos, de los genocidios morales.» [artigo original]

28/07/2023

Social-democracia e progressismo (e 2) | socialdemocracia y progresismo (y 2)



«O progressismo é muito mais que um programa social e económico para o aqui e agora. É uma filosofia social utópica, que pretende tornar realidade utopias como a proclamada por Platão (A república e o governo dos sábios), ou a Utopia de Thomas More, ou a Cidade de Deus de Santo Agostinho, ou qualquer um dos muitos admiráveis mundos novos idealizados durante séculos... Em tais crenças subjaz o mito iluminista de que a História é uma marcha inexorável e sempre ascendente rumo à perfeição da humanidade. No caso dos social-democratas, a perfeição define-se como uma sociedade desenhada e governada por um Estado socialista justo, eficiente e igualitário. Mais ainda, ao contrário dos marxistas tradicionais, os progressistas social-democratas acreditam que a História não se desenvolve através da luta de classes e da revolução sangrenta, mas através da implacável marcha em frente da democracia. [...]

Como resultado da eficaz propaganda dos social-democratas, todas os agrupamentos políticos acabaram por abraçar o novo credo: a "democracia", sinónimo de "progressismo", um absoluto moral último, que acabou por virtualmente substituir todos os outros princípios morais, incluindo os Dez Mandamentos e o Sermão da Montanha. Chegamos a tal ponto que a esquerda já inclui os liberal-conservadores, conservadores e neo-conservadores, liberais de esquerda, e, inclusive, dela formam parte todas, ou quase todas, as elites intelectuais, académicas e mediáticas, os grupos de vítimas oficialmente reconhecidas pelo sistema, o Estado social-democrata, ou do bem-estar.
É por isto que àqueles que não se abrigam sob a manta do progressismo, o melhor vocábulo que os define é "reaccionário", reaccionário na política e na economia... pois os até agora denominados conservadores ou similares são também progressistas, social-democratas, e participam dos mesmos objectivos e princípios da social-democracia.»

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«El progresismo es mucho más que un programa social y económico para el aquí y ahora. Es una filosofía social utópica que pretende hacer realidad utopías como la proclamada por Platón (La república y el gobierno de los sabios), o la Utopía de Tomás Moro, o la Ciudad de Dios de San Agustín, o cualquiera de los muchos mundos felices ideados durante siglos... En tales creencias subyace el mito de la Ilustración de que la historia es una marcha inexorable y siempre ascendente hacia la perfección de la humanidad. En el caso de los socialdemócratas, la perfección se define como una sociedad gobernada y diseñada por un estado socialista justo, eficiente e igualitario. Además, a diferencia de los marxistas tradicionales, los progresistas socialdemócratas creen que la historia no se desarrolla a través de la lucha de clases y la revolución sangrienta, sino a través de la implacable marcha hacia adelante de la democracia. [...]

Como resultado de la eficaz propaganda de los socialdemócratas, todas las agrupaciones políticas acabaron abrazando el nuevo credo: la "democracia”, sinónima de "progresismo”, un absoluto moral último, que ha acabado reemplazando virtualmente a todos los demás principios morales, incluidos los Diez Mandamientos y el Sermón de la Montaña. Hasta tal punto hemos llegado que, la izquierda ya incluye a liberal-conservadores, conservadores y neoconservadores, liberales de izquierda e incluso forman parte de ella todas o casi todas las élites intelectuales, académicas y mediáticas aliadas y grupos de víctimas oficialmente reconocidas por el sistema, el estado socialdemócrata o estado del bienestar.
Es por ello que, quienes no se cobijan bajo el paraguas del progresismo el mejor vocablo que los define es el de "reaccionario”, reaccionario en lo político y en lo económico… pues, los hasta ahora denominados conservadores o similares también son progresistas, socialdemócratas y participan de los mismos objetivos y principios de la socialdemocracia.»

27/07/2023

Social-democracia e progressismo (1) | socialdemocracia y progresismo (1)



«Depois do falhanço e da queda do comunismo – e com o nazismo e o fascismo mortos e enterrados há mais de meio século – a social-democracia era o único programa estatal que restava, e os seus defensores estavam empenhados em aproveitar ao máximo o seu monopólio ideológico, na nova era pós-comunista. Mas, apesar de muitos pensarem que a social-democracia é sinal de progresso, ela é na realidade inimiga da tradição e da liberdade; e manifesta-se em múltiplas formas, desde o feminismo de género, até às diversas formas de "vitimismo", de tal modo que, perante todos os assuntos cruciais, os social-democratas, independentemente de como se classificam ou auto-denominam, opõem-se à liberdade e à tradição, e manifestam abertamente que a única opção é "mais Estado" e um governo forte, se possível de âmbito mundial.

E deve-se assinalar que a social-democracia se faz acompanhar de um problema deveras importante: ela é muito mais enganosa, traiçoeira e mal-intencionada do que outras formas de estadismo porque pretende, segundo afirmam os seus seguidores, combinar o socialismo com as atractivas virtudes da "democracia", da liberdade de criação, de investigação, etc. E assim, os social-democratas farão tudo ao seu alcance para se envolver em alguma forma de democracia, pois sabem que qualquer opção política que cheire a ditadura, será imediatamente considerada liberticida e totalitária, e acabará por ser derrotada, mais cedo ou mais tarde, fazendo cair, e até desaparecer, a sua estrutura organizativa.

O aparente fervor, a simulada devoção dos social-democratas pela democracia, serve de pretexto para atacar os que afirmam a inviolabilidade "absoluta" do direito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. A aversão dos social-democratas à liberdade de expressão leva-os, sempre que têm a oportunidade, a restringir ou proibir o discurso ou a expressão daqueles que consideram "anti-democráticos", pelo simples facto de serem os seus adversários.
No vocabulário dos social-democratas, "anti-democrático" vai desde alguém que possa ser acusado de incorrer no "crime de opinião ou pensamento de ódio", até aos que ousem questionar a ideologia de género, ou "o aquecimento global", ou "as mudanças climáticas de origem antropogénica", ou qualquer outra questão que lhes ocorra, para desqualificar e demonizar aqueles que consideram os seus inimigos.»

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«Después del fracaso y de la caída del comunismo –y con el nazismo y el fascismo muertos y enterrados hace más de medio siglo– la socialdemocracia era el único programa estatal que quedaba, y sus defensores estaban empeñados en aprovechar al máximo su monopolio ideológico, en la nueva era poscomunista. Pero, aunque muchos piensen que la socialdemocracia es signo de progreso, en realidad es enemigo de la tradición y de la libertad; y se manifiesta en múltiples formas, desde el feminismo de género, hasta las diversas formas de "victimismo”, de tal manera que, ante todos los asuntos cruciales, los socialdemócratas, da igual como se etiqueten o autodenominen se oponen a la libertad y a la tradición y manifiestan abiertamente que la única opción es "más estado” y un gobierno fuerte, a ser posible mundial.

Y hay que advertir que la socialdemocracia va acompañada de un problema muy importante: la socialdemocracia es mucho más engañosa, mendaz y malintencionada que otras formas de estatismo porque pretende, según afirman sus seguidores, combinar el socialismo con las atractivas virtudes de la "democracia" y la libertad de creación, de investigación, etc. Así que, los socialdemócratas harán todo lo posible para envolverse en alguna forma de democracia, pues saben que cualquier opción política que huela a dictadura, será inmediatamente considerada liberticida y totalitaria, y acabará siendo derrotada, más pronto que tarde, haciendo caer e incluso desaparecer su estructura organizativa.

El aparente fervor, la impostada devoción de los socialdemócratas por la democracia sirve como pretexto para atacar a quienes afirman la inviolabilidad “absoluta” del derecho a la libertad de expresión y a la libertad de prensa. La aversión de los socialdemócratas a la libertad de expresión les lleva, cada vez que tienen ocasión a restringir o prohibir el discurso o la expresión de quienes ellos consideran “antidemocráticos”, por el simple hecho de ser sus contrincantes.
En el vocabulario de los socialdemócratas "antidemocrático” es desde cualquiera que pueda ser tildado de incurrir en "crimen de opinión o pensamiento de odio”, hasta quien ose cuestionar la ideología de género, o poner en cuestión "el calentamiento global” o "el cambio climático de origen antropogénico”, o cualquier cuestión que se les ocurra para descalificar y demonizar a quienes ellos consideran sus enemigos.»

