Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

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09/03/2024

“Civilização” e “progresso” | "Civilización" y "progreso"



«Não há nada mais fácil do que fazer a crítica a este «optimismo» estúpido que representa, nos nossos contemporâneos, a crença no «progresso». […] O erro fundamental, cuja origem parece dever atribuir-se a Turgot e sobretudo a Fourier, consiste em falar da «civilização», de uma maneira absoluta; isso é uma coisa que não existe, já que sempre houve, e ainda há, «civilizações», cada qual com o seu desenvolvimento próprio e, além do mais, entre estas civilizações, há as que se perderam inteiramente, que não transmitiram nenhuma herança àquelas que lhes sucederam. Também não se poderia argumentar que, no decurso de uma civilização, há períodos de decadência, nem que um progresso relativo num certo domínio possa ser compensado por uma regressão noutros domínios; pelo contrário, seria bem difícil, para a generalidade dos homens de um mesmo povo e de uma mesma época, aplicar de igual modo a sua actividade a coisas de ordens muito diferentes. A civilização ocidental moderna é, certamente, aquela cujo desenvolvimento se limita ao domínio mais restrito de todos; não é muito difícil encontrar quem defenda que «o progresso intelectual alcançou um grau até agora desconhecido», e aqueles que assim pensam mostram a sua total ignorância acerca da verdadeira intelectualidade; tomar por um «progresso intelectual» o que não passa de um desenvolvimento puramente material, limitado à ordem das ciências experimentais (ou melhor, algumas entre elas, dado que há ciências experimentais das quais os modernos ignoram até a sua existência), e sobretudo das suas aplicações industriais, é com efeito a mais ridícula de todas as ilusões. Pelo contrário, a partir da época que se convencionou chamar o Renascimento, de forma bem errada quanto a nós, houve no Ocidente uma formidável regressão intelectual, que nenhum progresso material poderia compensar […] Quanto ao suposto «progresso moral», trata-se de uma questão de sentimento e, por conseguinte, de apreciação individual pura e simples; desde este ponto de vista, cada um pode encontrar um «ideal» conforme ao seu gosto, e o dos espíritas e restantes democratas não convém a toda a gente; mas os «moralistas», em geral, não o entendem assim e, se tivessem poder para tal, imporiam a todos a sua própria concepção, uma vez que, na prática, não existe nada menos tolerante do que as pessoas que sentem a necessidade de pregar a tolerância e a fraternidade.»

* * * * *

«Nada es más fácil que hacer la crítica de este «optimismo» estúpido que representa, en nuestros contemporáneos, la creencia en el «progreso». […] El error fundamental, cuyo origen parece que debe atribuirse a Turgot y sobre todo a Fourier, consiste en hablar de «la civilización», de una manera absoluta; eso es una cosa que no existe, ya que ha habido siempre y hay todavía «civilizaciones», cada una de las cuales tiene su desarrollo propio, y además, entre estas civilizaciones, las hay que se han perdido enteramente, y de las cuales aquellas que han nacido más tarde no han recogido ninguna herencia. Tampoco se podría contestar que, en el curso de una civilización, hay periodos de decadencia, ni que un progreso relativo en un cierto dominio pueda ser compensado por una regresión en otros dominios; por lo demás, sería bien difícil a la generalidad de los hombres de un mismo pueblo y de una misma época aplicar igualmente su actividad a las cosas de los órdenes más diferentes. La civilización occidental moderna es, ciertamente, aquella cuyo desarrollo se limita al dominio más restringido de todos; no es muy difícil encontrar quienes sostienen que «el progreso intelectual ha alcanzado un grado desconocido hasta nuestros días», y aquellos que piensan así muestran que ignoran todo de la intelectualidad verdadera; tomar por un «progreso intelectual» lo que no es más que un desarrollo puramente material, limitado al orden de las ciencias experimentales (o más bien de algunas de entre ellas, puesto que hay ciencias experimentales de las que los modernos desconocen hasta la existencia), y sobre todo de sus aplicaciones industriales, es en efecto la más ridícula de todas las ilusiones. Antes al contrario, a partir de la época que se ha convenido llamar el renacimiento, bien erróneamente según nos, ha habido en occidente una formidable regresión intelectual, que ningún progreso material podría compensar. […] En cuanto al supuesto «progreso moral», se trata de un asunto de sentimiento, y por consiguiente de apreciación individual pura y simple; desde este punto de vista, cada uno puede hacerse un «ideal» conforme a sus gustos, y el de los espiritistas y demás demócratas no conviene a todo el mundo; pero los «moralistas», en general, no lo entienden así, y, si tuvieran poder para ello, impondrían a todos su propia concepción, ya que nada es menos tolerante en la práctica que las gentes que sienten la necesidad de predicar la tolerancia y la fraternidad.» (El error espiritista, 1923)

30/01/2024

O “ateísmo líquido” de Francisco (e 5) | El “ateísmo líquido” de Francisco (y 5)


Excertos da entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, acerca da publicação do seu livro "O fim do cristianismo".

«— Voltando de novo ao argumento do mercado, ao escutar-nos, muitos poderiam dizer: “Mas eu ouvi, eu li, Bergoglio a opor-se ao mercado, a criticar o mercado”. De facto, esta seria a razão pela qual este papa é considerado um papa de esquerda ou, pelo menos, um pouco à esquerda.
— No meu livro Pensar Diferente, defendo que o capitalismo faz a gestão não só do consenso como da dissidência. Assim, também neste aspecto é totalitário. Gere não só o consenso, como produz também aquilo que designo como “uma crítica conservadora”, que tem dois modos fundamentais de expressão.
Por um lado temos a crítica conservadora dos discípulos de Heidegger, que dizem que o mundo da técnica é terrível, obsceno, mas que não há nada a fazer, que só Deus nos pode salvar. E, portanto, esta crítica acaba por ser uma apologia do capitalismo, porque, ao dizer que é horrível mas não existe alternativa, acaba por justificá-lo. Daí que se trate de uma crítica conservadora.
A segunda modalidade de crítica conservadora é a de quem critica a globalização, por exemplo, ou a destruição do meio ambiente, mas, ao mesmo tempo, critica também o que se opõe realmente à globalização e à destruição do meio ambiente. Ponho um exemplo: Greta Thunberg representa o ecologismo neoliberal, porque nunca intenta uma luta contra o capitalismo e contra as classes dominantes que destroem o meio ambiente. É celebrada, tal como Bergoglio, em todos os meios de comunicação, porquê? Porque as classes dominantes precisam de evitar que o ambientalismo se transforme em anticapitalismo, e dizem portanto: “Nós vamos ocupar-nos de meio ambiente! Economia verde!”. E, através dessa “economia verde”, transformam o ambientalismo em fontes renováveis de negócio.
Passa-se o mesmo com Bergoglio, porque, se é verdade que critica a desigualdade, as finanças, o capitalismo… é certo que critica também tudo o que, em concreto, se lhes opõe. Por exemplo, se Bergoglio estivesse realmente contra o capitalismo, deveria valorizar o populismo. Bergoglio critica o capitalismo e a seguir diz: “Quando ouço falar em soberania nacional, penso logo no nazismo”. Assim, no meu entender, Bergoglio faz parte da crítica conservadora.

— Julgo que fica bem clara a tua posição.
— Está claro que o meu discurso sobre a Igreja católica será recebido por muitos como o discurso de um ultracatólico que quer voltar à verdadeira Igreja. Não é verdade; eu sou um hegeliano, para mim existe na religião um elemento verdadeiro, mas não sou um homem confessional.

— E consideras que esse elemento verdadeiro foi esquecido nesta Igreja de Bergoglio?
— Completamente. Hoje existe uma convergência integral entre a esquerda caviar neoliberal e a Igreja pós-cristã de Bergoglio. Eu digo, no livro, que “Bergoglio é, para a Igreja de Roma, o mesmo que Gorbatchov foi para a União Soviética”. Gorbatchov propôs a perestroika, que seria uma renovação, uma modernização, mas que, na realidade, destruiu o comunismo.
Na minha opinião, houve um erro fundamental, tanto no comunismo como na Igreja católica do século XX, pois fizeram uma guerra entre si sem dar-se conta de que seria o capitalismo quem os mataria, a ambos. Esse era o ponto fundamental. O verdadeiro inimigo do cristianismo não é o comunismo, que, como dizia Pasolini, tem o seu próprio impulso espiritual, de não se conformar com o que está. O verdadeiro inimigo do cristianismo é o capitalismo.»

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Extractos de la entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, sobre la publicación de su libro "El fin del cristianismo".

«—Volviendo un poco al argumento del mercado, muchos podrían decir al escucharnos: «Pero yo he oído, he leído a Bergoglio oponerse al mercado, criticar al mercado». De hecho, esta sería la razón por la que este papa es considerado un papa de izquierda o, al menos, un poco más de izquierda.
—En mi libro Pensare altrimenti, que en España se tradujo como Pensar diferente, sostengo que el capitalismo no solo gestiona el consenso, sino que también gestiona la disidencia. De esta manera, es totalitario también en este aspecto. No solo gestiona el consenso, sino que también produce lo que llamo «una crítica conservadora» que tiene dos modos fundamentales de expresión.
Por un lado tenemos la crítica conservadora de los discípulos de Heidegger, que dicen que el mundo de la técnica es terrible, obsceno, pero que no hay nada que hacer, que solo Dios nos puede salvar. Y, por lo tanto, esta crítica termina siendo una apología del capitalismo, porque si dices que es horrible pero que no hay alternativa, lo estás justificando. De ahí que se trate de una crítica conservadora.
La segunda modalidad de crítica conservadora es la de quien critica la globalización, por ejemplo, o la destrucción del medio ambiente, pero al mismo tiempo critica también lo que se opone realmente a la globalización y a la destrucción del medio ambiente. Pongo un ejemplo: Greta Thunberg representa el ecologismo neoliberal, porque nunca emprende una lucha contra el capitalismo y contra las clases dominantes que destruyen el medio ambiente. Se la celebra como a Bergoglio en todos los medios de comunicación, ¿por qué? Porque son las clases dominantes las que necesitan evitar que el ambientalismo se vuelva anticapitalismo, y por tanto dicen: «¡Nosotros nos ocuparemos del medio ambiente!, ¡economía verde!». Y mediante esa «economía verde» transforman el ambientalismo en fuentes renovables de negocio.
Lo mismo pasa con Bergoglio, porque si bien es verdad que critica la desigualdad, las finanzas, el capitalismo… lo cierto es que critica también todo lo que en concreto se les opone. Por ejemplo, si Bergoglio estuviera realmente en contra del capitalismo, debería valorar el populismo. Bergoglio critica el capitalismo y luego va y dice: «Cuando oigo hablar de soberanía nacional, me viene a la mente el nazismo». Por tanto, Bergoglio forma parte a mi juicio de la crítica conservadora.

