Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

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29/02/2024

Mozart, censurado


«Segundo a página web especializada Forum Opera, o colectivo alemão Critical Classics modificou o libreto da ópera A Flauta Mágica, de Mozart. Qual o objectivo? Expurgar toda a linguagem discriminatória, sexista ou racista e sensibilizar a opinião pública sobre estes temas. A reputada violinista chinesa Zhang Zhang explica-o nesta entrevista.

“Vivemos tempos estranhos. É já verdadeiramente inquietante que se tenha proposto, e aceitado, as modificações para fazer uma nova versão de A Flauta Mágica. Mas, ainda mais grave, é que estas mudanças reflictam um violento antagonismo para com as artes clássicas em geral e a música em particular. Este colectivo logrou a proeza de censurar uma das maiores obras-primas da História.

“Para mais, este colectivo é formado por apenas três músicos, cujas carreiras não podem considerar-se suficientemente consistentes ou prestigiadas para fazer parte do grupo. Também não podem pretender falar em nome de toda a comunidade da música clássica, pois não são representativos da mesma. Os próximos objectivos, se dermos crédito aos seus anúncios, serão A Paixão Segundo São Mateus, de Bach, Madame Butterfly, de Puccini, e Carmen, de Bizet.

“A arte é um reflexo da vida e do mundo. E a nossa sociedade não é a da violência zero, da ofensa zero, da vítima zero… Pelo contrário. A música sempre foi a expressão — ou uma das expressões — da nossa humanidade, das nossas esperanças, dos nossos medos, dos nossos sonhos e das nossas recordações. Negar este testemunho, herdado do passado, seria um perda para nós e para as gerações futuras.”»
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«Según la web especializada Forum Opera, el colectivo alemán Critical Classics ha modificado el libreto de La flauta mágica, de Mozart. ¿Con qué objetivo? Con el de expurgar todo lenguaje discriminatorio, sexista o racista y sensibilizar a la opinión pública sobre estos temas. La reputada violinista china Zhang Zhang lo explica en esta entrevista.

“Vivimos tiempos extraños. Ya es realmente inquietante que se hayan propuesto y aceptado cambios para hacer una nueva versión de La flauta mágica. Pero lo que aún es más grave es que estos cambios reflejan una violenta animadversión hacia las artes clásicas en general y la música en particular. Este colectivo ha logrado la proeza de censurar una de las mayores obras maestras de la historia.

“Además, este colectivo sólo está formado por tres músicos, cuyas carreras no pueden considerarse lo suficientemente consistentes o prestigiosas como para que se les considere miembros del grupo. Tampoco pueden pretender hablar en nombre de toda la comunidad de la música clásica, ya que no son representativos de la misma. Los próximos objetivos, si damos crédito a sus anuncios, serán la Pasión de San Mateo de Bach, Madame Butterfly de Puccini y Carmen de Bizet.

“El arte es un reflejo de la vida y del mundo. Y nuestra sociedad no es la de la violencia cero, la ofensa cero, la víctima cero... Todo lo contrario. La música siempre ha sido la expresión —o una de las expresiones— de nuestra humanidad, de nuestras esperanzas, de nuestros miedos, de nuestros sueños y de nuestros recuerdos. Negar este testimonio, heredado del pasado, sería una pérdida para nosotros y para las generaciones venideras.”»[artigo integral]

24/01/2023

A era da vitimização (e 3) | La era de la victimización (y 3)