12/07/2023

Dinheiro, imprensa e liberalismo | Dinero, prensa y liberalismo


«Não há nenhum movimento proletário, nem sequer comunista, que não actue pelo interesse do dinheiro, na direcção assinalada pelo dinheiro, e com a duração marcada pelo dinheiro — sem que disso se apercebam os líderes que são verdadeiramente idealistas [nota: O grande movimento que utiliza os lemas marxistas não colocou os patrões na dependência dos trabalhadores, antes colocou a ambos — patrões e trabalhadores — sob a dependência da Bolsa]. O dinheiro pensa; o dinheiro dirige; tal é o estado das culturas decadentes, desde que a grande cidade se apoderou do resto do país. E, em última instância, não é sequer em menosprezo do espírito, o qual terminou vencedor, mas vencedor no reino das verdades, ou seja, no reino dos livros e dos ideais, reino que não é deste mundo. Os seus conceitos tornaram-se sagrados para a civilização incipiente. Mas o dinheiro vence no seu reino, que pertence precisamente a este mundo e só a este. [...]

Em Inglaterra descobriu-se o ideal da liberdade de imprensa e, ao mesmo tempo, o facto de que a imprensa serve a quem a possui. A imprensa não propaga, antes cria a opinião "livre".

As duas coisas juntas são o «liberalismo», isto é, são livres dos constrangimentos da vida apegada à terra, seja em direitos, formas ou sentimentos. O espírito é livre para toda a espécie de crítica, e o dinheiro é livre para todo o tipo de negócio. Mas ambas também se orientam, sem contemplações, para uma classe que não reconhece sobre si a superioridade do Estado. O espírito e o dinheiro, dado que são inorgânicos, não querem o Estado, como forma orgânica de alto simbolismo, que impõe respeito, antes como o mecanismo que serve para determinada finalidade.»

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«No hay movimiento proletario, ni siquiera comunista, que no actúe en interés del dinero y en la dirección marcada por el dinero y con la duración fijada por el dinero —sin que de ello se aperciban aquellos de los jefes que son verdaderamente idealistas [nota: El gran movimiento que hace uso de los lemas marxistas no ha puesto a los patronos bajo la dependencia de los trabajadores, sino que ha puesto a ambos —patronos y trabajadores— bajo la dependencia de la Bolsa]. El dinero piensa; el dinero dirige; tal es el estado de las culturas decadentes, desde que la gran ciudad se ha adueñado del resto del país. Y en última instancia no es siquiera en menoscabo del espíritu, el cual ha resultado vencedor, pero vencedor en el reino de las verdades, es decir, en el reino de los libros y los ideales, reino que no es de este mundo. Sus conceptos se han tornado sagrados para la civilización incipiente. Pero el dinero vence en su reino, que precisamente pertenece a este mundo y sólo a éste. [...]

En Inglaterra descubrióse el ideal de la libertad de prensa y, al mismo tiempo, el hecho de que la prensa sirve a quien la posee. La prensa no propaga, sino que crea la opinión «libre».

Ambas cosas juntas son «liberalismo», esto es, son libres de las constricciones de la vida, adherida a la tierra, ya sean derechos, formas o sentimientos. El espíritu es libre para toda especie de critica y el dinero es libre para toda clase de negocio. Pero ambas también se orientan, sin contemplaciones, hacia el predominio de una clase que no reconoce sobre sí la superioridad del Estado. El espíritu y el dinero, puesto que son inorgánicos, no quieren el Estado, como forma orgánica de alto simbolismo, que impone respeto, sino como mecanismo que sirve para determinada finalidad.»

08/07/2023

O dinheiro e a "liberdade de opinião" | El dinero y la "libertad de la opinión"


«Se se entende por democracia a forma que a terceira classe, como tal, deseja imprimir a toda a vida pública, então será preciso acrescentar que democracia e plutocracia significam o mesmo. São, uma a respeito da outra, o mesmo que o desejo a respeito da realidade, o mesmo que a teoria a respeito da prática, o mesmo que o conhecimento a respeito da concretização. Há um elemento trágico-cómico na luta desesperada que os reformadores e mestres da liberdade conduzem contra o efeito do dinheiro, quando eles próprios sustentam essa luta com o dinheiro. Entre os ideais da classe formada por aqueles que não pertencem a classe alguma, está não só o respeito ao grande número — respeito que se expressa nos conceitos de igualdade, de direito inato e, também, no princípio do sufrágio universal —, como também a liberdade de opinião pública, sobretudo a liberdade de imprensa. Estes são os ideais. Mas, na realidade, a liberdade de opinião pública requer a elaboração da dita opinião, e isto custa dinheiro; a liberdade de imprensa requer a possessão da imprensa, que é uma questão de dinheiro, e o sufrágio universal requer a propaganda eleitoral, que permanece na dependência dos desejos de quem a financia.

Os representantes das ideias não vêem mais do que um aspecto; os representantes do dinheiro, trabalham com o outro aspecto. Todos os conceitos de liberalismo e de socialismo foram postos em movimento pelo dinheiro e em interesse do dinheiro.»

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«Si se entiende por democracia la forma que la tercera clase, como tal, desea imprimir a toda la vida publica, entonces hay que añadir que democracia y plutocracia significan lo mismo. Son una con respecto a la otra lo que el deseo con respecto a la realidad, lo que la teoría con respecto a la práctica, lo que el conocimiento con respecto al éxito. Hay un elemento tragicómico en la desesperada lucha que los reformadores y maestros de la libertad dirigen contra el efecto del dinero, y es que ellos mismos sostienen esa lucha con dinero. Entre los ideales de la clase formada por los que no pertenecen a ninguna clase está no solamente el respeto al gran número —respeto que se expresa en los conceptos de igualdad, de derecho innato y también en el principio del sufragio universal—, sino también la libertad de la opinión pública, sobre todo la libertad de prensa. Estos son ideales. Pero en realidad, la libertad de la opinión pública requiere la elaboración de dicha opinión, y esto cuesta dinero; la libertad de la prensa requiere la posesión de la prensa, que es cuestión de dinero, y el sufragio universal requiere la propaganda electoral, que permanece en la dependencia de los deseos de quien la costea.

Los representantes de las ideas no ven más que un aspecto; los representantes del dinero, trabajan con el otro aspecto. Todos los conceptos de liberalismo y de socialismo han sido puestos en movimiento por el dinero y en interés del dinero.»

08/06/2023

A fraude democrática | El fraude democrático



«A democracia, como nos ensina Carlyle, é a organização da fraude com o isco da utopia. Diz-se aos crédulos que, com a sua vontade, poderão 'decidir' a utopia que preferem, e armam-se umas ciladas, chamadas eleições, que arrancam à 'soberania popular' umas nomeações, a partir de listas apresentadas pelos partidos, fruto de concessões, cambalachos e compadrios que os crédulos nem sequer imaginam. E, depois de nomeados, os representantes dedicam-se a fazer o que lhes dá na gana. Ou seja, a democracia, despojada das eufonias para os crédulos, consiste em grupos oligárquicos que fazem as suas negociatas nas costas dos seus votantes; e que estes não tenham arte nem parte na governação efectiva da coisa pública. Poderá ser concebida uma forma mais gigantesca de fraude? [...]

A democracia liberal não é mais do que a entrega do país a vendilhões da arte "democrassa", que se justificam na ficção jurídica de cumprir com os preceitos constitucionais. Tudo se arruína, tudo apodrece, tudo se desagrega; mas — ah, maravilha! — a cada quatro anos, os crédulos podem acercar-se às urnas e votar em quem os partidos os obrigam... se antes não tiver votado por eles um trapaceiro.

Carlyle advertia-nos que o sufrágio universal era uma invenção sinistra, porque igualava Jesus e Barrabás, pondo na mão de cada um deles um papelucho, ante a mesma urna. Uma vez admitida esta aberração, é 'peccata minuta' que Barrabás meta dois, duzentos ou dois mil papeluchos na urna. Das fraudes eleitorais só se escandalizam os crédulos.»

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«La democracia, como nos enseña Carlyle, es la organización del fraude con el señuelo de la utopía. Se dice a los incautos que con su voluntad podrán 'decidir' la utopía que prefieran y se montan unos tinglados llamados elecciones que arrancan a la 'soberanía popular' unos nombramientos, a partir de unas listas que presentan los partidos, fruto de concesiones, cambalaches y compadreos que los incautos ni siquiera imaginan. Y, después de nombrados, los representantes se dedican a hacer lo que les da la gana. Es decir, la democracia, despojada de eufonías para incautos, consiste en que grupos oligárquicos hagan su negocio a espaldas de sus votantes; y en que éstos no tengan arte ni parte en la gobernación efectiva de la res publica. ¿Cabe forma más gigantesca de fraude? [...]

La democracia liberal no es más que la entrega del país a los logreros del arte de la demogresca, que se justifican en la ficción jurídica de cumplir los preceptos constitucionales. Todo se hunde, todo se pudre, todo se disgrega; pero, ¡ah, maravilla!, cada cuatro años los incautos pueden acercarse a las urnas y votar por quienes los partidos les obligan… si antes no votó por ellos un tramposo.