—Creo que queda bien nítida tu posición.
—Está claro que mi discurso sobre la Iglesia católica será recibido por muchos como el discurso de un ultracatólico que quiere volver a la verdadera Iglesia. No es así, yo soy un hegeliano, para mí en la religión hay un elemento verdadero, pero no soy un hombre confesional.

—¿Y encuentras que este elemento verdadero se olvida en esta Iglesia de Bergoglio?
—Totalmente. Hoy hay una convergencia integral entre la izquierda fucsia neoliberal y la Iglesia poscristiana de Bergoglio. Yo en el libro digo que «Bergoglio es para la Iglesia de Roma lo mismo que Gorbachov fue para la Unión Soviética». Gorbachov propuso la perestroika, que sería una renovación, una modernización, pero en realidad destruyó el comunismo. Y eso fue una tragedia, la mayor tragedia de la historia del siglo XX. Bergoglio quiere hacer una perestroika de la Iglesia, abrirla al mundo, hacerla progresar, pero haciéndolo así la destruye como Gorbachov hizo con el comunismo.
En mi opinión, hubo un error fundamental tanto del comunismo como de la Iglesia católica en el siglo XX, ya que se hicieron la guerra entre sí sin darse cuenta de que sería el capitalismo el que los mataría a ambos. Ese era el punto fundamental. El verdadero enemigo del cristianismo no es el comunismo que, como decía Pasolini, tiene su propio impulso espiritual, de no conformarse con lo que hay. El verdadero enemigo del cristianismo es el capitalismo.» [artigo original]

23/01/2024

O “ateísmo líquido” de Francisco (4) | El “ateísmo líquido” de Francisco (4)


Excertos da entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, acerca da publicação do seu livro "O fim do cristianismo".

«— Se no próximo conclave se desse a eleição de um novo papa, que mudasse um pouco esta orientação bergogliesca, por assim dizer, da Igreja, o que aconteceria? Porque não voltaríamos exactamente a essa pequena Igreja antes citada, até se poderia pensar novamente numa Igreja plena, grande, mas oposta ao capitalismo.
— Creio que... o facto de Bergoglio falar sobre a sua possível abdicação é um sinal importante porque, evidentemente, ainda que não apareça no discurso público, a sede está vacante. Está vacante porque Bergoglio não é o papa: o papa era o outro.

— Achas que ele pensa o mesmo?
— Sabe muito bem que, tecnicamente, não é o papa. Pode celebrar-se um conclave para eleger um novo papa, com os bispos blindados por Bergoglio, de modo a parecer um papa legítimo, quando na realidade estará sempre na mesma linha antipapal.

— Então, o novo papa também não seria legítimo?
— Se segue nessa linha, não... De algum modo Ratzinger, ao colocar-se em sede impedida, deslegitimou toda essa nova Igreja, que não é a verdadeira.

— Gosto muito dessa tua ideia acerca da liquidez que esvazia o significado de ser católico, de pensar como católico.
— Claro, a nova Igreja liberal progressista de Bergoglio é uma Igreja líquida, é uma Igreja fluída, é uma Igreja que se molda ao modo das exigências do mercado. É a Igreja do misericordismo: a misericórdia transforma-se numa espécie de perdão universal de tudo e de todos, e de um amor universal que, no entanto, esvazia tudo de conteúdo. Bergoglio, num seu texto muito conhecido, a encíclica Fratelli tutti, volta a propor o amor cosmopolita, o que o velho Hegel descrevia como "o latejar pela humanidade", a etapa da alma bela que ama o mundo. Mas, amar o mundo significa não amar ninguém, porque o amor vai sempre, como tratei de afirmar no meu livro A nova ordem erótica. Elogio do amor e da família, do nome próprio ao nome próprio, nunca pode ser amor pelo universal.

— No Evangelho, de facto, não se fala do amor universal, "à humanidade"; fala-se do amor ao próximo.
— Certamente, o pensamento cosmopolita entende o próximo como o "outro", mas não é assim; em latim, proximus significa o que está mais perto de mim. Assim, o amor é para o que está mais perto, não para o "outro". O discurso cosmopolita liberal também nisto é perfeitamente compatível com a nova Igreja de Bergoglio, porque propõe renunciar a amar quem está mais perto para nos abrirmos ao "outro"; ou seja, de algum modo, pede-nos para renunciar ao particular para nos abrirmos ao universal abstracto. Mas nós sabemos que é uma lei da vida que amemos antes de mais o nosso filho, a nossa esposa, o nosso pai, o nosso amigo, o nosso concidadão e, depois, ao que está mais distante. O discurso cosmopolita pede-nos para amar uma cultura universal, a humanidade em abstracto, com o único objectivo de criar indiferença para quem está mais perto: é este o engano do discurso cosmopolita. Já Jean-Jacques Rousseau, em Emílio, dizia que amar a humanidade é só uma desculpa para não te interessares pelo teu próprio vizinho.

— Porque amar a humanidade como tal é amar uma ideia; e é sempre mais fácil amar uma ideia do que a pessoa que está ao teu lado.
— De facto, para Hegel, que questionava o cosmopolitismo iluminado, o universal é sempre o universal concreto. O universal humano existe concretamente nas culturas e nos povos. Por isso, somos humanos na medida em que temos uma língua, somos parte de uma cultura, de um povo, e isto permite-nos entender o engano da União Europeia. A União Europeia pede-nos que renunciemos à nossa identidade nacional para aderirmo-nos à cultura europeia universal. Mas a cultura europeia não existe, senão como cultura italiana, espanhola, francesa ou alemã. É um universal concreto.

— Culturas ligadas entre si...
— Sim, pela sua relação. E, portanto, o discurso de Bergoglio também nisto parece cooperar com esta fluidez cosmopolita, como em muitos outros temas. Se já não há valores absolutos, tudo se torna relativo. Se já não há verdade, também não é possível questionar a falsidade, e, portanto, o poder.»

* * * * *

Extractos de la entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, sobre la publicación de su libro "El fin del cristianismo".

«—Si en el próximo cónclave se produce la elección de un nuevo papa, que luego cambiara un poco esta orientación bergogliesca, por así decir, de la Iglesia, ¿qué sucedería? Porque no volveríamos exactamente a esa Iglesia pequeña antes citada, incluso se podría pensar una vez más en una Iglesia plena, grande, pero opuesta al capitalismo.
—Creo que… el hecho de que Bergoglio esté hablando de su posible dimisión es una señal importante porque, evidentemente, aunque en el discurso público no aparece, la sede está vacante. Está vacante porque Bergoglio no es el papa: el papa era el otro.

—¿Crees que él piensa lo mismo?
—Sabe muy bien que no es técnicamente el papa. Puede celebrarse un cónclave para elegir un nuevo papa con los obispos blindados por Bergoglio, de modo que parezca un papa legítimo, cuando en realidad estará siempre en esa línea antipapal.

—Entonces, ¿tampoco un nuevo papa sería legítimo?
—Si va en esa línea, no… De algún modo Ratzinger, al colocarse en sede impedida, ha deslegitimado a toda esta nueva Iglesia que no es la verdadera.

—Me gusta mucho esa idea que dices de liquidez que vacía el significado de ser católico, de pensar como católico.
—Claro, la nueva Iglesia liberal progresista de Bergoglio es una Iglesia líquida, es una Iglesia fluida, es una Iglesia que se modela a la manera de las demandas del mercado. Es la Iglesia del misericordismo: la misericordia se transforma en una especie de perdón universal de todo y de todos y de un amor universal que, sin embargo, vacía de contenido todo. Bergoglio, en un texto suyo muy conocido, la encíclica Fratelli tutti, vuelve a proponer el amor cosmopolita, lo que el viejo Hegel definía como «el latido por la humanidad», la etapa del alma bella que ama al mundo. Pero amar al mundo significa no amar a nadie, porque el amor va siempre, como he tratado de decir en mi libro El nuevo orden erótico. Elogio del amor y de la familia, del nombre propio al nombre propio, nunca puede ser amor por lo universal.

—En el Evangelio, de hecho, no se habla de amor universal, «a la humanidad»; se habla de amor al prójimo.
—Ciertamente, el pensamiento cosmopolita entiende al prójimo como al «otro», pero no es así, en latín proximus quiere decir lo que está más cerca de mí. Así que el amor es para el más cercano, no para el «otro». El discurso cosmopolita liberal también en esto es perfectamente compatible con el de la nueva Iglesia de Bergoglio, porque propone renunciar a amar a quien está más cerca para abrirnos al «otro»; es decir, de algún modo, nos pide renunciar a lo particular para abrirnos a lo universal abstracto. Pero nosotros sabemos que es ley de vida que amemos antes que nada a nuestro hijo, a nuestra esposa, a nuestro padre, a nuestro amigo, a nuestro conciudadano y, después, al que está más distante. El discurso cosmopolita nos pide amar una cultura universal, la humanidad en abstracto, con el único objetivo de crear indiferencia hacia quien está más cerca: este es el engaño del discurso cosmopolita. Ya Jean-Jacques Rousseau en el Emilio decía que amar a la humanidad es sólo la coartada para no interesarse por tu propio vecino.

—Porque amar la humanidad como tal es amar una idea; y es siempre más fácil amar una idea que amar a la persona que está a tu lado.
—De hecho, para Hegel, que cuestionaba el cosmopolitismo ilustrado, lo universal es siempre lo universal concreto. El universal humano existe concretamente en las culturas y en los pueblos. Por lo tanto, somos humanos en la medida en que tenemos un idioma, somos parte de una cultura, de un pueblo, y esto nos permite entender el engaño de la Unión Europea. La Unión Europea nos pide que renunciemos a nuestra identidad de españoles e italianos para adherirnos a la cultura europea universal. Pero la cultura europea no existe sino como cultura italiana, española, francesa o alemana. Es un universal concreto.

—Culturas ligadas entre sí…
—Sí, por su relación. Y, por tanto, el discurso de Bergoglio también en esto parece cooperar con esta fluidez cosmopolita, como en muchos otros temas. Si ya no hay valores absolutos, todo se vuelve relativo. Si ya no hay verdad, tampoco es posible cuestionar la falsedad, y por tanto el poder.»