«E é então quando, mediante um deslize semântico, se passa à “vítima identitária” (vítimas de guerras ou conflitos passados, vítimas da colonização, vítimas do racismo, vítimas do heteropatriarcado, vítimas do fascismo e do nazismo – mas não do comunismo, curiosamente), e quando uma identidade subjectiva que se sente alterada por um facto contrário à percepção pessoal do seu estatuto, seja por referência a um facto histórico ou contemporâneo, acaba por se unir a todos quantos se “sentem” vítimas pelo mesmo motivo, numa construção quase mitogénica – que praticamente funda uma pseudociência da vitimologia – dos traumatismos (e suas consequências) experimentados por um grupo cuja imagem é transmitida, sem descontinuidade, desde os seus antepassados aos seus descendentes. Entramos assim numa autêntica “concorrência vitimista”, ou seja, na vontade, comum aos presumíveis discriminados, se situar uma determinada causa como uma inegável injustiça que deve ser reparada sem demora, uma incontestável desgraça histórica sem precedentes, um atentado contra os valores e direitos humanos sem paralelo na História, que as sociedades modernas tentam inscrever no vazio dos seus projectos políticos. A funesta consequência, no entanto, é a “banalização das vítimas”, porque, na falta de verdadeiras vítimas da violência ou da injustiça, procuram-se, por todo o lado, pseudovítimas, ainda que estas sejam puramente metafóricas, ou mesmo imaginárias, para submetê-las a um processo de vitimização restauradora. À força de enumerar e assinalar vítimas e pseudovítimas, o próprio termo perde todo o seu sentido original: as vítimas reais são arquivadas sem mais considerações; as presumíveis vítimas, especialmente as identitárias, são elevadas ao nível de “injustiça histórica” e devem ser protegidas com um estatuto especial e satisfeitas em todas as suas reivindicações, mesmo que se trate de “minorias minoritárias” e os seus objectivos não coincidam com o interesse geral nem com o bem comum da sociedade.

As vítimas não só substituíram os heróis, como se está a produzir um inaudito processo de “heroização” das vítimas: hoje, já não são vítimas, são mártires. Por isso se derrubam as estátuas dos heróis e se levantam templos às vítimas.»

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«Y es entonces cuando, mediante un deslizamiento semántico, se pasa a la “víctima identitaria” (víctimas de guerras o conflictos pasados, víctimas de la colonización, víctimas del racismo, víctimas del heteropatriarcado, víctimas del fascismo y del nazismo ‒pero no del comunismo, curiosamente), y cuando una identidad subjetiva que se siente alterada por un hecho contrario a la percepción personal de su estatuto, ya sea por referencia a un hecho histórico o contemporáneo, acaba uniéndose a la de todos los que se “sienten” víctimas por el mismo motivo en una construcción casi mitogénica ‒que prácticamente funda una seudociencia de la victimología‒ de los traumatismos (y sus consecuencias) experimentados por un grupo cuya imagen es transmitida, sin discontinuidad, desde sus antepasados a sus descendientes. Entramos así en una auténtica “competencia victimista”, es decir, en la voluntad, común a los presuntos discriminados, de situar una determinada causa como una innegable injusticia que debe ser reparada sin demora, una desgracia histórica incontestable sin precedentes, un atentado contra los valores y derechos humanos sin parangón en la historia, que las sociedades modernas intentan inscribir en sus vacíos proyectos políticos. La funesta consecuencia, sin embargo, es la “banalización de las víctimas”, porque, a falta de verdaderas víctimas de la violencia o de la injusticia, se buscan, por todas partes, seudovíctimas, aunque estas sean puramente metafóricas, incluso imaginarias, para someterlas a un proceso de victimización restauradora. A fuerza de enumerar y señalar a las víctimas y seudovíctimas, el propio término pierde todo su sentido original: las víctimas reales son archivadas sin más trámite; las presuntas víctimas, especialmente las identitarias, son elevadas al rango de “injusticia histórica” y deben ser protegidas con un estatus especial y satisfechas en todas sus reivindicaciones, aunque se trate de “minorías minoritarias” y sus objetivos no coincidan con los intereses generales y el bien común de la sociedad.