Carlyle nos advertía que el sufragio universal era una invención siniestra, porque igualaba a Jesús y Barrabás, poniéndolos a cada uno con una papeleta en la mano ante la misma urna. Una vez admitida esta aberración, que Barrabás meta dos, doscientas o dos mil papeletas en la urna, en lugar de una, es 'peccata minuta'. De los fraudes electorales sólo se escandalizan los incautos.»

26/05/2023

O embuste eleitoral | El engaño electoral


«O monumental escândalo da compra de votos [...] põe-nos, de modo brutal, perante uma realidade incómoda e inquietante. É o tipo de coisas que acaba por invalidar a legitimidade das democracias liberais, nas quais não acreditam sequer os que vivem delas.

Afirmam por um lado a sacralidade da soberania popular e da vontade do povo, a seguir compram miseravelmente os votos para distorcer os resultados eleitorais. A vontade do povo não passa da manipulação das massas pelo poder. Assim, sustentando-se na transferência de vontades por troca de interesses espúrios, conseguem os seus objectivos. Não dizem eles que o povo é sábio e que nunca se engana? E, no entanto, dedicam-se a manipulá-lo, porque não confiam em votantes que escolhem os seus representantes pelas razões mais peregrinas e efémeras. O povo foi convertido no esgoto de todos os detritos morais que o poder destila através dos seus terminais mediáticos. Por isso, são políticos imundos os que actuam num sistema imundo.

Já Ortega y Gasset tinha profetizado, em 1927, que "este homem-massa é o homem previamente esvaziado da sua própria história, sem entranhas de passado e, por esse facto, dócil para com todas as disciplinas chamadas «internacionais». Mais que um homem, é apenas uma carapaça de homem constituída por meros idola fori [NT: ídolos do mercado, conceito que remete para as falácias originadas pela manipulação da linguagem]: carece de um «dentro», de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um «eu» que não se possa revogar. Por isto mesmo, está sempre disponível para fingir ser qualquer coisa. Só tem apetites, acredita que só tem direitos e não acredita ter obrigações: é o homem sem a nobreza que obriga -- sine nobilitate --, snob.” Os amos da gentalha que nos governa tomaram boa nota de tudo isto, e alcançaram objectivos muito além das suas expectativas. [...]

Assim, os programas eleitorais, e os correspondentes debates entre os candidatos, parecem todos iguais, porque o que verdadeiramente nos interessa já foi decidido: as crianças que abortarão, os doentes que eutanasiarão, os adolescentes que castrarão, os jovens que perverterão e os impostos com que nos empobrecerão. E decidiram-no sem nos perguntar, uma vez que nos desprezam.»

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«El monumental escándalo de la compra de votos [...] nos pone con brutalidad ante una realidad incómoda e inquietante. Este tipo de cosas acaba invalidando la legitimidad de las democracias liberales, en las que ni siquiera creen los que viven de ellas.

Afirman por un lado la sacralidad de la soberanía popular y de la voluntad del pueblo, y luego compran miserablemente los votos para torcer los resultados electorales. La voluntad del pueblo no es más que la manipulación de las masas por el poder. Así, a base de enajenar voluntades a cambio de espurios intereses consiguen sus objetivos. ¿No dicen ellos que el pueblo es sabio y nunca se equivoca? Y, sin embargo, se dedican a manosearlo, porque no se fían de unos votantes que eligen a sus representantes por las razones más peregrinas y pasajeras. El pueblo ha sido convertido en el sumidero de todos los detritus morales que destila el poder a través de sus terminales mediáticas. Por ello, son políticos basurizados que actúan en un sistema basura.

Ya profetizó Ortega y Gasset en 1927 que “este hombre-masa es el hombre previamente vaciado de su propia historia, sin entrañas de pasado y, por lo mismo, dócil a todas las disciplinas llamadas «internacionales». Más que un hombre, es sólo un caparazón de hombre constituido por meros idola fori; carece de un «dentro», de una intimidad suya, inexorable e inalienable, de un yo que no se pueda revocar. De aquí que esté siempre en disponibilidad para fingir ser cualquier cosa. Tiene sólo apetitos, cree que tiene sólo derechos y no cree que tiene obligaciones: es el hombre sin la nobleza que obliga --sine nobilitate--, snob.” Los amos de la gentuza que nos gobierna tomaron buena nota de todo ello y lo han conseguido más allá de sus expectativas. [...]

Así pues, los programas electorales y los debates correspondientes entre los candidatos parecen todos iguales, porque lo que verdaderamente nos interesa ya lo han decidido: los niños que abortarán, los enfermos que eutanasiarán, los adolescentes que castrarán, los jóvenes que pervertirán y los impuestos con los que nos esquilmarán. Y lo han decidido sin preguntarnos, ya que nos desprecian.» (Alerta Digital)

26/02/2023

Democracia e clientelismo | Democracia y clientelismo



«Um povo atomizado e em situação económica precária apenas consegue adoptar, no melhor dos casos, ineficazes medidas defensivas porque reconhece a sua incapacidade para controlar ou destituir os seus governantes. [...] Alguns acreditarão ainda que o Estado pode regenerar-se através de eleições democráticas.
Na minha opinião, a possibilidade de mudar as políticas, por destituição do Governo, é nula porque o regime tem uma enorme capacidade para "fixar votos" pelo antiquíssimo procedimento de os comprar ("clientelismo").

Deste modo, os sistemas políticos com competição eleitoral tendem a reproduzir o estado das coisas, pois os partidos sabem que não há voto mais seguro e fiel que o associado a um benefício económico concreto para o eleitor. E nessa tarefa de captar lealdades se ocupa a oligarquia política durante os seus mandatos. O povo subordinado ao Estado Total (total porque domina todo o espaço social) sabe que, quando protesta, se arrisca a perder o seu pequeno bem-estar, sem qualquer ganho no exercício da sua teórica soberania. Por isso, pedir subversão ao cidadão que vive de pensões, subsídios e outras dependências, é o mesmo que pedir a lua, pois o clientelismo galopante reduz à mínima expressão a possibilidade de dizer "não" ao amo e senhor.

Se a democracia pretendia ser o instrumento do poder popular, a corrupção transformou-a numa feira, onde toda a ambição se reduz à mesquinha procura de prebendas a troco da fidelidade nas urnas.»

* * * * *

«Un pueblo atomizado y en situación económica precaria sólo es capaz de adoptar, en el mejor de los casos, ineficaces medidas defensivas porque conoce su incapacidad para controlar o destituir a sus gobernantes. [...] Algunos aún creerán que el Estado puede regenerarse vía elecciones democráticas.
Mi opinión es que la posibilidad de que cambien las políticas destituyendo al Gobierno es nula porque el régimen tiene una enorme capacidad para “fijar votos” por el antiquísimo procedimiento de comprarlos (“clientelismo”).

Así, los sistemas políticos con competencia electoral tienden a reproducir el estado de cosas, pues los partidos saben que no hay voto más seguro y fiel que el asociado a un beneficio económico concreto para el elector. Y en esa tarea de captar lealtades se afana la oligarquía política durante sus mandatos. El pueblo subordinado al Estado Total (total en cuanto domina todo el espacio social) sabe que si protesta está tan cerca de perder su pequeño bienestar como lejos de poder ejercer su teórica soberanía. Por tanto, demandar subversión al ciudadano pensionado, subvencionado, paniaguado es pedirle peras al olmo, pues el clientelismo rampante reduce a la mínima expresión las posibilidades de decirle no al amo.

Si la democracia pretendía ser el instrumento del poder popular, la corrupción lo ha transformado en un zoco donde toda ambición se reduce a la mezquina búsqueda de prebendas a cambio de fidelidad en las urnas.

31/12/2022

A manipulação do “sufrágio universal” (e 2) | La manipulación del “sufragio universal” (y 2)



«A biopolítica contemporânea não precisa de chapeladas para obter os resultados eleitorais que interessam àquilo que os anglo-saxões chamam establishment, uma estrutura de poderes ao serviço do Dinheiro que elimina por completo a aventura e a indeterminação dos processos políticos. As eleições são sempre ganhas por quem o Dinheiro determina previamente; e, para ‘convencer’ os votantes, o Dinheiro infiltra-se nas suas consciências e modela as suas opiniões, mediante a criação de climas culturais propícios, mediante análises estatísticas extraordinariamente complexas, mediante o patrocínio das mensagens convenientes, etc. E se todas estas formas de domínio biopolítico se mostrarem insuficientes, pode utilizar ainda instrumentos mais traumáticos, lançando operações de falsa bandeira (por exemplo, provocando uma adesão emotiva aos políticos que recebem cartas armadilhadas) ou silenciando escândalos (como fizeram com os telhados-de-vidro de Hunter, o devasso filho do gagá Biden).