16/01/2024

O “ateísmo líquido” de Francisco (3) | El “ateísmo líquido” de Francisco (3)


Excertos da entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, acerca da publicação do seu livro "O fim do cristianismo".

«— Então, qual era o plano de Ratzinger? Exercer esse papel, durante anos, e desaparecer depois, deixar a Igreja com sede vacante. Não é um plano um tanto louco, vindo de um teólogo e de um papa com certo peso?
— Para responder a essa perginta, seguirei os passos de Pier Paolo Pasolini, que é um dos autores mais citados no meu livro O fim do cristianismo. Porque Pasolini tinha compreendido a importância do sagrado, e que a civilização do consumo, desapiedadamente ateia e materialista, odeia o sagrado. Num texto muito belo, de 1973, intitulado O louco slogan dos blue jeans, refere-se a um anúncio, aparecido por essa altura em Itália, onde se mostrava o corpo de uma mulher com uns jeans e a frase "Não terás outros jeans diante de mim", a qual era uma profanação [por tratar-se da paráfrase do mandamento bíblico do Sinai, "Não terás outros deuses diante de mim"]. A Igreja protestou e acabaram por retirar esse anúncio.
O que Pasolini explica, no citado artigo, é que esse anúncio é apenas o início da luta entre o capitalismo e o cristianismo. Porque, apesar do cristianismo poder chegar a acordo com outras formas de poder, com a civilização do capitalismo hedonista total, o que eu designo por turbocapitalismo, esse acordo, pelo contrário, não é possível: a sociedade do capital evaporará a religião. E, portanto, dizia Pasolini, a Igreja tem duas possibilidades: a primeira consiste em voltar a ser a Igreja das origens, essa catacumba contra o poder capitalista, que era o que ele sonhava. Hoje poderíamos encontrar, na figura do papa, se ele soubesse renunciar a ser um homem do poder, um ponto de apoio para a nossa luta contra o poder.

— Um aliado...
— Um aliado, um líder contra o capitalismo. A segunda opção actual da Igreja, dizia Pasolini, é aceitar a sociedade de consumo, o que a dissolverá nessa sociedade de consumo e fará com que se suicide — ele mesmo utilizava esta expressão: "suicidar-se". Pois bem, creio que a Igreja de Bergoglio está a suicidar-se na sociedade de consumo. A de Ratzinger, pelo contrário, converte-se hoje num pequeno rebanho quase semiclandestino, que se organiza, e não cede. Em Itália há vários movimentos que se opõem à nova Igreja de Bergoglio e, portanto, o cristianismo verdadeiro, o de Ratzinger, encontra-se hoje na oposição ao poder financeiro e liberal progressista. Ratzinger já o teorizou há anos. Existe um programa de rádio onde Ratzinger, em 1969, já afirma: «Imagino um futuro em que os sacerdotes se converterão em assistentes sociais e já não restará nada do cristianismo». Precisamente então, um pequeno remanescente, como lhe chamava, um pequeno rebanho poderá constituir o novo núcleo de uma comunidade que quererá agradar a Deus e não ao mundo. E que, por isso, entrará em conflito com o mundo.

— Essa intervenção radiofónica será publicada no livro Fé e futuro?
— Sim. Por isso, a ideia é que Ratzinger, com o seu gesto de 2013, separou uma Igreja autêntica, a que gosta de agradar a Deus e não ao mundo, a do pequeno remanescente, frente a uma nova Igreja liberal progressista que quer agradar ao mundo, e não a Deus. Nos discursos de Bergoglio não há realmente nada transcendente, e ao escutá-lo tanto parece o expoente de um partido liberal progressista que fala de portos abertos e de abertura comercial, como o operador de uma ONG que fala sobre como acolher os imigrantes. E o capitalismo não quer acolher, o que quer é explorar os recém-chegados, como Marx já tinha percebido...

— Quer abrir as fronteiras para dispor de seres humanos mais facilmente exploráveis.
— Braços a baixo custo. É então que Bergoglio parece um guarda florestal, quando fala da Amazónia, dos problemas verdes, da "economia verde", mas nunca há o discurso sobre Deus, enquanto, pelo contrário, em Ratzinger havia continuamente esta centralidade do divino. Creio que existe uma inimizade entre o capitalismo e a religião da transcendência, por muitas razões. Porque, para um cristão, Deus está nos céus e não no mercado, o sagrado não está à venda.»


* * * * *

Extractos de la entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, sobre la publicación de su libro "El fin del cristianismo".

«—Entonces, ¿cuál era el plan de Ratzinger? Ejercer ese papel, durante años, y luego desaparecer, dejar una Iglesia con sede vacante. ¿No es un plan un poco loco viniendo de un teólogo y de un papa de cierto peso?
—Para responder a esa pregunta seguiré los pasos de Pier Paolo Pasolini, que es uno de los autores más citados en mi libro El fin del cristianismo. Porque Pasolini había comprendido la importancia de lo sagrado y que la civilización despiadadamente atea y materialista del consumo odia lo sagrado. En sus películas y escritos siempre está la idea de la sociedad burguesa sin lo sagrado. En un texto muy bello de 1973, titulado El loco eslogan de los blue jeans, se refiere a un anuncio que había aparecido en esos años en Italia, donde se mostraba el cuerpo de una mujer con unos jeans y el eslogan No tendrás más vaqueros que yo, lo cual era una forma de profanación [por tratarse de una paráfrasis del mandato bíblico del Sinaí, «No tendrás más Dios que yo»]. La Iglesia se opuso y acabaron retirando ese anuncio.
Lo que Pasolini explica en el citado artículo es que ese anuncio es solo el comienzo de la lucha entre el capitalismo y el cristianismo. Porque mientras que el cristianismo puede llegar a un acuerdo con otras formas de poder, en cambio con la civilización del capitalismo hedonista total, lo que yo lo llamo el turbocapitalismo, el acuerdo no es posible: la sociedad del capital evaporará la religión. Y, por tanto, decía Pasolini, la Iglesia tiene dos posibilidades: la primera consiste en volver a ser la Iglesia de los orígenes, esa catacumba contra el poder capitalista, que era lo que él soñaba. Hoy podríamos encontrar, en la figura del papa, si supiera renunciar a ser un hombre del poder, un punto de apoyo para nuestra lucha contra el poder.

—Un aliado…
—Un aliado, un líder contra el capitalismo. La segunda opción actual de la Iglesia, decía Pasolini, es aceptar la sociedad de consumo, lo que la disolverá en tal sociedad de consumo y hará que se suicide —él mismo usaba esta expresión: "suicidarse"—. Y bien, creo que la Iglesia de Bergoglio se está suicidando en la sociedad de consumo. La de Ratzinger, en cambio, se convierte hoy en un pequeño rebaño casi semiclandestino, que se organiza, no cede. En Italia hay varios movimientos que se oponen a la nueva Iglesia de Bergoglio y, por tanto, el cristianismo verdadero, el de Ratzinger, hoy se encuentra en la oposición al poder financiero y liberal progresista. Ratzinger ya lo teorizó hace años. Hay un programa de radio donde Ratzinger, en 1969, ya afirma: «Me imagino un futuro en el que los sacerdotes se convertirán en asistentes sociales y ya no habrá nada del cristianismo». Precisamente entonces, un pequeño resto, lo llamaba, un pequeño rebaño podrá constituir el nuevo núcleo de una comunidad que querrá agradar a Dios y no al mundo. Y que, por ello, entrará en conflicto con el mundo.

—Esa intervención radiofónica luego se publicará en el libro Fe y futuro, ¿no?
—Cierto. Por tanto, la idea es que Ratzinger, con su gesto de 2013, separó una Iglesia auténtica, a la que le gusta agradar a Dios y no al mundo, la del pequeño resto, frente a una nueva Iglesia liberal progresista que quiere agradar al mundo y no a Dios. En los discursos de Bergoglio realmente no hay nada trascendente, si lo escuchas hablar parece o el exponente de un partido liberal progresista que habla de puertos abiertos y de apertura comercial, o el operador de una ONG que habla de cómo acoger a los inmigrantes. Y el capitalismo no quiere acoger, lo que quiere es explotar a los recién llegados como Marx ya había entendido…

—Quiere abrir las fronteras para disponer de seres humanos más fácilmente explotables.
—Brazos a bajo coste. Y luego Bergoglio parece un guardia forestal, cuando habla de la Amazonía, de los problemas verdes, de la «economía verde», pero nunca hay el discurso sobre Dios, mientras que en cambio en Ratzinger había continuamente esta centralidad de lo divino. Creo que hay una enemistad entre el capitalismo y la religión de la trascendencia por muchas razones. Porque para un cristiano Dios está en los cielos y no en el mercado, lo sagrado no está a la venta.»

09/01/2024

O “ateísmo líquido” de Francisco (2) | El “ateísmo líquido” de Francisco (2)


Excertos da entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, acerca da publicação do seu livro "O fim do cristianismo".

«— Creio que estamos plenamente de acordo sobre Ratzinger, não é verdade? Assim, voltemos a Bergoglio. É óbvia a diferença entre ambos, até existem filmes sobre essa distância entre os dois papas. Mas não lhe parece exagerado considerar que um papa, neste caso Francisco, não defenda ou não pense que Deus seja verdadeiro?
— É uma tese forte mas apoiada, penso, pelos discursos de Bergoglio. Nestes discursos, quem é o bom cristão? Essa é a pergunta. Sob um ponto de vista clássico, o bom cristão é aquele que crê nas razões do eterno e do divino, e comporta-se como tal na terra. Também pode ser um bom inimigo do poder porque, como dizia São Tomás de Aquino, se a lei terrena se opõe à lei divina, é preciso opor-se ao poder. Com o tiranicídio, por exemplo.
No meu entender, o bom cristão, na nova Igreja liberal progressista de Bergoglio, é o bom consumidor. A fé de Bergoglio, e da nova Igreja liberal progressista, é uma fé de baixo custo. Para ser bom cristão deve-se acreditar na globalização capitalista, deve-se estar contra o soberanismo e o populismo, deve-se estar a favor dos portos abertos à imigração massiva. Ou seja, é a mesma mensagem da globalização neoliberal, mas situada no âmbito teológico. Assim, a Igreja de Bergoglio converte-se num megafone do pensamento único, política e teologicamente correcto. No meu livro, Fim do cristianismo, digo que Bergoglio faz «uma teologia com o martelo» [um eco do nietzschiano «filosofar com o martelo»]: destrói todos os fundamentos do cristianismo e propõe o que poderíamos chamar «uma religião da banalidade», sem transcendência, sem referências a Jesus e à divindade, sem referências ao eterno. A quem se destina o inferno, segundo Bergoglio? Se Bergoglio acredita no inferno, este é para os populistas, para os soberanistas, para os socialistas, para quem se opõe à globalização neoliberal.