Las víctimas no solo han sustituido a los héroes, sino que se está produciendo un inaudito proceso de “heroización” de las víctimas: hoy, ya no son víctimas, son mártires. Por eso se derriban las estatuas de los héroes y se levantan templos a las víctimas.» (El Manifiesto)

23/01/2023

A era da vitimização (2) | La era de la victimización (2)



«Um exemplo perverso da actual era da vitimização resume-se nas aspirações do neofeminismo e da ideologia de género – esses produtos ideológicos fabricados nos laboratórios estado-unidenses –, pensadas presumivelmente para evitar “todas” as discriminações e que se baseiam, precisamente, na discriminação, mediante a sua demonização, da heterossexualidade e das relações binárias entre os dois sexos, em particular quando estas interacções se produzem entre pessoas “brancas” e, sobretudo, quando uma delas é um homem “branco”. Há que proteger as vítimas potenciais, frequentemente imaginárias, desses homens brancos que, indefectivelmente, possuem uma consciência, ainda que não o saibam, fascista, racista, colonialista e machista.

A vítima converteu-se na principal categoria discriminante no seio das nossas sociedades. É o que se denominou como a “era da vitimização”, que se traduz em termos de reconhecimento, tratamento (reparação e compensação) e exploração simbólica, fazendo da vítima uma categoria única na análise sociológica, que se repercute numa reconfiguração das identidades em torno da decadente moral ocidental. Os principais patrocinadores desta nova “lógica vitimista” são as ONGs humanitárias, os grandes magnatas e as suas doações milionárias (leia-se, por exemplo, Soros), mas também os Estados e as Assembleias parlamentares. Todos partilham do “grande relato vitimista”, gerado na mesma ideologia vitimista na qual se opera, na relação entre o indivíduo e a sociedade, uma isenção do primeiro a respeito de qualquer responsabilidade que, simultaneamente, se desvia para um colectivo sem rosto nem personalidade, produzindo assim um reordenamento das relações de confiança, que são um dos princípios básicos da estrutura social. Um exemplo evidente são as chamadas “leis de memória histórica” [relativas à Guerra Civil espanhola]: os heróis são esquecidos, só interessam as vítimas.

Isto deve-se à mudança do estatuto da vítima nas nossas sociedades. Já não se trata, essencialmente, de uma figura com conotações negativas, própria de uma desgraça ou de um destino implacável e impenetrável, o fatum dos Antigos, que considerava a vítima como alguém predestinado, que se encontrava no lugar e no momento inadequados, que, no pior dos casos, era castigada pelas suas acções ou omissões ou, simplesmente, pela ironia do destino. Agora, pelo contrário, procuram-se as razões, as causas, estabelecem-se responsabilidades “humanitárias” pelas quais devem sempre responder alguns indivíduos, grupos ou comunidades, ou os seus descendentes, em termos de reparação, compensação e restabelecimento de uma situação anterior, ainda que seja apenas mediante uma promessa ou uma esperança simbólica. A vítima converte-se assim numa figura central do direito do Estado e dos Tribunais. É indiferente que se trate de uma vítima de um acidente de trânsito ou de um conflito armado, para não falar das vítimas das “causas sociais” (mulheres, imigrantes, homossexuais, animais...). Hoje, a pertença (adquirida ou optada) a uma minoria equivale à consideração passiva como vítima, que deve ser objecto de protecção e indemnização. Assistimos a um movimento de subjectivação da ideia de vítima, enfatizam-se os sentimentos, as percepções, as consciências, situando-se num segundo plano o facto ou acontecimento que causa o dano ou prejuízo (o que, a ser reconhecido, faria dela uma “vítima objectiva”). Ao contrário, faz-se moda da “vítima subjectiva”, o seu sofrimento, as consequências morais e psíquicas provocadas por um acto de violência ou de discriminação, sem valorizar o grau de intencionalidade ou de criminalidade, ou simplesmente de casualidade ou causalidade.»