Além desta fraude permanente, existe outra fraude ainda mais intrínseca, inerente ao sufrágio universal directo, que a biopolítica tem sabido explorar com toda a determinação de uma forma maligna e implacável. O voto acaba sempre por levar – como assinalava Castellani – “a uma selecção inversa, ao encobrimento quase infalível dos irresponsáveis e dos inconscientes, à exclusão dos melhores”; porque, aí onde se exalta maniacamente a igualdade, as massas acabam por ver toda a forma de superioridade natural ou adquirida como uma ofensa pessoal que devem combater. Deste modo cumpre-se o terrível desígnio de Bloy: “As eleições constituem, cada vez mais, o testemunho de uma aceleração inaudita, fatal, verdadeiramente simbólica e profética em direcção à pequenez de espírito, à baixeza do coração e à idiotice”. Ultimamente, essa aceleração em direcção à pequenez de espírito, à baixeza do coração e à idiotice, alcançou uma velocidade vertiginosa que o Dinheiro sabe utilizar em seu proveito, mediante instrumentos de domínio biopolítico, que fazem da chapelada uma relíquia tão ultrapassada como risível.»

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«La biopolítica contemporánea no necesita hacer pucherazos para obtener los resultados electorales que interesan a eso que los sajones llaman establishment, un entramado de poderes al servicio del Dinero que elimina por completo la aventura y la indeterminación en los procesos políticos. Las elecciones siempre las gana quien el Dinero determina previamente; y, para ‘convencer’ a los votantes, el Dinero se infiltra en sus conciencias y modela sus opiniones, mediante la creación de climas culturales propicios, mediante análisis demoscópicos extraordinariamente complejos, mediante el patrocinio de los mensajes que le convienen, etcétera. Y si todas estas formas de dominación biopolítica resultan todavía insuficientes, puede utilizar incluso instrumentos más traumáticos, lanzando operaciones de falsa bandera (por ejemplo, provocando adhesiones emotivas hacia políticos que reciben sobres con balas) o acallando escándalos (como hicieron silenciando las correrías de Hunter, el hijito crápula del gagá Biden).

Además de este fraude permanente, existe otro fraude todavía más constitutivo, inherente al sufragio universal directo, que la biopolítica ha sabido explotar a ultranza de forma maligna e implacable. El voto siempre termina llevando –como señalaba Castellani– “a una selección al revés, al encumbramiento casi infalible de los irresponsables y los inconscientes, a la exclusión de los mejores”; porque, allá donde se exalta maniáticamente la igualdad, las masas terminan viendo toda forma de superioridad natural o adquirida como un agravio personal que deben combatir. De este modo, se cumple el terrible designio de Bloy: “Las elecciones constituyen, cada vez más, el testimonio de una aceleración inaudita, fatal, verdaderamente simbólica y profética hacia la pequeñez de espíritu, la bajeza de corazón y la idiotez”. Últimamente, esa aceleración hacia la pequeñez de espíritu, la bajeza de corazón y la idiotez ha alcanzado una velocidad vertiginosa que el Dinero sabe utilizar en su provecho, mediante instrumentos de dominación biopolítica que hacen del pucherazo una reliquia tan viejuna como risible.» (El Manifiesto)

30/12/2022

A manipulação do “sufrágio universal” (1) | La manipulación del “sufragio universal” (1)



«A chapelada, entendida como a alteração do escrutínio dos votos, parece-me uma velharia imprópria dos tempos da ‘biopolítica’ em vigor; as fraudes não se cometem hoje na contagem dos votos, mas mediante mecanismos muito mais subtis, como a ‘gestão das opiniões’ e, mais ainda, das consciências. Dizia Rousseau que a maioria nunca se engana; e Ibsen, saindo-lhe ao caminho, afirmava que a maioria engana-se sempre. Ambas afirmações são uma patranha: a maioria, nos tempos da biopolítica, nem acerta nem se engana, limita-se apenas a fazer o que lhe mandam; ou, dito com mais propriedade, o que a induzem suavemente a fazer, mediante técnicas persuasivas que actuam como uma chuva fina sobre a consciência (técnicas que, evidentemente, nada têm a ver com a tosca propaganda eleitoral de antanho).

Dizia o visionário Léon Bloy há mais de um século que “o sufrágio universal é e imolaçã́o frenética, sistemática e mil vezes insensata da consciência”; tal afirmação, muito ousada para a época, tornou-se hoje uma realidade inquestionável. E para conseguir que as consciências se imolem à maioria, a biopolítica infiltra-se nelas e implanta muito delicadamente opiniões que os implantados crêem ser opiniões próprias. Como nos ensina Edward Bernays na sua obra clássica Propaganda, “a manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões das massas é um elemento fundamental da sociedade democrática”.»

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«El pucherazo, entendido como alteración del escrutinio de los votos, se me antoja una antigualla impropia de los tiempos de ‘biopolítica’ reinantes; los fraudes hoy no se cometen en el cómputo de los votos, sino mediante mecanismos mucho más sutiles, tales como la ‘gestión de las opiniones’ y aun de las conciencias. Decía Rousseau que la mayoría no se equivoca nunca; e Ibsen, saliéndole al paso, afirmaba que la mayoría se equivoca siempre. Ambas afirmaciones son paparruchas: la mayoría, en los tiempos de la biopolítica, ni acierta ni se equivoca, sino que se limita a hacer lo que le mandan; o, dicho con más propiedad, lo que la inducen suavemente a hacer, mediante técnicas persuasivas que actúan a modo de lluvia fina o calabobos sobre la conciencia (técnicas que, por supuesto, nada tienen que ver con la burda propaganda electoral a la antigua usanza).

Decía el visionario Léon Bloy hace más de un siglo que “el sufragio universal es la inmolación frenética, sistemática y mil veces insensata de la conciencia”; tal afirmación, por entonces muy osada, hoy se ha vuelto una realidad incuestionable. Y para conseguir que las conciencias se inmolen a la mayoría, la biopolítica se infiltra en ellas e implanta muy delicadamente opiniones que los implantados perciben como opiniones propias. Como nos enseña Edward Bernays en su clásica obra Propaganda, “la manipulación consciente e inteligente de los hábitos y opiniones de las masas es un elemento fundamental en la sociedad democrática”.

07/10/2022

O totalitarismo democrático | El totalitarismo democrático



«Sem dúvida que o fenómeno mais positivo da ciência jurídica moderna, e das legislações democráticas elaboradas após os regimes totalitários do século passado, foi o desenvolvimento doutrinal e normativo dos direitos fundamentais, o que contribuiu para colocar no centro da realidade jurídica o seu verdadeiro protagonista, que não é o Estado mas a pessoa, com a sua inalienável dignidade e liberdade.

Mas é um facto paradoxal que, desde a segunda metade do século passado, está a prevalecer o princípio jurídico-positivo, fruto do relativismo moral, segundo o qual, numa sociedade democrática a racionalidade das leis dependeria única e exclusivamente daquilo que a maioria dos votos decida que seja estabelecido. Estamos assim frente àquilo que foi justamente designado como uma deriva totalitária e absolutista da democracia.

São sistemas democráticos nos quais, como nos tempos do absolutismo monárquico, se pretende atribuir ao legislador, ou seja, ao povo soberano representado nos parlamentos, um poder ilimitado, absoluto: uma autoridade capaz de limitar os direitos inerentes e inalienáveis enunciados na Declaração dos Direitos Humanos, e de inventar novos direitos, propugnados por confusas ideologias libertárias. […]

Não devemos ter uma visão negativa ou pessimista do futuro. É necessário recuperar o autêntico conceito de liberdade pessoal, que não pode ser separado da verdade objectiva. É necessário sobrepor a verdade à justiça; a verdade da mulher e do homem, a verdade sobre o início e sobre o valor da vida humana, a verdade sobre o único conceito possível de tolerância e ordem, a verdade sobre o próprio conceito de lei, que deve tutelar sempre o bem comum da sociedade, e não os presumíveis direitos pessoais ou de um grupo de carácter arbitrário ou supérfluo. Numa palavra, a verdade sobre a dignidade da pessoa e dos seus direitos fundamentais e institucionais naturais, que procedem da lógica de qualquer ordenamento jurídico positivo e de qualquer poder político.»

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«No hay duda de que el fenómeno más positivo de la ciencia jurídica moderna y de las legislaciones democráticas elaboradas después de los regímenes totalitarios del siglo pasado ha sido el desarrollo doctrinal y normativo de los derechos fundamentales, lo que ha contribuido a poner en el centro de la realidad jurídica a su verdadero protagonista, que no es el Estado sino la persona, con su inalienable dignidad y libertad.

Pero es un hecho paradójico que, desde la segunda mitad del siglo pasado, está prevaleciendo el principio jurídico-positivo, fruto del relativismo moral, según el cual, en una sociedad democrática la racionalidad de las leyes sola y únicamente dependería de aquello que de la mayoría de votos decida que sea establecido. Estamos así, frente a la que ha sido justamente llamada una deriva totalitaria y absolutista de la democracia.