— É curioso o que diz, porque Bergoglio é acusado de ser populista, talvez pela sua origem argentina.
— O populismo de Bergoglio esvazia a Igreja de Roma e abre-a ao mundo. Bergoglio, para utilizar uma linguagem bíblica, negligencia as ovelhas do seu próprio rebanho para recuperar as que estão fora. Bergoglio nunca fala aos cristãos; fala sempre aos ateus, aos muçulmanos, às religiões pagãs. Como resultado, não traz novas ovelhas ao rebanho e, pelo contrário, deixa sair as que tem. A ideia de Bergoglio é cumprir o Concílio Vaticano II, abrir o cristianismo ao mundo para o conquistar; mas, na realidade, ao abrir-se ao mundo, o cristianismo perde-se nele, evapora-se, dissolve-se e, no final, temos a «teologia da banalidade e do nada» de Bergoglio. Que, na verdade, na minha opinião, nunca foi papa; o papa era Ratzinger.

— Isso remete para um movimento tradicionalista radical, que acredita estarmos numa espécie de sede vacante, que o trono papal está vacante.
— Não sou católico, nem tradicionalista, sou um hegeliano que reconhece a mensagem verdadeira da religião. Estou de acordo com os que defendem a tese segundo a qual Ratzinger era o único papa, porque em 2013 não renunciou a ser o papa: renunciou a exercer o papel de papa. Se um advogado renunciar a exercer o seu papel, continua a ser advogado, e se há necessidade de outros advogados, eles serão nomeados.
Mas se um papa renunciar ao seu papel, continua a ser papa e, enquanto for vivo, não podem nomear outro. Por isso, de 2013 a 2022, Ratzinger era o único papa, não com sede vacante mas com sede impedida: ou seja, ele era o papa, e a sede vacante só se iniciou em 31 de Dezembro de 2022. Se Ratzinger renunciou a ser papa, porque continuou a vestir-se como um papa?

— E continuavam a chamar-lhe papa, não é verdade?
— E porque assinava como Bento XVI? Porque exibia as insígnias heráldicas? Na história da Igreja, Celestino V, quando deixa de ser papa, já não se chama Celestino V, regressa a Abruzo e abandona. Ratzinger, pelo contrário, continua a ser Bento XVI; porquê? A minha tese é que Ratzinger, em termos de direito canónico, renunciou ao ministerium mas não ao munus, ou seja, renunciou a exercer o papel de papa, mas não a ser papa. E fê-lo precisamente para impedir a deriva liberal progressista da Igreja: deu um passo ao lado, não um passo atrás.

— Mas ao fazer isso tinha menos poder para se opor.
— Sim, mas ele já não podia exercer o seu papel de papa. Tinha contra si não só o poder financeiro, mas sobretudo as forças liberais progressistas, que tramavam um primavera árabe no Vaticano para substituir aquele que chamavam «o terrorista branco», ou seja, Ratzinger. A própria Igreja estava animada por impulsos liberais progressistas. Assim, não houve dois papas entre 2013 e 2022; havia um papa, Ratzinger, e um antipapa, Bergoglio. É preciso sublinhar que muitos tentaram dizer que eles se davam bem, que eram amigos, que tinham a mesma visão, mas não é verdade. Tanto é assim que o mesmo sistema mediático que celebrava Bergoglio como uma estrela, é o mesmo que ladrava continuamente contra Ratzinger. Ratzinger era odiado, e ainda o é na sua memória, pelo sistema mediático.»

* * * * *
Extractos de la entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, sobre la publicación de su libro "El fin del cristianismo".

«—Creo que estamos muy de acuerdo sobre Ratzinger, ¿no? Así que volvamos a Bergoglio. Es obvia la diferencia entre ambos, incluso hay películas sobre esa distancia entre los dos papas. Ahora bien, ¿no crees que resulta exagerado considerar que un papa, en este caso Francisco, no defiende o no piensa que Dios sea verdad?
—Es una tesis fuerte, pero apoyada a mi juicio por los discursos de Bergoglio. ¿En estos discursos quién es el buen cristiano? Esa es la pregunta. Desde un punto de vista clásico, el buen cristiano es quien cree en las razones de lo eterno y de lo divino y se comporta consecuentemente en la tierra. También puede ser un buen enemigo del poder porque, como decía santo Tomás de Aquino, si la ley terrena se opone a la ley divina, hay que oponerse al poder. Con el tiranicidio, por ejemplo.
A mi juicio, el buen cristiano en la nueva Iglesia liberal progresista de Bergoglio es el buen consumidor. La de Bergoglio y la nueva Iglesia liberal progresista es una fe de bajo coste. Para ser un buen cristiano debes creer en la globalización capitalista, debes estar en contra del soberanismo y del populismo, debes estar a favor de los puertos abiertos a la inmigración masiva. Es decir, es el mismo mensaje de la globalización neoliberal, pero situado en el ámbito teológico. Así, la Iglesia de Bergoglio se convierte en un megáfono del pensamiento único política y teológicamente correcto. En mi libro, Fin del cristianismo, digo que Bergoglio hace «una teología con el martillo» [eco del nietzscheano «filosofar con el martillo»]: destruye todos los fundamentos de la cristiandad y propone la que podríamos llamar «una religión de la banalidad», sin trascendencia, sin referencias a Jesús y a la Divinidad, sin referencias a lo eterno. ¿Para quién es el infierno, según Bergoglio? Creo que si para Bergoglio hay infierno, lo hay para los populistas, para los soberanistas, para los socialistas, para quien se opone a la globalización neoliberal.

—Es curioso lo que dices porque a Bergoglio se le acusa de ser populista, un poco por su origen argentino.
—El populismo de Bergoglio vacía la Iglesia de Roma y la abre al mundo. Bergoglio, por usar una imagen bíblica, se despreocupa de las ovejas de su propio rebaño para ir a recuperar las que están fuera. Bergoglio nunca habla a los cristianos, habla siempre a los ateos, a los musulmanes, a las religiones paganas. Con el resultado de que no trae nuevas ovejas al rebaño y, en cambio, deja salir a las que tiene. La idea de Bergoglio lleva al cumplimiento el Concilio Vaticano II, la de abrir el cristianismo al mundo para conquistar el mundo; pero, en realidad, abriéndose al mundo, el cristianismo se pierde en el mundo, se evapora, se disuelve y al final tenemos la «teología de la banalidad y de la nada» de Bergoglio. Que, por cierto, en mi opinión, nunca fue papa; el papa era Ratzinger.

—Eso conecta con un movimiento tradicionalista radical, que piensa que estamos en una especie de sedevacantismo, que el asiento papal está vacante.
—No soy católico, ni tradicionalista, soy un hegeliano que reconoce el mensaje verdadero de la religión. Estoy de acuerdo con los que defienden la tesis según la cual Ratzinger era el único papa, porque en 2013 no renunció a ser el papa: renunció a ejercer el papel de papa. Si eres abogado y renuncias a ejercer el papel de abogado, sigues siendo abogado, y si hay necesidad de otros abogados nombrarán a otros.
Pero si eres el papa y renuncias a ejercer el papel de papa sigues siendo el papa, y no pueden, mientras vivas, nombrar uno nuevo. Por eso, de 2013 a 2022, Ratzinger era el único papa, pero no con sede vacante, sino con sede impedida: es decir, él era el papa, y la sede está vacante solo desde el 31 de diciembre de 2022. ¿Por qué, si Ratzinger renunció a ser el papa, siguió vistiéndose como el papa?

—Y le seguían llamando papa, ¿no?
—¿Y por qué firmaba Benedicto XVI? ¿Por qué exhibía las insignias heráldicas? En la historia de la Iglesia, Celestino V, cuando deja de ser papa, ya no se llama Celestino V, vuelve a los Abruzos y abandona. Ratzinger, en cambio, sigue siendo Benedicto XVI, ¿por qué? Mi tesis es que Ratzinger, en términos de derecho canónico, ha renunciado al ministerium pero no al munus, por tanto ha renunciado a ejercer el papel de papa, pero no a ser el papa. Y lo hizo precisamente para impedir la deriva liberal progresista de la Iglesia: dio un paso al lado, no un paso atrás.

—Pero haciendo eso tenía menos poder para oponerse.
—Sí, pero él ya no podía ejercer su papel de papa. Tenía en contra no solo al poder financiero, sino sobre todo a las fuerzas liberales progresistas, que tramaban una primavera árabe en el Vaticano para sustituir al que llamaban «el terrorista blanco», es decir, Ratzinger. La Iglesia misma estaba animada por pulsiones liberales progresistas. Así que no hubo dos papas entre 2013 y 2022, había un papa Ratzinger y un antipapa Bergoglio. Hay que destacar que muchos han intentado decir que en realidad se llevaban bien, que eran amigos, que tenían la misma visión, pero no era cierto. Tanto es así que el mismo sistema mediático que celebraba a Bergoglio como una estrella, es el que ladraba continuamente contra Ratzinger. Ratzinger era odiado y todavía lo es en la memoria por el sistema mediático.»

02/01/2024

O “ateísmo líquido” de Francisco (1) | El “ateísmo líquido” de Francisco (1)


Excertos da entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, acerca da publicação do seu livro "O fim do cristianismo".

«— O seu último livro tem por título O fim do cristianismo. A morte de Deus em tempos de mercado global e do papa Francisco. Como se relacionam todos estes pontos?
— A ideia que desenvolvo no livro é, basicamente, que estamos a viver o fim do cristianismo. Chamo-lhe a evaporação do cristianismo. A civilização do consumo, da técnica, das finanças, criou uma verdadeira inimizade relativamente ao cristão e à religião da transcendência que, na Europa é, obviamente, o cristianismo. E chego à conclusão que, no presente, este se está a evaporar e que a Igreja de Bergoglio representa, na substância, o momento culminante desta evaporação. Enquanto a Igreja de Ratzinger tinha tentado resistir, opor-se, defender as razões da transcendência e, portanto, entrou em conflito com a civilização dos mercados, a Igreja de Bergoglio é cristianismo evaporado, é o pensamento único da globalização expressado em teologia.