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«Un ejemplo perverso de la actual era de la victimización se resume en las aspiraciones del neofeminismo y de la ideología de género ‒esos productos ideológicos fabricados en los laboratorios estadounidenses‒, pensadas presuntamente para evitar “todas” las discriminaciones y que se basan, precisamente, en la discriminación, mediante su demonización, de la heterosexualidad y de las relaciones binarias entre los dos sexos, en particular cuando estas interacciones se producen entre personas “blancas”, y sobre todo cuando una de ellas es un hombre “blanco”. Hay que proteger a las víctimas potenciales, a menudo imaginarias, de esos hombres blancos que, indefectiblemente, poseen una conciencia, aun sin saberlo, fascista, racista, colonialista y machista.

La víctima se ha convertido en la principal categoría discriminante en el seno de nuestras sociedades. Es lo que se ha denominado como la “era de la victimización”, que se traduce en términos de reconocimiento, tratamiento (reparación y compensación) y explotación simbólica, haciendo de la víctima una categoría única en el análisis sociológico que impacta en una reconfiguración de las identidades en torno a la decadente moral occidental. Los principales valedores de esta nueva “lógica victimista” son las ONG humanitarias, los grandes emprendedores y sus millonarias donaciones (léase, por ejemplo, Soros), pero también los Estados y las Asambleas parlamentarias. Todos comparten el “gran relato victimista” que participa de una misma ideología victimista en la que se opera, en la relación entre el individuo y la sociedad, una exención respecto al primero de cualquier responsabilidad que, simultáneamente se desvía hacia un colectivo sin rostro ni personalidad, produciendo así una reordenación de las relaciones de confianza que son uno de los principios básicos de la estructura social. Un ejemplo evidente son las llamadas “leyes de memoria histórica”: los héroes son olvidados, solo interesan las víctimas.

Esto se debe al cambio de estatuto de la víctima en nuestras sociedades. Ya no se trata, esencialmente, de una figura con connotaciones negativas, propia de una desgracia o de un destino implacable e impenetrable, el fatum de los Antiguos, que consideraba a la víctima como alguien que no había tenido ninguna posibilidad, que se encontraba en el lugar y en el momento inadecuados, que, en el peor de los casos, era castigada por sus acciones o por sus omisiones o, simplemente, por la ironía del destino. Ahora, sin embargo, se buscan las razones, las causas, se establecen responsabilidades “humanitarias” de las que siempre deben responder algunos individuos, grupos o comunidades, o sus descendientes, en términos de reparación, compensación y restablecimiento de una situación anterior, aunque solo sea mediante una promesa o esperanza simbólica. La víctima se convierte así en una figura central del derecho del Estado y de los Tribunales. Es indiferente que se trate de la víctima de un accidente de tráfico o de un conflicto armado, por no hablar de las víctimas de las “causas sociales” (mujeres, inmigrantes, homosexuales, animales…). Hoy, la pertenencia (adquirida o elegida) a una minoría equivale a la consideración pasiva como víctima que debe ser objeto de protección e indemnización. Asistimos a un movimiento de subjetivación de la idea de víctima, se enfatizan los sentimientos, las percepciones, las conciencias, situando en un segundo plano el hecho o acontecimiento que causa el daño o el perjuicio (lo que, de reconocerse, haría de ella una “víctima objetiva”). Por contra, se pone de moda la “víctima subjetiva”, su sufrimiento, las consecuencias morales y psíquicas creadas por un acto de violencia o de discriminación, sin valorar el grado de intencionalidad o de criminalidad, o simplemente de casualidad o de causalidad.»

22/01/2023

A era da vitimização (1) | La era de la victimización (1)




«Alain de Benoist previne-nos de algo insólito: o Gulag e os comissários políticos não desapareceram, contra toda a lógica, mas continuam omnipresentes nas nossas sociedades para impor o “pensamento único” e censurar e perseguir o “pensamento crítico dissidente”. O autor descreve-nos todo um sistema neoinquisitorial técnico-político-judicial-mediático direccionado ao estabelecimento de um totalitarismo soft, uma Nova Ordem moral imposta pela Nova Classe mundial, uma perversa combinação do Panóptico de Jeremy Bentham com o “1984” de George Orwell, num mercado global de mensagens presumidamente democráticas e “transparentes”. Por fim, o autor recorda-nos que “não há nada mais transparente do que o vazio” e, portanto, insta-nos a “continuar a ser opacos”.