Son sistemas democráticos en los que como en los tiempos del absolutismo monárquico se pretende atribuir al legislador, es decir, al pueblo soberano representado en los Parlamentos, un poder ilimitado, absoluto: una potestad capaz de limitar los derechos inherentes e inalienables enunciados en la Declaración de los Derechos Humanos, y de inventarse nuevos derechos, propugnados por confusas ideologías libertarias. […]

No hemos de tener una visión negativa o pesimista del futuro. Es necesario recuperar el auténtico concepto de libertad personal, que no puede ser separado de la verdad objetiva. Es necesario anteponer a la justicia la verdad; la verdad de la mujer y del hombre, la verdad sobre el inicio y sobre el valor de la vida humana, la verdad sobre el único posible concepto de tolerancia y orden, la verdad sobre el mismo concepto de ley, que debe siempre tutelar el bien común de la sociedad, y no los presuntos derechos personales o de un grupo de carácter arbitrario o superfluo. En una palabra, la verdad sobre la dignidad de la persona y de sus derechos fundamentales e instituciones naturales, que proceden de la lógica de cualquier ordenamiento jurídico positivo y de cualquier poder político.»

18/08/2022

Contra a democracia (e 4) | Contra la democracia (y 4)



«Dito isto, temos de insistir ainda sobre uma consequência imediata da ideia “democrática”, que é a negação da elite entendida na sua única acepção legítima; não é em vão que “democracia” se opõe a “aristocracia”, palavra que designa precisamente, pelo menos quando é tomada no sentido etimológico, o poder da elite.

Esta, por definição, não pode ser mais que um pequeno número, e o seu poder, ou antes, a sua autoridade, que procede da sua superioridade intelectual, não tem nada em comum com a força numérica sobre a qual assenta a “democracia”, cujo carácter essencial é sacrificar a minoria à maioria, e igualmente, por esta mesma razão, como dizíamos mais acima, a qualidade à quantidade, logo a elite à massa.

Assim, o papel director de uma verdadeira elite e a sua própria existência, porque ela representa forçosamente este papel desde o momento em que existe, são radicalmente incompatíveis com a “democracia”, que está intimamente ligada à concepção “igualitária”, ou seja, à negação de toda a hierarquia: a própria base da ideia “democrática” é que qualquer indivíduo vale o mesmo que outro, porque são numericamente iguais, apesar de não poder sê-lo mais que numericamente.

Uma elite verdadeira, já o dissemos, não pode ser mais que intelectual; é por isto que a “democracia” não pode instaurar-se senão ali, onde a intelectualidade pura já não existe, o que é efectivamente o caso do mundo moderno.»

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«Dicho esto, tenemos que insistir aún sobre una consecuencia inmediata de la idea “democrática”, que es la negación de la élite entendida en su sola acepción legítima; no en vano “democracia” se opone a “aristocracia”, palabra que designa precisamente, al menos cuando es tomada en sentido etimológico, el poder de la élite.

Esta, de alguna manera por definición, no puede ser más que un número pequeño, y su poder, su autoridad más bien, que procede de su superioridad intelectual, no tiene nada en común con la fuerza numérica sobre la que reposa la “democracia”, cuyo carácter esencial es sacrificar la minoría a la mayoría, e igualmente y por esto mismo, como decíamos más arriba, la calidad a la cantidad, luego la élite a la masa.

Así, el papel director de una verdadera élite y su existencia misma, porque ella representa forzosamente este papel desde el momento en que existe, son radicalmente incompatibles con la “democracia”, que está íntimamente ligada a la concepción “igualitaria”, es decir, a la negación de toda jerarquía: el fondo mismo de la idea “democrática” es que un individuo cualquiera vale igual que otro, porque ellos son iguales numéricamente, aunque no puedan serlo nunca más que numéricamente.

Una élite verdadera, ya lo hemos dicho, no puede ser más que intelectual; es por esto por lo que la “democracia” no puede instaurarse más que allí donde la pura intelectualidad no existe ya, lo que es efectivamente el caso del mundo moderno.»

16/08/2022

Contra a democracia (3) | Contra la democracia (3)



«Isto leva-nos a dizer de imediato em que é essencialmente errónea a ideia de que a maioria deve fazer a lei, porque, mesmo que esta ideia, pela força das coisas, seja sobretudo teórica e não possa responder a uma realidade efectiva, fica no entanto por explicar como pôde implantar-se no espírito moderno, quais são as tendências deste às quais ela corresponde e satisfaz, pelo menos na aparência.

O defeito mais visível é o que acabámos de indicar: a opinião da maioria não pode ser mais do que a expressão da incompetência, seja esta o resultado da falta de inteligência ou da pura e simples ignorância; neste sentido podiam-se invocar certas observações da “psicologia colectiva”, e recordar especialmente esse facto bem conhecido de que, numa multidão, o conjunto de reacções mentais que se produzem entre os indivíduos que a compõem desemboca na formação de uma espécie de resultado que está, já não sequer ao nível da média, mas ao dos elementos mais inferiores.

Seria oportuno realçar, por outro lado, como alguns filósofos modernos pretenderam deslocar para a ordem intelectual a teoria “democrática”, que faz prevalecer a opinião da maioria, fazendo do que eles denominam o “consentimento universal” um pretenso “critério da verdade”. Mesmo supondo que existisse efectivamente um questão sobre a qual todos os homens estivessem de acordo, este acordo não provaria nada só por si; mas, além disso, se esta unanimidade existisse verdadeiramente, o que é tanto mais duvidoso quanto há sempre muitos homens que não têm opinião sobre dada questão, e nunca a tiveram sequer, seria em todo o caso impossível constatá-la de facto, pelo que o que se invoca a favor de uma opinião e como sinal da sua verdade se reduz a nada mais que o consentimento do maior número, e ainda assim num meio forçosamente muito limitado no espaço e no tempo.

Neste domínio, mostra-se ainda mais claramente que a teoria tem falta de sustentação, porque é mais fácil retirar-lhe a influência do sentimento, que inevitavelmente entra em jogo quando se trata do domínio político; e esta influência é um dos principais obstáculos para a compreensão de certas coisas, inclusive entre aqueles que teriam capacidade intelectual mais que suficiente para aceder sem esforço a esta compreensão; os impulsos emotivos impedem a reflexão, e um dos mais vulgares truques da política consiste em tirar partido desta incompatibilidade.»

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«Esto nos lleva inmediatamente a decir en qué la idea de que la mayoría debe hacer la ley es esencialmente errónea, porque, inclusive si esta idea, por la fuerza de las cosas, es sobre todo teórica y no puede responder a una realidad efectiva, queda sin embargo por explicar cómo ha podido implantarse en el espíritu moderno, cuales son las tendencias de éste a las que corresponde y que satisface, al menos en apariencia.

El defecto más visible es el que indicábamos ahora mismo: la opinión de la mayoría no puede ser más que la expresión de la incompetencia, ya resulte ésta de la falta de inteligencia o de la ignorancia pura y simple; en este sentido, se podrían hacer intervenir ciertas observaciones de “psicología colectiva”, y recordar especialmente ese hecho bastante conocido de que, en una multitud, el conjunto de las reacciones mentales que se producen entre los individuos que la componen desemboca en la formación de una especie de resultante que está, no ya siquiera al nivel de la media, sino al de los elementos más inferiores.

Seria oportuno hacer notar, por otra parte, cómo algunos filósofos modernos han querido trasladar al orden intelectual la teoría “democrática”, que hace prevalecer la opinión de la mayoría, haciendo de lo que ellos llaman el “consentimiento universal” un pretendido “criterio de la verdad”. Aun suponiendo que hubiese efectivamente una cuestión sobre la que todos los hombres estuviesen de acuerdo, este acuerdo no probaría nada por sí mismo; pero, además, si esta unanimidad existiera verdaderamente, lo que es tanto más dudoso, cuanto que hay siempre muchos hombres que no tienen ninguna opinión sobre una cuestión cualquiera y que ni siquiera la han tenido nunca, sería en todo caso imposible constatarla de hecho, de suerte que lo que se invoca en favor de una opinión y como signo de su verdad se reduce a no ser más que el consentimiento del mayor número, y todavía limitándose a un medio forzosamente muy limitado en el espacio y en el tiempo.

En este dominio, aparece aún más claramente que la teoría carece de base, porque es más fácil sustraerse en él a la influencia del sentimiento, que, por el contrario, entre en juego inevitablemente cuando se trata del dominio político; y esta influencia es uno de los principales obstáculos para la comprensión de ciertas cosas, inclusive entre aquéllos que tendrían por otra parte una capacidad intelectual ampliamente suficiente para acceder sin esfuerzo a esta comprensión; los impulsos emotivos impiden la reflexión, y uno de los más vulgares trucos de la política consiste en sacar partido de esta incompatibilidad.»