— Em que pontos detecta esse confronto entre Ratzinger e Bergoglio?
— Seria suficiente comparar os discursos, as homilias, as encíclicas dos dois papas. Em Ratzinger encontramos continuamente reafirmada a transcendência, o eterno, a abertura do espírito às dimensões mais elevadas. Em Bergoglio encontramos um cerramento integral à transcendência. Nos discursos de Bergoglio nunca se fala de Deus, da alma, do sagrado.

— Mas a palavra "Deus" aparece, e muitas vezes.
— Sim, aparece, mas é o que designo, no livro, com uma fórmula que tomo livremente de Zygmunt Bauman, como ateísmo líquido. Em que consiste este ateísmo? Não se trata já do ateísmo de quem diz «Deus não existe e vou demonstrá-lo». O ateísmo líquido é indiferente ao problema de Deus. Hoje em dia, a maioria dos europeus não são ateus, são ateus líquidos nesta acepção.

— E Ratzinger fez precisamente o contrário, certo?
— Certamente que Ratzinger, apresentado geralmente como uma figura reaccionária e, de algum modo, amiga do poder, na realidade, precisamente porque defendia a tradição, o sagrado e a transcendência, entrava em conflito com um poder liberal progressista que já não quer a transcendência, a tradição e as identidades. Ratzinger teorizou-o, porque expressou em várias passagens das suas obras, mesmo antes de se tornar papa em 2005, que o cristão, hoje, se encontra na oposição ao mundo e ao poder. Assim, em Ratzinger, encontramos a ideia de uma Igreja que quer agradar a Deus e não ao mundo, que quer agradar à verdade e não à ditadura do relativismo.

— Ratzinger é também defensor não só da transcendência, como da razão. A razão que vem da nossa herança, neste caso mais grega que a especificamente hierosolimitana. E, portanto, neste sentido, muito aberto também, como filósofo e como papa, a um termo que nos poderia parecer mais bergogliano: diálogo. Não pode haver diálogo sem existir uma razão comum, certo?
— O conceito de diálogo de Ratzinger é um conceito platónico, de diálogo verdadeiro. Dialogo, não porque a verdade não exista e, portanto, é tagarelice, mas dialogo porque a verdade existe e alcançá-la-emos pela confrontação. Com Bergoglio, pelo contrário, é um diálogo pós-moderno e relativista, dialogamos porque a verdade não existe.

— Também é ratzingeriana a teoria dos princípios não-negociáveis. Precisamente o que, segundo ele, é mais importante para uma democracia, para um projecto político democrático sob um ponto de vista cristão, é ter princípios não-negociáveis que caracterizem a proposta do cristão no espaço público.
— Diz-se frequentemente que o relativismo é a base da democracia, mas é falso. A base da democracia é a verdade. Ratzinger defendeu não só a fé, como também a razão. É errónea a confrontação que se faz, hoje em dia, entre razão e fé. Hoje, a razão e a fé devem estar juntas contra a civilização niilista das finanças e dos mercados.
Ratzinger sempre defendeu a aliança da razão e da fé. No seu discurso de Ratisbona, em 2006, disse uma coisa importantíssima: uma fé que se oponha à razão, não é fé. Mas disse também que uma razão que não aceita a fé converte-se em totalitarismo, e o totalitarismo actual é o da tecnociência e das finanças.»

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Extractos de la entrevista de Miguel Ángel Quintana Paz a Diego Fusaro, sobre la publicación de su libro "El fin del cristianismo".

«—Tu último libro lleva por título El fin del cristianismo. La muerte de Dios en tiempos del mercado global y del papa Francisco. ¿Cómo conectas todos estos puntos?
—La idea que desarrollo en el libro es básicamente que estamos viviendo el final del cristianismo. Lo llamo la evaporación del cristianismo. La civilización del consumo, de las técnicas, de las finanzas, ha creado una verdadera enemistad con respecto a lo cristiano y la religión de la trascendencia, que en Europa, por supuesto, es el cristianismo. Y llego a la conclusión de que hoy este se está evaporando y que la Iglesia de Bergoglio representa en sustancia el momento culminante de esta evaporación. Mientras la Iglesia de Ratzinger había intentado resistir, oponerse, defender las razones de la trascendencia y, por lo tanto, había entrado en conflicto con la civilización de los mercados, la Iglesia de Bergoglio es cristianismo evaporado, es el pensamiento único de la globalización expresado en teología.

—¿En qué puntos detectas esta confrontación entre Ratzinger y Bergoglio?
—Sería suficiente comparar los discursos, las homilías, las encíclicas de los dos papas. En Ratzinger encontramos continuamente reafirmada la trascendencia, lo eterno, la apertura del espíritu hacia dimensiones más altas. En Bergoglio encontramos un cierre integral a la trascendencia. En los discursos de Bergoglio nunca se habla de Dios, del alma, de lo sagrado.

—Pero la palabra «Dios» sí aparece, y a menudo.
—Sí, aparece, pero es lo que yo en el libro, con una fórmula que tomo libremente de Zygmunt Bauman, llamo el ateísmo líquido. La Iglesia de Bergoglio es la del ateísmo líquido. ¿En qué consiste este ateísmo? No se trata ya del ateísmo de quien dice «Dios no existe y os muestro por qué». El ateísmo líquido es indiferente al problema de Dios. Hoy en día la mayoría de los europeos no son ateos, son ateos líquidos en esta acepción.

—Y Ratzinger precisamente ha hecho todo lo contrario, ¿no?
—Ciertamente Ratzinger, que es presentado por lo general como una figura reaccionaria y, de alguna manera, amiga del poder, en realidad, precisamente porque defendía la tradición, lo sagrado y la trascendencia, entraba en conflicto con un poder liberal progresista que ya no quiere la trascendencia, la tradición y las identidades. Ratzinger lo ha teorizado porque ha expresado en varios pasajes de sus obras, incluso antes de ser papa en 2005, que el cristiano hoy se encuentra en la oposición al mundo y al poder. Así que en Ratzinger encontramos la idea de una Iglesia que quiere agradar a Dios y no al mundo, que quiere agradar a la verdad y no a la dictadura del relativismo.

—Ratzinger es también defensor no solo de la trascendencia, sino de la razón. La razón que viene de nuestra herencia, en este caso más griega que la específicamente hierosolimitana. Y, por tanto, en este sentido también muy abierto como filósofo y como papa a un término que nos podría parecer más bergogliano: diálogo. No puede haber diálogo si no hay una razón común, ¿no?
—El concepto de diálogo de Ratzinger es un concepto platónico, de diálogo verdadero. Dialogo, no porque no haya verdad y por lo tanto nos echemos una charleta, sino que dialogo porque hay verdad y la alcanzamos mediante la confrontación. El de Bergoglio, en cambio, es un diálogo postmoderno y relativista, dialogamos porque no hay verdad.

—También es una teoría ratzingeriana la de los principios no negociables. Precisamente lo que, según él, es importante para una democracia, para un proyecto político democrático desde un punto de vista cristiano, es tener principios no negociables que caractericen tu propuesta como cristiano en el espacio público.
—A menudo se dice que el relativismo es la base de la democracia, pero es falso. La verdad es la base de la democracia. Ratzinger defendió no sólo la fe, sino que defendió la razón. Es errónea la confrontación que hoy se hace entre razón y fe. Hoy la razón y la fe deben estar juntas contra la civilización nihilista de las finanzas y de los mercados.
Ratzinger siempre ha defendido la alianza de razón y fe. En su discurso de Ratisbona de 2006 dijo una cosa importantísima: una fe que se oponga a la razón, no es fe. Pero también dijo que una razón que no acepta la fe se convierte en totalitarismo, y el totalitarismo actual es el de la tecnociencia y de las finanzas.»

28/12/2023

O satanismo da civilização ocidental (e 2) | El satanismo de la civilización occidental (y 2)


«Quem é Satanás, Lúcifer o Estrangeiro? É um anjo, ou seja, a mente eterna celestial. É a primeira e suprema criação de Deus, que se revoltou contra Deus. Esta é a origem de toda a rejeição a Deus, do materialismo, do ateísmo, de toda a noção que, sem Deus, é possível construir um mundo melhor. Vemos esse princípio no humanismo, no desenvolvimento da ciência moderna e na doutrina social do progresso. Satanás não é apenas destruição e entropia, mas uma vontade consciente de destruir. É a rebelião, a destruição da unidade em nome do triunfo da multiplicidade. Não é apenas um debilitamento da ordem divina, mas a vontade de a quebrar. Quando o corpo se debilita, é uma coisa; mas, quando existe uma força, como o cancro ou outra doença, que leva o corpo à decadência, é outra coisa muito diferente. Satanás é a mente, a vontade de decompor-se; não apenas a decomposição em si, que é já uma consequência. Em certo sentido é uma crença, uma religião, uma anti-igreja. É a "igreja negra" que se encarna na cultura ocidental moderna, na ciência, na educação, na política. Vemos aqui não apenas a decadência, a falta de vontade para construir a ordem, a hierarquia, para elevar os princípios da ciência, da mente, do pensamento, da cultura à mais alta unidade, como na civilização tradicional, ao princípio hierárquico — porque a hierarquia terrena imita a ordem angélica. Além desta rejeição em fazer o bem, existe também a vontade de fazer algo directamente oposto, de fazer o mal. Quando observamos os ucranianos, Biden, Soros, Macron, vemos uma vontade activa e agressiva de destruir. O satanismo pressupõe necessariamente uma estratégia consciente e um impulso voluntário que gera um movimento enérgico das massas humanas. As massas podem destruir a cultura tradicional pela sua estupidez, passividade, inércia — esta é a propriedade da massa como tal, mas alguém impele esta massa numa direcção destrutiva, alguém a dirige, alguém a orienta. É aqui onde aparece o princípio do sujeito oposto a Deus (assim como ao homem no seu significado mais elevado). Está em todas as religiões: trata-se desta vontade consciente, do sujeito, de construir uma civilização anti-Deus, invertida. Não só para destruir o existente, mas também para criar algo repugnante, pervertido, tal como as mulheres barbudas LGBT do Ocidente.» 