14/08/2022

Contra a democracia (2) | Contra la democracia (2)



«Se a “democracia” se define como o governo do povo por si mesmo, isto é uma verdadeira impossibilidade, uma coisa que não pode ter sequer uma simples existência de facto, tanto na nossa como em qualquer outra época. Não há que ser enganado pelas palavras, e é contraditório admitir que os mesmos homens possam ser simultaneamente governantes e governados, porque, para empregar a linguagem aristotélica, um mesmo ser não pode ser “em acto” e “em potência” ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Há aqui uma relação que supõe necessariamente a presença de dois termos: não poderia haver governados se não houvesse também governantes, ainda que fossem ilegítimos e sem outro direito ao poder senão aquele que atribuíram a si próprios; mas a grande habilidade dos dirigentes, no mundo moderno, é fazer crer ao povo que ele se governa a si próprio; e o povo deixa-se persuadir tanto mais quanto mais adulado seja, e quanto mais incapacitado esteja, por outro lado, para reflectir o suficiente para se aperceber desta impossibilidade.

É para criar esta ilusão que apareceu o “sufrágio universal”: é a opinião da maioria que faz a lei, supõe-se; mas não se dão conta que a opinião é algo que muito facilmente se pode dirigir e modificar. Com a ajuda de sugestões apropriadas, é possível provocar-lhe correntes que vão num sentido determinado. Não sabemos quem se referiu acerca de “fabricar a opinião”, expressão que nos parece muito justa, apesar de ser necessário acrescentar que, na realidade, nem sempre são os dirigentes aparentes quem têm à sua disposição os meios necessários para obter este resultado.

Esta última observação dá, sem dúvida, a razão porque a incompetência dos políticos, mesmo em lugares elevados, não parece ter mais do que uma importância muito relativa; mas, como não se trata de desmontar aqui os mecanismos daquilo que se poderia chamar a “máquina de governar”, limitar-nos-emos a assinalar que esta incompetência oferece a vantagem de alimentar a ilusão que acabámos de referir. É só nestas condições, com efeito, que os políticos em questão podem aparecer como uma emanação da maioria, sendo assim a sua imagem porque a maioria, qualquer que seja o tema sobre o qual é chamada a dar a sua opinião, é sempre constituída pelos incompetentes, cujo número é incomparavelmente maior que o dos homens que são capazes de se pronunciar com um perfeito conhecimento de causa.»

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«Si se define la “democracia” como el gobierno del pueblo por si mismo, este es una verdadera imposibilidad, una cosa que no puede siquiera tener una simple existencia de hecho, tanto en la nuestra como en cualquier otra época. No hay que dejarse embaucar por las palabras, y es contradictorio admitir que los mismos hombres puedan ser a la vez gobernantes y gobernados, porque, para emplear el lenguaje aristotélico, un mismo ser no puede ser “en acto” y “en potencia” al mismo tiempo y bajo el mismo aspecto. Hay aquí una relación que supone necesariamente dos términos en presencia: no podría haber gobernados si no hubiera también gobernantes, aunque fuesen ilegítimos y sin otro derecho al poder que aquel que ellos se han atribuido a sí mismos; pero la gran habilidad de los dirigentes, en el mundo moderno, es hacer creer al pueblo que él se gobierna a sí mismo; y el pueblo se deja persuadir tanto más de grado cuanto más halagado sea y cuanto más incapacitado esté, por otra parte, para reflexionar lo suficiente como para caer en la cuenta de lo que en ello hay de imposible.

Es para crear esta ilusión para lo que se ha creado el “sufragio universal”: es la opinión de la mayoría la que se supone que hace la ley; pero no se dan cuenta de que la opinión es algo que se puede muy fácilmente dirigir y modificar. Con la ayuda de sugestiones apropiadas, se puede provocar en ella corrientes que vayan en tal o cual sentido determinado. No sabemos quien ha hablado de “fabricar la opinión”, expresión que encontramos muy justa, aunque es preciso decir, por otra parte, que no son siempre los aparentes dirigentes quienes tienen en realidad a su disposición los medios necesarios para obtener este resultado.

Esta última observación da sin duda razón de por qué la incompetencia de los políticos más en el candelero no parece tener sino una importancia muy relativa; pero, como no se trata aquí de desmontar los mecanismos de lo que se podría llamar la “máquina de gobernar”, nos limitaremos a señalar que esta misma incompetencia ofrece la ventaja de alimentar la ilusión de que acabamos de hablar. Es sólo en estas condiciones, en efecto, como los políticos en cuestión pueden aparecer como la emanación de la mayoría, siendo así a su imagen, porque la mayoría, cualquiera que sea el tema sobre el que sea llamada a dar su opinión, está siempre constituida por los incompetentes, cuyo número es incomparablemente mayor que el de los hombres que son capaces de pronunciarse con perfecto conocimiento de causa.»

12/08/2022

Contra a democracia (1) | Contra la democracia (1)



«O argumento mais decisivo contra a “democracia” resume-se em poucas palavras: o superior não pode emanar do inferior, porque o “mais” não pode sair do “menos”; isto é de um rigor matemático absoluto, contra o qual nada poderia prevalecer. É importante fazer notar que é precisamente o mesmo argumento que, aplicado noutra ordem, serve também contra o “materialismo”. Não há nada de fortuito nesta concordância, e as duas coisas estão muito mais estreitamente ligadas do que poderia parecer à primeira vista.

É demasiado evidente que o povo não pode conferir um poder que ele mesmo não possui; o poder verdadeiro só pode vir de cima, e é por isto que – digamos de passagem – não pode ser legitimado senão pela aprovação de algo superior à ordem social, ou seja, de uma autoridade espiritual; se for de outro modo não se trata mais do que a falsificação do poder, um estado de facto que é injustificável por princípio, e onde não pode existir mais que desordem e confusão.

Esta subversão de toda a hierarquia começa no momento em que o poder temporal quer tornar-se independente da autoridade espiritual, para logo a subordinar e pô-la ao serviço de fins políticos. Há uma primeira usurpação que abre a via a todas as outras, e assim se poderia mostrar que, por exemplo, a própria realeza francesa trabalhou inconscientemente, desde o séc. XIV, na preparação da Revolução que viria a derrubá-la.»

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«El argumento más decisivo contra la “democracia” se resume en pocas palabras: lo superior no puede emanar de lo inferior, porque lo “más” no puede salir de lo “menos”; esto es de un rigor matemático absoluto, contra el cual nada podría prevalecer. Es importante hacer notar que es precisamente el mismo argumento que, aplicado en otro orden, vale también contra el “materialismo”. No hay nada de fortuito en esta concordancia, y las dos cosas son mucho más estrechamente solidarias de lo que podría parecer a primera vista.

Es demasiado evidente que el pueblo no puede conferir un poder que él mismo no posee; el poder verdadero no puede venir más que de arriba, y es por esto por lo que —digámoslo de pasada— no puede ser legitimado más que por la sanción de algo superior al orden social, es decir, de una autoridad espiritual; si es de otra manera no se trata ya sino de una falsificación del poder, un estado de hecho que es injustificable por defecto de principio y donde no puede haber más que desorden y confusión.

Esta subversión de toda jerarquía comienza desde que el poder temporal quiere hacerse independiente de la autoridad espiritual, y luego subordinársela pretendiendo hacerla servir a fines políticos. Hay una primera usurpación que abre la vía de todas las demás, y así se podría mostrar que, por ejemplo, la realeza francesa, ha trabajado inconscientemente ella misma, desde el siglo XIV, en preparar la Revolución que había de derrocarla.»

08/08/2022

A social-democracia | La socialdemocracia



«Antinacional por definição, a social-democracia tem sido o melhor instrumento dos poderes financeiros mundiais para aniquilar a consciência nacional e, com ela, o conceito de soberania – a chave de sustentação do poder democrático dos Estados e a sua independência frente a ditadura das grandes empresas. A troco de estabular uma população embrutecida, embriagada com uns supostos “direitos” individuais que apenas contribuem para uma atroz degradação moral, a social-democracia conseguiu transformar o activo e fáustico homo europeus num eunuco passivo e poltrão, numa ave de capoeira bem engordada: no último homem nietzschiano, num fantoche pacifista, animalista, feminista, estéril, cosmopolita; o frívolo homo festivus, produto de quase um século de estabulação social-democrata, é um tipo humano que só pode acabar como futuro escravo de conquistadores iminentes, aos quais ele mesmo abrirá as portas. De facto, já o faz presentemente. O comunismo soviético matava os corpos, mas não as almas. E após a sua queda, as velhas nações ressurgiram com maior força. Mas a social-democracia mata a alma e, quando desaparecer, só restarão taifas barbarizadas e guetos étnicos.»