* * * * *
«¿Quién es Satanás, Lucifer el Extranjero? Es un ángel, es decir, la mente eterna celestial. Es la primera y suprema creación de Dios que se rebeló contra Dios. Este es el origen de todo el rechazo a Dios, del materialismo, del ateísmo, de toda noción de que la gente sin Dios puede construir un mundo mejor. Vemos este principio en el humanismo, en el desarrollo de la ciencia moderna y en la doctrina social del progreso. Satán no es sólo destrucción o entropía, sino una voluntad consciente de destruir. Es la rebelión, la destrucción de la unidad en nombre del triunfo de la multiplicidad. No es sólo un debilitamiento del orden divino, sino la voluntad de romperlo. Cuando el cuerpo se debilita es una cosa, pero cuando hay una fuerza, como el cáncer u otra enfermedad natural, que mueve al cuerpo a la decadencia, es otra muy distinta. Satán es la mente, la voluntad de descomponerse, no sólo la descomposición en sí, que ya es una consecuencia. En cierto sentido es una creencia, una religión, una anti-iglesia. Es la "iglesia negra" que se encarna en la cultura occidental moderna, la ciencia, la educación, la política. Vemos aquí no sólo decadencia, falta de voluntad para construir el orden, la jerarquía, para elevar los principios de la ciencia, la mente, el pensamiento, la cultura a la más alta unidad, como en la civilización tradicional, al principio jerárquico — porque la jerarquía terrenal imita el rango angélico. Además de este rechazo a hacer el bien, existe también la voluntad de hacer algo directamente opuesto, de hacer el mal. Cuando miramos a los ucranianos, a Biden, a Soros, a Macron, vemos una voluntad activa y agresiva de destruir. El satanismo presupone necesariamente una estrategia consciente y un impulso voluntario que genera un movimiento enérgico de las masas humanas. Las masas pueden destruir la cultura tradicional por su estupidez, pasividad, inercia —esta es la propiedad de la masa como tal, pero alguien impulsa a esta masa en una dirección destructiva, alguien la dirige, la orienta. Aquí es donde aparece el principio del sujeto opuesto a Dios (así como al hombre en su significado más elevado). Está en todas las religiones: se trata de esta voluntad consciente del sujeto de construir una civilización anti-Dios, invertida. No sólo para destruir lo existente, sino para crear algo repugnante, pervertido, como las mujeres LGBT barbudas de Occidente.»[artigo completo]

26/12/2023

O satanismo da civilização ocidental (1) | El satanismo de la civilización occidental (1)


«O satanismo é a sobreposição da matéria ao espírito, o relativismo pós-moderno, ou seja, a relativização de todos os valores, incluindo os valores do ser humano e do espírito. E este é o caminho que o Ocidente tomou, não ontem, mas há cerca de 500 anos, com o início da Nova Era. 

Quem é Satanás? Satanás não existe quando não existe Deus, nem fé, nem religião. Este termo tende ao vazio, se para nós os termos "Deus", "fé", "eternidade", "imortalidade", "ressurreição dos mortos", "juízo final", "salvação da alma"... são igualmente vazios. Se seguimos a ideia científica ocidental e moderna do mundo, então, por certo, é ridículo falar de satanismo, porque nela não existe Deus, nem diabo, nem fé, nem alma imortal, nem vida após a morte; há apenas um rodopio de unidades biológicas, átomos que se unem, se separam e logo desaparecem no abismo negro do espaço morto. Há aproximadamente 500 anos que se estabeleceu no Ocidente uma ideia semelhante do mundo, que se costuma designar por "conceito científico do mundo". Foi acompanhada por uma gradual e completa descristianização da cultura ocidental. Assim, Satanás como fenómeno, desapareceu do "conceito científico do mundo", tal como Deus. Quando afirmámos seriamente que a civilização ocidental é satânica, chamámos a atenção para o facto de que se tratava de uma conclusão precipitada, incorrecta, prematura e, de facto, profundamente errónea. Erróneo foi o afastamento da Tradição, do espírito, de Deus, da religião — e assim começou a Idade Moderna europeia ocidental. Percebemo-lo acriticamente já desde o início do séc. XVIII, quando nos deixámos levar pelo iluminismo europeu. Mas, até 1917, de algum modo mantivemos ainda o carácter religioso da nossa sociedade. Depois precipitámo-nos no abismo materialista e, após o colapso da URSS, descemos ainda mais profundamente neste abismo — num materialismo liberal capitalista desenfreado e ainda mais descarado. E, por fim, encontrámo-nos na periferia da civilização satânica ocidental, como sua província. [...]

Se existe Deus, se existe a fé e a Igreja, a Tradição e os valores tradicionais, significa então que existe também a antítese de Deus, existe o que se revoltou contra Deus. E, assim, a história do Ocidente, a história do chamado progresso, a época da modernidade dos últimos 500 anos, abre-se sob uma luz completamente nova. Sucede que o Ocidente rejeitou Deus, disse: não existe Deus nem diabo; e o diabo, ao fim de algum tempo, objectou: não existe Deus, senão eu, porque sou o que vos disse que não há Deus.»

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«El satanismo es la anteposición de la materia al espíritu, el relativismo posmoderno, es decir, la relatividad de todos los valores, incluidos los valores del ser humano y del espíritu. Y éste es el camino que tomó Occidente no ayer, sino hace unos 500 años, con el inicio de la Nueva Era.

¿Quién es Satán? No hay Satán cuando no hay Dios, ni fe, ni religión. Este término pende en el vacío, si para nosotros los términos "Dios", "fe", "eternidad", "inmortalidad", "Resurrección de los muertos", "Juicio final", "salvación del alma"... son igual de vacíos. Si seguimos la imagen científica occidental moderna del mundo, entonces, por supuesto, es ridículo hablar de satanismo, porque en él no hay Dios, ni diablo, ni fe, ni alma inmortal, ni vida postmortal, sino que sólo hay un revoloteo de unidades biológicas, átomos, que se pegan, se separan y luego desaparecen en el abismo del negro espacio muerto. Hace aproximadamente 500 años se estableció en Occidente una imagen del mundo semejante, que suele denominarse "imagen científica del mundo". Fue acompañada de una gradual descristianización completa de la cultura occidental. Así, Satanás como fenómeno desapareció de la "imagen científica del mundo" junto con Dios. Cuando decimos seriamente que la civilización occidental es satánica, llamamos la atención sobre el hecho de que se trataba de una conclusión precipitada, incorrecta, prematura y, de hecho, profundamente errónea. Lo erróneo fue el alejamiento de la Tradición, del espíritu, de Dios, de la religión, que es donde comenzó la Edad Moderna europea occidental. Lo percibimos acríticamente ya desde el siglo XVIII, cuando nos dejamos llevar por la Ilustración europea. Pero hasta 1917 aún mantuvimos de algún modo el carácter religioso de nuestra sociedad. Después nos precipitamos en el abismo materialista, y tras el colapso de la URSS descendimos aún más profundamente en este abismo - en un materialismo liberal capitalista desenfrenado aún más descarado. Y al final nos encontramos en la periferia de la civilización satánica occidental, como su provincia. [...]

Si existe Dios, si existe la fe y la Iglesia, la Tradición y los valores tradicionales, entonces significa que también existe la antítesis de Dios, existe el que se ha rebelado contra Dios. Y entonces la historia de Occidente, la historia del llamado progreso, la época de la modernidad de los últimos 500 años se abre bajo una luz completamente nueva. Resulta que Occidente rechazó a Dios, dijo: no hay ni Dios ni diablo, y el diablo, como al cabo de un tiempo, objetó: no hay Dios, sino que soy yo, porque soy el que os ha dicho que no hay Dios.»

15/09/2023

A progressão do vício | La progresión del vicio


«Contrariamente às virtudes, os vícios mudam; as virtudes são imutáveis e os vícios progridem sempre. Para uma pessoa progressista, em algum momento a libertinagem do "antigo regime" deixa de excitar, de afectar. Quando uma pessoa se detém num determinado nível de vício, e ali se congela, já não parece um vício. O vício é uma decomposição progressiva, e a decomposição não tem limites; não é possível decompor-se até certo ponto e ficar por aí. Um homem necessita de algo que se apodere dele e o arraste cada vez mais abaixo, a decomposição deve ir cada vez mais longe. A própria história da depravação ocidental é uma história de progresso. Em cada etapa descobrem-se novos vícios, a própria perversão se converte na norma. Por exemplo, hoje em dia a homossexualidade no Ocidente está realmente reconhecida como norma, já não é um vício, e assim é necessário ir mais além, à pedofilia, ao incesto, ao canibalismo, à mudança de sexo... Tudo isto vem apoiado pela legislação. A legislação ocidental apressa-se a reconhecer a decomposição, a legalizar o que ontem estava proibido e era imoral... Michel Foucault escreveu sobre o tema: a decomposição é a superação da lei, a transgressão. E agora não há lei, não há virtude, não há limites no Ocidente e, em consequência, não há vício depois da legalização. Se tratamos o vício como uma convenção social, então não há vício em absoluto. Só há "ampliação da experiência", "libertação de preconceitos", como a vergonha, a consciência, a moralidade, a virtude, a inocência, a moderação. Quando já não se considera algo como um vício ou um delito, deixa de ser interessante, atractivo, pelo que é preciso ir adiante: mudar de sexo vinte vezes, fundir-se com animais, ladrar, andar a quatro patas, exigir que as crianças que se julgam gatos sejam alimentadas num comedor pelos professores da escola. A decomposição não tem limites, e quando se legaliza deixa de ser atractiva, são precisas novas formas. O Marquês de Sade, um dos arautos da "civilização satânica" ocidental, dizia que o mais importante no vício é a inovação.»

* * * * *

«A diferencia de las virtudes, los vicios cambian, las virtudes son inmutables y los vicios siempre progresan. Para una persona progresista, el libertinaje del "antiguo régimen" en algún momento deja de excitar, de afectar. Cuando una persona se detiene en algún nivel de vicio, se congela allí, ya no parece un vicio. El vicio es una descomposición progresiva, y la descomposición no tiene límites, no puedes descomponerte hasta cierto punto y descansar ahí. Un hombre necesita que algo se apodere de él y lo arrastre cada vez más abajo, la descomposición debe ir cada vez más lejos. La propia historia de la depravación occidental es una historia de progreso. En cada etapa se descubren nuevos vicios, la propia perversión se convierte en la norma. Por ejemplo, hoy en día la homosexualidad en Occidente está realmente reconocida como la norma, ya no es un vicio, así que debemos ir más allá, hacia la pedofilia, el incesto, el canibalismo, la reasignación de sexo... Todo esto viene impulsado por la legislación. La legislación occidental se apresura a reconocer la descomposición, a legalizar lo que ayer mismo estaba prohibido y era inmoral... Michel Foucault escribió sobre ello: la descomposición es la superación de la ley, la transgresión. Y ahora no hay ley, no hay virtud, no hay límites en Occidente y, en consecuencia, no hay vicio tras su legalización. Si tratamos el vicio como una convención social, entonces no hay vicio en absoluto. Sólo hay "ampliación de la experiencia", "liberación de prejuicios", como la vergüenza, la conciencia, la moralidad, la virtud, la inocencia, la moderación. Cuando algo ya no se considera un vicio o un delito, deja de ser interesante, atractivo, por lo que hay que seguir adelante: cambiar de sexo veinte veces, fusionarse con animales, ladrar, andar a cuatro patas, exigir que los niños que se creen gatos sean alimentados en bandeja por los profesores en la escuela. La descomposición no tiene límites, en cuanto se legaliza deja de ser atractiva, se necesitan nuevas formas. El Marqués de Sade, uno de los heraldos de la "civilización satánica" occidental, decía que lo más importante en el vicio es la innovación.»

10/07/2023

O modelo social em vigor | El modelo social actual



«Tal como outros exportam melões, os Estados Unidos da América exportam democracia. E para isso têm que dar lições ao resto do mundo, e convencer os reticentes das benesses que teriam ao importar o modelo americano. A cruzada internacional pro-gay faz parte de um package global onde o que se vende é um modelo social: o modelo de um país onde metade da população nunca vota, onde dois partidos repartem o poder há séculos, onde os grandes grupos económicos decidem quem se apresenta às eleições, onde os mesmos grupos decidem que programa se aplica, onde ninguém elege aos que verdadeiramente tomam decisões, onde cerca de cinquenta milhões de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza, onde existe a pena de morte e onde qualquer maluco ao virar da esquina pode enfiar-nos um balázio. Mas os gays, sim, são devidamente festejados [...]

Não há aqui um preto-e-branco absoluto, antes uma gama intermédia de tonalidades. O movimento gay pode ter alguma razão, ao reclamar para umas minorias historicamente marginalizadas, uma parte do respeito que lhes é devido. Mas a sobre-representação que alcançaram no Ocidente é paradigmático do tipo de civilização da qual são ícones: a civilização mais materialista da História. Uma civilização americanomorfa que se pretende portadora de uma verdade universal obrigatória. E o que está em jogo é, ou a extensão universal dessa civilização, ou então a manutenção de uma pluralidade de civilizações, algumas delas ainda tradicionais, que mantêm escalas de valores diferentes. Também no que respeita ao sexo.

Dizia Nietzsche que aquele que não conhece na terra nada melhor do que a satisfação do seu instinto, tem a alma cheia de lodo. Em nenhuma civilização o sexo teve uma presença menor do que a sua importância exige. Mas, no seu imaginário colectivo, praticamente nenhuma civilização o situou no topo. No topo, sempre se colocaram outras coisas. Ao colocar o sexo no mais alto pedestal das ânsias humanas, o movimento gay é sintomático de que tipo de civilização é a nossa.»

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«Así como otros exportan melones, los Estados Unidos de América exportan democracia. Y para eso tienen que dar lecciones al resto del mundo, y convencer a los reticentes de lo bien que les iría al importar el modelo americano. La cruzada internacional pro-gay forma parte de un package global en el que lo que se vende es un modelo social: el modelo de un país donde la mitad de la población nunca vota, donde dos partidos se reparten el poder desde hace siglos, donde los grandes grupos económicos deciden quién se presenta a las elecciones, donde los mismos grupos deciden qué programa se aplica, donde nadie elige a los que de verdad deciden, donde cerca de cincuenta millones de personas viven por debajo del umbral de la pobreza, donde existe la pena de muerte y donde cualquier tronado a la vuelta de la esquina puede a usted descerrajarle a usted un tiro. Pero eso sí, los gays son debidamente festejados. [...]

No hay aquí blancos y negros absolutos, sino una gama intermedia de tonalidades. El movimiento gay puede tener una parte de razón al reclamar para unas minorías históricamente marginadas la parte de respeto que les es debido. Pero la sobrerrepresentación que en Occidente han alcanzado es paradigmática del tipo de civilización de la que son iconos: la civilización más materialista de la Historia. Una civilización americanomorfa que se pretende portadora de una verdad universal obligatoria. Y lo que está en juego es, o bien la extensión universal de esa civilización, o bien el mantenimiento de una pluralidad de civilizaciones, algunas de ellas todavía tradicionales, que mantienen escalas de valores diferentes. También en lo que atañe al sexo.

Decía Nietzsche que aquél que no conoce nada mejor en la tierra que la satisfacción de su instinto, tiene el alma llena de fango. En ninguna civilización el sexo ha tenido una presencia menor que la que su importancia exige. Pero en su imaginario colectivo, prácticamente ninguna civilización lo ha situado en lo más alto. En lo más alto siempre se han situado otras cosas. Al colocar al sexo en el más alto pedestal de los afanes humanos, el movimiento gay es sintomático del tipo de civilización que es la nuestra.»

26/05/2023

O embuste eleitoral | El engaño electoral


«O monumental escândalo da compra de votos [...] põe-nos, de modo brutal, perante uma realidade incómoda e inquietante. É o tipo de coisas que acaba por invalidar a legitimidade das democracias liberais, nas quais não acreditam sequer os que vivem delas.

Afirmam por um lado a sacralidade da soberania popular e da vontade do povo, a seguir compram miseravelmente os votos para distorcer os resultados eleitorais. A vontade do povo não passa da manipulação das massas pelo poder. Assim, sustentando-se na transferência de vontades por troca de interesses espúrios, conseguem os seus objectivos. Não dizem eles que o povo é sábio e que nunca se engana? E, no entanto, dedicam-se a manipulá-lo, porque não confiam em votantes que escolhem os seus representantes pelas razões mais peregrinas e efémeras. O povo foi convertido no esgoto de todos os detritos morais que o poder destila através dos seus terminais mediáticos. Por isso, são políticos imundos os que actuam num sistema imundo.

Já Ortega y Gasset tinha profetizado, em 1927, que "este homem-massa é o homem previamente esvaziado da sua própria história, sem entranhas de passado e, por esse facto, dócil para com todas as disciplinas chamadas «internacionais». Mais que um homem, é apenas uma carapaça de homem constituída por meros idola fori [NT: ídolos do mercado, conceito que remete para as falácias originadas pela manipulação da linguagem]: carece de um «dentro», de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um «eu» que não se possa revogar. Por isto mesmo, está sempre disponível para fingir ser qualquer coisa. Só tem apetites, acredita que só tem direitos e não acredita ter obrigações: é o homem sem a nobreza que obriga -- sine nobilitate --, snob.” Os amos da gentalha que nos governa tomaram boa nota de tudo isto, e alcançaram objectivos muito além das suas expectativas. [...]

Assim, os programas eleitorais, e os correspondentes debates entre os candidatos, parecem todos iguais, porque o que verdadeiramente nos interessa já foi decidido: as crianças que abortarão, os doentes que eutanasiarão, os adolescentes que castrarão, os jovens que perverterão e os impostos com que nos empobrecerão. E decidiram-no sem nos perguntar, uma vez que nos desprezam.»

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«El monumental escándalo de la compra de votos [...] nos pone con brutalidad ante una realidad incómoda e inquietante. Este tipo de cosas acaba invalidando la legitimidad de las democracias liberales, en las que ni siquiera creen los que viven de ellas.

Afirman por un lado la sacralidad de la soberanía popular y de la voluntad del pueblo, y luego compran miserablemente los votos para torcer los resultados electorales. La voluntad del pueblo no es más que la manipulación de las masas por el poder. Así, a base de enajenar voluntades a cambio de espurios intereses consiguen sus objetivos. ¿No dicen ellos que el pueblo es sabio y nunca se equivoca? Y, sin embargo, se dedican a manosearlo, porque no se fían de unos votantes que eligen a sus representantes por las razones más peregrinas y pasajeras. El pueblo ha sido convertido en el sumidero de todos los detritus morales que destila el poder a través de sus terminales mediáticas. Por ello, son políticos basurizados que actúan en un sistema basura.

Ya profetizó Ortega y Gasset en 1927 que “este hombre-masa es el hombre previamente vaciado de su propia historia, sin entrañas de pasado y, por lo mismo, dócil a todas las disciplinas llamadas «internacionales». Más que un hombre, es sólo un caparazón de hombre constituido por meros idola fori; carece de un «dentro», de una intimidad suya, inexorable e inalienable, de un yo que no se pueda revocar. De aquí que esté siempre en disponibilidad para fingir ser cualquier cosa. Tiene sólo apetitos, cree que tiene sólo derechos y no cree que tiene obligaciones: es el hombre sin la nobleza que obliga --sine nobilitate--, snob.” Los amos de la gentuza que nos gobierna tomaron buena nota de todo ello y lo han conseguido más allá de sus expectativas. [...]

Así pues, los programas electorales y los debates correspondientes entre los candidatos parecen todos iguales, porque lo que verdaderamente nos interesa ya lo han decidido: los niños que abortarán, los enfermos que eutanasiarán, los adolescentes que castrarán, los jóvenes que pervertirán y los impuestos con los que nos esquilmarán. Y lo han decidido sin preguntarnos, ya que nos desprecian.» (Alerta Digital)

25/04/2023

A Revolução dos Cravos | La Revolución de los Claveles



«Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suíça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.
Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República.»

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«En unas décadas estaremos reducidos a la indigencia, es decir, a la caridad de otras naciones, por lo que es ridículo seguir hablando de independencia nacional. Para una nación que iba camino de convertirse en una Suiza, el golpe de Estado fue el principio del fin. Lo que queda es el sol, el turismo y el servilismo en bandeja, la pobreza crónica y la emigración masiva.
Veremos analfabetos elevados al poder, niños mimados, sinvergüenzas de todo tipo que conocemos desde hace mucho tiempo. La mayoría no eran aptos para ser sirvientes de cuarto y llegaron a ser alcaldes, diputados, administradores, ministros y hasta presidentes de la República.»

27/02/2023

A melhor notícia do século XXI, até agora | La mejor noticia del siglo XXI, hasta ahora



Finalmente! Alguém começa a entender que a linha de separação, hoje em dia, não passa pela ultrapassada dicotomia direita/esquerda, mas sim pelo globalismo/soberania.
Este é o maior pesadelo da plutocracia global.