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«Antinacional por definición, la socialdemocracia ha sido y es el mejor instrumento de los poderes financieros mundiales para aniquilar la conciencia nacional y, con ella, el concepto de soberanía, clave para sostener el poder democrático de los Estados y su independencia frente a la dictadura de las grandes empresas. A cambio de estabular a una población embrutecida, embriagada con unos supuestos "derechos" individuales que sólo contribuyen a una atroz degradación moral, la socialdemocracia ha conseguido transformar al activo y fáustico homo europeus en un eunuco pasivo y poltrón, en un ave de corral bien cebada: en el último hombre nietzscheano, en un monigote pacifista, animalista, feminista, estéril, cosmopolita; el frívolo homo festivus, producto de casi un siglo de estabulación socialdemócrata, es un tipo humano que sólo puede acabar como el futuro esclavo de inminentes conquistadores a los que él mismo abrirá las puertas. De hecho, ya lo está haciendo. El comunismo soviético mataba los cuerpos, pero no las almas. Y a su caída, las viejas naciones resurgieron con mayor fuerza. Pero la socialdemocracia mata el alma y cuando desaparezca sólo se encontrarán taifas barbarizadas y guetos étnicos.»

05/08/2022

A democracia e o socialismo | La democracia y el socialismo



«A manifestação mais evidente da decadência da Europa é sobretudo política. “O que se ataca hoje em dia – escreve Nietzsche – é a tradição, é o instinto e a vontade de persistir na tradição”, do qual deriva uma desorganização e uma anarquia latentes sob as instituições modernas. A tradição e o espírito clássico representam o ponto mais alto que a humanidade conseguiu alcançar, graças à sabedoria longamente acumulada e mediante uma vontade exercida no decorrer dos séculos que permitiu obter, não a perfeição, que é inalcançável, mas a maior aproximação possível ao melhor. O clássico é definido por Nietzsche como “o que ainda é são”. As formas políticas clássicas surgem dos instintos de coesão, de hierarquia e de autoridade, que são essenciais para a civilização. Pelo contrário – escreve – na política de hoje só nos agrada o que precipita a decomposição: a democracia e o socialismo. São as formas mais degradadas e degradantes do exercício político. […]

Com efeito, diz-nos Nietzsche, são os indivíduos inferiores os que se multiplicam e são promovidos na democracia e no socialismo. São os instintos do rebanho que se vêem privilegiados frente aos instintos de excepção e de nobreza. A democracia e o socialismo têm necessidade de carneirada, de domesticação, de pensamento único e de seres que sejam em todos os seus aspectos inofensivos: o que nasceu no disgenismo [a selecção dos piores] precisa do disgenismo para sobreviver. O mais grave é que, nestes sistemas, as elites continuam a dominar as pessoas comuns – mas agora dominam-nos hipocritamente, em nome de falsos valores ou em nome do dinheiro. Nietzsche despreza profundamente o espírito mercantil e utilitarista próprio dos anglo-saxões, mas é ao dito espírito a que nos conduzirão inelutavelmente a democracia e o socialismo: a um povo cada vez mais medíocre e uma elite cada vez mais vil.»

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«La manifestación más evidente de la decadencia de Europa es sobre todo política. “Lo que hoy en día se ataca —escribe Nietzsche— es la tradición, es el instinto y la voluntad de persistir en la tradición”, de todo lo cual se deriva una desorganización y una anarquía latentes bajo las instituciones modernas. La tradición y el espíritu clásico representan lo más alto que la humanidad ha podido alcanzar gracias a una larga sabiduría acumulada y mediante una voluntad desplegada a lo largo de los siglos que ha permitido alcanzar, no la perfección, que es inalcanzable, sino lo más cercano posible a lo mejor. Lo clásico lo define Nietzsche como “lo que todavía es sano”. Las formas políticas clásicas surgen de los instintos de cohesión, de jerarquía y de autoridad que son esenciales para la civilización. Por el contrario —escribe— hoy sólo nos gusta en política lo que precipita la descomposición: la democracia y el socialismo. Son las formas más degradadas y degradantes del ejercicio político. […]

En efecto, nos dice Nietzsche, son los individuos inferiores los que pululan y son promovidos en la democracia y en el socialismo. Son los instintos de rebaño los que se ven privilegiados frente a los instintos de excepción y de nobleza. La democracia y el socialismo tienen necesidad de borregos, de domesticación, de pensamiento único y de seres que sean en todos sus aspectos inofensivos: lo que ha nacido en el disgenismo necesita el disgenismo [término opuesto a eugenismo] para sobrevivir. Lo peor es que, en estos sistemas, las élites siguen dominando a la gente sencilla; pero ahora los dominan hipócritamente, en nombre de falsos valores o en nombre del dios dinero. Nietzsche desprecia profundamente el espíritu mercantil y utilitarista propio de los anglosajones, pero es a dicho espíritu a lo que nos conducirán ineluctablemente la democracia y el socialismo: hacia un pueblo cada vez más mediocre y una élite cada vez más vil.»

29/07/2022

A essência da democracia (e 2) | La esencia de la democracia (y 2)



«Além de tudo isto, é preciso ter em conta que o povo pode equivocar-se. E que as maiorias não estabelecem verdades morais nem princípios objectivos e imutáveis. Em consequência não podem ser umas religiões verdadeiras e outras falsas, porque todas são iguais aos olhos da democracia. Pois bem, todo o consenso humano pode variar; e este é um dos maiores males do sistema democrático: o relativismo axiológico. Dar o mesmo valor ao que não o tem. Isto é injusto, mas é o que sucede. E, sendo injusto, chamam-lhe justiça e igualdade.

Em conjunção com isto, produz-se o facto arrepiante de que tanto o ignorante como o sábio podem decidir o que convém à pátria comum e aos interesses pessoais. Ambos. Não exclusivamente os sábios, ou os melhores, mas o mais imbecil, o pior de cada rua. O sábio, assim, nunca se poderá impor a uma maioria de ignorantes, e esta maioria será a que determina o rumo da sua pátria. Porque a democracia aspira a isto e não a outra coisa: que os ignorantes legitimem a ordem imposta.

A democracia, portanto, converte-se numa religião, uma outra forma de fundamentalismo na mão de ignorantes. A ideologia democrática é hoje em dia incontestável, logrando alcançar um carácter absoluto. Trata-se do desenvolvimento último de outro dos seus traços essenciais: o secularismo. Então, como já não há outro poder senão o poder público, ele pode imiscuir-se inclusive nas consciências, e deste modo desenhar a sociedade para moldá-la ao gosto de quem realmente manda. Não estamos, portanto, numa democracia – dado que não há um governo do povo – mas numa idiocracia, o governo dos néscios.

A democracia torna-se assim não no pior sistema de governo, à excepção de todos os outros, como disse alguém em tom de chalaça, mas na forma de governo mais perfeita e subtil para escravizar a vontade dos povos e extinguir o eco de Deus nas consciências humanas.

A ditadura não é, não obstante, um fim em si, um estado a evitar a toda a custa porque representa todo o mal que pode acontecer ao homem. A ditadura é um instrumento , e, portanto, pode ser boa ou má, segundo o fim pelo qual se oriente. A democracia, pelo contrário, leva no seu sangue o relativismo, o secularismo, os falsos conceitos de igualdade e justiça, a confusão em todas as ordens e a tolerância e o fomento dos néscios, o que conduz irremediavelmente às sociedades que dela sofrem a uma asfixia num verborreia interminável, perdendo o norte, e impedindo-as assim da unidade de pensamento e de acção necessárias para reverter a degeneração em que inevitavelmente se afundam.»

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«Más allá de todo esto, hay que caer en la cuenta de que el pueblo puede equivocarse. Y de que las mayorías no establecen verdades morales ni principios objetivos e inmutables. En consecuencia no pueden haber unas religiones verdaderas y otras falsas, porque todas son iguales a ojos de la democracia. Ahora bien, todo consenso humano puede variar. Y este es uno de los males mayores del sistema democrático: el relativismo axiológico. Dar el mismo valor a lo que no lo tiene. Esto es injusto, pero así sucede. Y siendo injusto se le llama justicia e igualdad.

En relación con esto se produce el hecho escalofriante de que el necio y el sabio puedan decidir lo que conviene a la patria común y a los intereses personales. Los dos. No los sabios exclusivamente, o los mejores, sino lo más ignorante, lo peor de cada calle. El sabio, así pues, no podrá imponerse jamás a una mayoría de necios, y esta mayoría será la que determine el curso de su patria. Porque: La democracia aspira a esto y no a otra cosa: a que los necios legitimen el orden impuesto.