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¡Por fin! Alguien empieza a entender que la línea divisoria, hoy en día, no pasa por la anticuada dicotomía derecha-izquierda, sino por el globalismo-soberanía.
Esta es la mayor pesadilla de la plutocracia global.

26/02/2023

Democracia e clientelismo | Democracia y clientelismo



«Um povo atomizado e em situação económica precária apenas consegue adoptar, no melhor dos casos, ineficazes medidas defensivas porque reconhece a sua incapacidade para controlar ou destituir os seus governantes. [...] Alguns acreditarão ainda que o Estado pode regenerar-se através de eleições democráticas.
Na minha opinião, a possibilidade de mudar as políticas, por destituição do Governo, é nula porque o regime tem uma enorme capacidade para "fixar votos" pelo antiquíssimo procedimento de os comprar ("clientelismo").

Deste modo, os sistemas políticos com competição eleitoral tendem a reproduzir o estado das coisas, pois os partidos sabem que não há voto mais seguro e fiel que o associado a um benefício económico concreto para o eleitor. E nessa tarefa de captar lealdades se ocupa a oligarquia política durante os seus mandatos. O povo subordinado ao Estado Total (total porque domina todo o espaço social) sabe que, quando protesta, se arrisca a perder o seu pequeno bem-estar, sem qualquer ganho no exercício da sua teórica soberania. Por isso, pedir subversão ao cidadão que vive de pensões, subsídios e outras dependências, é o mesmo que pedir a lua, pois o clientelismo galopante reduz à mínima expressão a possibilidade de dizer "não" ao amo e senhor.

Se a democracia pretendia ser o instrumento do poder popular, a corrupção transformou-a numa feira, onde toda a ambição se reduz à mesquinha procura de prebendas a troco da fidelidade nas urnas.»

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«Un pueblo atomizado y en situación económica precaria sólo es capaz de adoptar, en el mejor de los casos, ineficaces medidas defensivas porque conoce su incapacidad para controlar o destituir a sus gobernantes. [...] Algunos aún creerán que el Estado puede regenerarse vía elecciones democráticas.
Mi opinión es que la posibilidad de que cambien las políticas destituyendo al Gobierno es nula porque el régimen tiene una enorme capacidad para “fijar votos” por el antiquísimo procedimiento de comprarlos (“clientelismo”).

Así, los sistemas políticos con competencia electoral tienden a reproducir el estado de cosas, pues los partidos saben que no hay voto más seguro y fiel que el asociado a un beneficio económico concreto para el elector. Y en esa tarea de captar lealtades se afana la oligarquía política durante sus mandatos. El pueblo subordinado al Estado Total (total en cuanto domina todo el espacio social) sabe que si protesta está tan cerca de perder su pequeño bienestar como lejos de poder ejercer su teórica soberanía. Por tanto, demandar subversión al ciudadano pensionado, subvencionado, paniaguado es pedirle peras al olmo, pues el clientelismo rampante reduce a la mínima expresión las posibilidades de decirle no al amo.

Si la democracia pretendía ser el instrumento del poder popular, la corrupción lo ha transformado en un zoco donde toda ambición se reduce a la mezquina búsqueda de prebendas a cambio de fidelidad en las urnas.

13/02/2023

A outra frente da guerra: os livros | El otro frente de la guerra: los libros



"Ucrânia é uma verdadeira inspiração para a Europa." - Ursula von der Leyen

«Ao anunciar uma reunião com os órgãos competentes, Yevheniya Kravchuk, a presidente do Subcomité de Política de Informação e Integração Europeia da Rada [Conselho Supremo da Ucrânia], disse que 19 milhões de livros já tinham sido retirados das bibliotecas ucranianas até Novembro passado. Destes, 11 milhões foram triturados, por terem sido escritos por autores russos.
Este programa, que começou em Junho de 2022, tem como objectivo destruir 100 milhões de livros relacionados com a cultura russa. Ou seja, isto ainda vai no início.
É o maior plano de censura implementado desde a Segunda Guerra Mundial.»

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"Ucrania es una verdadera inspiración para Europa." - Ursula von der Leyen

«Al anunciar una reunión con los órganos pertinentes, Yevheniya Kravchuk, presidenta del Subcomité de Política de Información e Integración Europea de la Rada Suprema de Ucrania, dijo que 19 millones de libros ya habían sido retirados de las bibliotecas ucranianas en noviembre pasado. De estos, 11 millones fueron triturados porque fueron firmados por autores rusos en general.
Este programa, que comenzó en junio de 2022, tiene como objetivo destruir 100 millones de libros relacionados con la cultura rusa. Así que esto es solo el comienzo.
Es el mayor plan de censura desde la Segunda Guerra Mundial.» (AlertaDigital)

29/01/2023

Queridos jihadistas | Queridos yihadistas



«Queridos jihadistas:
Cavalgando os vossos elefantes de ferro e fogo, entrastes com fúria na nossa loja de porcelanas. Mas é uma loja de porcelanas cujos proprietários, desde há muito tempo, se propuseram fazer em cacos tudo o que ali estava atesourado. Mais ainda, sobrevivem só com esse fim. Vós os perturbastes. Sois os primeiros demolidores a atacar os destruidores; os primeiros bárbaros a juntar-se aos vândalos; os primeiros incendiários a competir com os pirómanos. Esta situação é original. Mas, ao contrário das nossas, as vossas demolições efectuam-se na total ilegalidade e por isso têm uma rejeição quase unânime. Nós preparámos as nossas tortuosas inovações entre o entusiasmo geral e a felicidade mais transbordante.

Nada nos impedirá de continuar a acusar-vos de pertencer ao campo dos nostálgicos de uma ordem orgânica e comunitária onde o indivíduo não é dono de si mesmo, frente à nossa sociedade de indivíduos autónomos, responsáveis e solidários.
E desde já vos avisamos que venceremos porque somos os mais débeis. Temei a fúria dos cordeiros. Temei a cólera das ovelhas enfurecidas.
Adormeceis nas delícias do martírio, mas é muito mais fácil morrer por um Deus do que sobreviver-lhe. A saída da fé é um caminho duro no qual aprendemos coisas que vós ainda ignorais. Sobre esse caminho incerto, adquirimos uma confiança que vos assombrará. O furor que demonstraremos em resistir-vos deixar-vos-á estupefactos. Temei o ódio do homem de bermudas. Temei a cólera do consumidor, do viajante, do turista, daquele que desce da auto-caravana. Imaginais que os nossos prazeres e os nossos ócios nos tornaram brandos. Pois bem, lutaremos como leões para proteger a nossa indolência.

Lutaremos pelas nossas comunidades comunitaristas, pelas nossas tribos tribais, pelas nossas reivindicações reivindicativas e por todos os nossos estudantes em rebelião que valem muito mais que os vossos estudantes de religião.
Lutaremos por tudo, pelas palavras que já não têm sentido e pela vida que vai com elas. Lutaremos pela ordem mundial caritativa e pelo bom relacionamento. Lutaremos pela vida jovem e pelas artes alternativas.
Lutaremos pelas nossas agências de viagens, pelas nossas companhias aéreas, pelas nossas cadeias hoteleiras, pelos nossos fornecedores de serviços, pelas nossas páginas web e pelos nossos "tudo incluído".
Lutaremos pelo nosso Deus único, que tem a forma de um projector que ilumina um estúdio de televisão.
Lutaremos sem fim, porque o fim já chegou há muito tempo, e nem sequer nos recordamos dele. Lutaremos pelo prazer de até ter esquecido o nosso fim.
Lutaremos pela desaparição da linguagem articulada.
E venceremos. Evidentemente. Porque somos os mais mortos.»

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«Queridos yihadistas:
Cabalgando en vuestros elefantes de hierro y fuego, habéis entrado con furia en nuestra tienda de porcelana. Pero es una tienda de porcelana cuyos propietarios, desde hace mucho tiempo, se propusieron hacer añicos todo lo que había allí atesorado. Es más, sobreviven sólo para eso. Vosotros los habéis perturbado. Sois los primeros demoledores que atacan a los destructores; los primeros bárbaros que la toman con los vándalos; los primeros incendiarios que compiten con los pirómanos. Esta situación es original. Pero, a diferencia de las nuestras, vuestras demoliciones se efectúan en total ilegalidad y así se atraen una repulsa casi unánime. Mientras que nosotros ponemos a punto nuestras tortuosas innovaciones entre el entusiasmo general y la felicidad más pimpante.

Nada nos impedirá continuar acusándoos de pertenecer al campo de los nostálgicos de un orden orgánico y comunitario donde el individuo no se pertenece, frente a nuestra sociedad de individuos autónomos, responsables y solidarios.
Os advertimos de que venceremos porque somos los más débiles. Temed la furia de los corderos. Temed la cólera de las ovejas enfurecidas.
Os adormecéis en las delicias del martirio, pero es mucho más fácil morir por un Dios que sobrevivirle. La salida de la fe es un duro sendero en el cual nosotros hemos aprendido cosas que vosotros todavía ignoráis. Sobre ese camino incierto, hemos adquirido una confianza que os asombrará. El furor que pondremos para resistiros os dejará estupefactos. Temed el odio del hombre en bermudas. Temed la cólera del consumidor, del viajero, del turista, de aquél que desciende de su caravana de camping. Os imagináis que nuestros placeres y nuestros ocios nos han ablandado. ¡Pues bien!, lucharemos como leones para proteger nuestra molicie.

Lucharemos por nuestras comunidades comunitaristas, por nuestras tribus tribales, por nuestras reivindicaciones reivindicativas y por todos nuestros estudiantes en rebelión que valen de lejos vuestros estudiantes en religión.
Lucharemos por todo, por las palabras que ya no tienen sentido y por la vida que va con ellas. Lucharemos por el orden mundial caritativo y por el buen rollito. Lucharemos por la vida joven y por las artes alternativas.
Lucharemos por nuestros tour-operadores, por nuestras compañías aéreas, por nuestras cadenas hoteleras, por nuestros proveedores de servicios, por nuestras páginas web y por nuestros “todo incluido”.
Lucharemos por nuestro Dios único, que tiene la forma de un proyector encendido sobre un plató de televisión.
Lucharemos sin fin, porque el fin llegó hace ya tiempo, y ni siquiera nos acordamos de ello. Lucharemos por el placer de hasta haber olvidado nuestro propio fin.
Lucharemos por la desaparición del lenguaje articulado.
Y venceremos. Evidentemente. Porque somos los más muertos.»