La democracia, por tanto, se convierte en una religión, en otra forma de fundamentalismo en manos de los ignorantes. La ideología democrática resulta a día de hoy incontestable, logrando alcanzar carácter absoluto. Se trata del desarrollo último de otro de sus rasgos esenciales: el secularismo. Entonces, como no hay más poder que el poder público, ese poder puede injerir incluso en las conciencias, y de esta manera diseñar la sociedad para hacerla al gusto de quien realmente manda.

Por tanto, no estamos ante una democracia, puesto que no hay efectivamente un gobierno del pueblo, sino ante una idiocracia, o gobierno de los memos. La democracia, así pues, resulta, no el peor sistema de gobierno con excepción de todos los demás, como dijo alguien pretendiendo decir una gracia, sino la forma de gobierno más perfecta y sutil para esclavizar la voluntad de los pueblos y extinguir el eco de Dios en las conciencias humanas.

La dictadura no es sin embargo una cosa en sí, un estado que evitar a toda costa porque represente todo lo malo que al hombre puede acaecerle. La dictadura es un instrumento, y por tanto puede ser buena o mala, según el fin al que se oriente. La democracia, en cambio, lleva en su sangre el relativismo, el secularismo, concepciones falsas de igualdad y justicia, confusión en todos los órdenes y la tolerancia y el fomento de los necios, que conduce irremediablemente a las sociedades que la sufren a asfixiarse en una cháchara interminable, perdiendo el norte, e impidiéndoles asimismo la unidad de pensamiento y de acción necesarias para revertir la degeneración en la que inevitablemente se hunden.»

27/07/2022

A essência da democracia (1) | La esencia de la democracia (1)



«Tem-se dito, por outro lado, que a democracia é uma forma de governo. E é parcialmente verdade, mas só parcialmente, porque não é apenas isso. A democracia é uma forma de governo, uma doutrina política e uma forma de sociedade.

A essência da democracia radica, em resumo, na soberania popular; e isto consiste em o povo exercer verdadeiramente o poder, directamente ou através de representantes. Porém este princípio representa um enorme embuste. Não é necessário mais do que constatar os factos para concluir que os cidadãos não exercem o poder político. Pelo contrário, outra coisa é bem certa: uns mandam e outros obedecem. E é evidente que os cidadãos só obedecem.

É sabido que os representantes discutem assuntos que não são do conhecimento geral; que inclusivamente tomam decisões contra os próprios interesses nacionais. A soberania popular é decisivamente uma falácia, porque o povo não tem qualquer poder efectivo. Não existe nada parecido à vontade geral. E afirmar o contrário é desconhecer o mundo em que se vive.

Contudo, ao povo, faz-se-lhe crer que no fundo tem o poder de modificar algo. A ficção do voto é uma hábil artimanha, porque o cidadão está extraordinariamente condicionado pela educação recebida na escola e pelos meios de manipulação de massas. A opinião pública, por desgraça, corresponde à opinião publicada. A democracia então não existe como tal, não passa do governo de poderes ocultos por intermédio dos meios de manipulação de massas. Não há democracia, senão plutocracia. E uma quantidade imensa de chupistas burocratas que lastram as nações ao chupar, insaciáveis, nas suas tetas.»

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«Se ha dicho, por otro lado, que la democracia es una forma de gobierno. Y es verdad en parte, pero sólo en parte, porque no es sólo eso. La democracia es una forma de gobierno, una doctrina política y una forma de sociedad.

La esencia de la democracia radica, en resumidas cuentas, en la soberanía popular; y esto consiste en que el pueblo ejerce verdaderamente el poder, directamente o por medio de representantes. Pero este principio representa una impostura enorme. No hay más que fijarse en los hechos para concluir que los ciudadanos no ejercen el poder político. Muy cierta es, en cambio, otra cosa: Unos mandan y otros obedecen. Y es evidente que los ciudadanos sólo obedecen.

Es sabido que los representantes discuten asuntos que no trascienden, incluso que deciden cosas contra los propios intereses nacionales. La soberanía popular en definitiva es una falacia, porque el pueblo no tiene ningún poder efectivo. No existe nada parecido a la voluntad general. Y decir lo contrario es desconocer el mundo en el que se vive.

Con todo, al pueblo se le hace creer que puede cambiar en el fondo algo. La ficción del voto es una hábil artimaña porque el ciudadano está condicionado extraordinariamente por la educación recibida en las aulas y los medios de manipulación de masas. La opinión pública, por desgracia, se corresponde con la opinión publicada. La democracia entonces no es tal, sino el gobierno de los poderes ocultos por medio de los medios de manipulación de masas. No hay democracia, sino plutocracia. Y una cantidad ingente de mamones burócratas que lastran las naciones al chupar, insaciables, de sus ubres.»

20/07/2022

A democracia de alterne | La democracia de alterne




«O sistema oligárquico internacional, apregoado por George Soros, prefere o sistema bipartidário porque é mais apropriado para manter o controlo. Ainda que na realidade se trate de uma ditadura colegiada, mostra-se numa aparência de democracia pela alternância no poder entre dois bandos da uma mesma coisa. Um sistema de governo onde se muda o governo sem mudar a política.
Como no caso dos Estados Unidos, onde uma administração branqueia a anterior e nunca há responsáveis processados ou julgados por corrupção ou pelos delitos cometidos. Processa-se sim quem os denuncia, como o caso de Julian Assange.
O que as maiorias já percepcionam como o Sistema, nos países europeus e emergentes, é muito parecido com uma ditadura em que a censura informativa, mais que um sintoma, é um instrumento. […]

A experiência política mostra que quando um país se cansa da cumplicidade sistémica bipartidária, qualquer porta-voz anti-sistema se torna imediatamente popular.
A Venezuela é disso um bom exemplo. Foi governada durante cinquenta anos por dois bandos de ladrões que se alternavam no poder: Acção Democrática (social-democrata) e COPEI (democrata-cristão). Ambos os partidos eram bem vistos em Washington, porque favoreciam os interesses económicos dos Estados Unidos. […]

Em Fevereiro de 1991 apareceu Chavez na televisão, em uniforme de pára-quedista: um tenente-coronel de quem apenas se sabia que tinha feito uma tentativa de golpe militar contra o segundo governo de Carlos Andrés Pérez.
O pára-quedista capturado pedia aos seus companheiros de golpe para depor as armas, porque a tentativa tinha fracassado. Por enquanto!
Na manhã seguinte, o comentário popular, na rua, era favorável ao golpe militar; entretanto, nas televisões, os membros da oligarquia política faziam fila para condenar a intentona. O divórcio entre a classe política e o povo venezuelano era evidente.
Com efeito, sete anos depois, o golpista Chavez apresentou-se como candidato à presidência, sem nenhuma proposta política excepto a sua credencial de insurrecto contra o sistema de cumplicidade bipartidária, e ganhou as eleições transversalmente, com 68% dos votos.»

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«El sistema oligárquico internacional voceado por George Soros prefiere el sistema bipartidista porque es más útil para mantener el control. Aunque en realidad se trata de una dictadura colegiada, se da un símil de democracia por la alternancia en el poder entre dos bandos de una misma cosa. Un sistema de gobierno en donde se cambia de gobierno sin cambiar de política.
Tal es el caso de Estados Unidos, donde una administración blanquea a la anterior y nunca hay responsables enjuiciados por la corrupción o los delitos cometidos. Se enjuicia a quien los denuncie, como en el caso de Julian Assange.
Lo que las mayorías en los países europeos y emergentes ya perciben como el Sistema es muy similar a una dictadura en la que la censura informativa es más que un síntoma es un instrumento. [...]

La experiencia política muestra que cuando un país se cansa de la complicidad sistémica bipartidista, cualquier vocero antisistema se hace popular de inmediato.
Venezuela es un buen ejemplo de eso. Igual que España, fue gobernada durante cincuenta años por dos bandas de ladrones que se alternaban en el poder: Acción Democrática (socialdemócrata) y COPEI (demócrata- cristianos). Ambos partidos eran bien vistos por Washington porque favorecían los intereses económicos de Estados Unidos. [...]

En febrero de 1991 apareció Chavez en las pantallas televisivas vestido de paracaidista: un teniente coronel de quien solo se sabía que había intentado un golpe militar contra el segundo gobierno de Carlos Andrés Pérez.
El paracaidista capturado rogaba a sus compañeros del golpe deponer las armas porque el intento había fracasado. ¡Por ahora!
La mañana siguiente en los corrillos de boulevard el comentario popular era favorable al golpe militar; mientras, en las pantallas los miembros de la oligarquía política hacían cola para condenar el intento de golpe. El divorcio entre la clase política venezolana y el pueblo venezolano era evidente.
En efecto, siete años después el golpista Chávez se presentó como candidato a la presidencia, sin ninguna propuesta política salvo su credencial de insurrecto contra el sistema de complicidad bipartidista y ganó las elecciones transversalmente, con el 68% de los votos.»