Queria insistir num aspecto que Alain de Benoist aborda, de modo algo incidental mas muito certeiro, ao longo do seu livro [A Capa de Chumbo: Uma desconstrução das novas censuras], que me parece muito interessante pelo jogo que decorre no grande universo inquisitorial dos meios de comunicação e (des)informação. Trata-se da “grande substituição” do herói pela vítima, nas nossas sociedades ocidentais. Para Alain de Benoist existem duas causas fundamentais que explicam esta substituição: o descrédito dos valores heróicos e o triunfo da ideologia vitimista, lacrimogénea e exibicionista. Os valores heróicos, desde a perspectiva da ideologia dominante – hedonista, individualista e utilitarista –, são percebidos como algo obsoleto e repulsivo, próprio de uma tradição cultural europeia que deve ser aniquilada. Os heróis são demasiado guerreiros para uma época que aspira à paz universal, demasiado viris para uma época que considera tóxica a masculinidade. As vítimas, pelo contrário, longe de fomentar a sensibilidade e a solidariedade, difundem o sentimentalismo lamechas do humanitarismo através do impacto das imagens audiovisuais: a morte de um herói é um facto circunstancial que se celebra nos seus círculos mais íntimos e privados; a morte da vítima – é indiferente que se trate de uma pessoa, um animal ou um vegetal – é um acontecimento mundial que se retransmite por toda a parte. E desta ideologia vitimista deriva, segundo Alain de Benoist, a “luta contra todas as discriminações”, que consiste em confundir a discriminação (que, na origem, não era mais do que a diferenciação ou separação em graus ou níveis de tratamento) com a injustiça. Há discriminações, por exemplo, perfeitamente justas: um cidadão que beneficia de certos direitos e prerrogativas (como contrapartida das suas obrigações ou encargos, como é evidente) que não se concedem aos não-cidadãos; pelo contrário, há injustiças que não implicam nenhuma discriminação por motivo de raça ou sexo, como as desigualdades sociais, que não derivam da necessidade de um tratamento diferenciado, mas da exploração do trabalho pelo sistema capitalista.»

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«Alain de Benoist nos previene de algo insólito: el Gulag y los comisarios políticos, contra toda lógica, no han desaparecido, sino que siguen omnipresentes en nuestras sociedades para imponer el “pensamiento único” y censurar y perseguir el “pensamiento crítico disidente”. El autor nos describe todo un sistema neoinquisitorial técnico-político-judicial-mediático dirigido al establecimiento de un totalitarismo soft, un Nuevo Orden moral impuesto por la Nueva Clase mundial, una perversa combinación del Panóptico de Jeremy Bentham y de 1984 de George Orwell en un mercado global de mensajes presuntamente democráticos y “transparentes”. Al final, el autor nos recuerda que “no hay nada más transparente que el vacío” y, por tanto, nos exhorta a “seguir siendo opacos”.

Quisiera insistir en un aspecto que Alain de Benoist aborda, de manera algo incidental pero muy certeramente, a lo largo de su libro [La Capa de Plomo: Una deconstrucción de las nuevas censuras], pero que me parece muy interesante por el juego que ofrece en el universo inquisitorial de los medios de comunicación y (des)información. Se trata de la “gran sustitución” del héroe por la víctima en nuestras sociedades occidentales. Para Alain de Benoist existen dos causas fundamentales que explican este reemplazo: el descrédito de los valores heroicos y el triunfo de la ideología victimista, lacrimógena y exhibicionista. Los valores heroicos, desde la perspectiva de la ideología dominante ‒hedonista, individualista y utilitarista‒, son percibidos como algo obsoleto y repulsivo y propio de una tradición cultural europea que debe ser aniquilada. Los héroes son demasiado guerreros para una época que aspira a la paz universal, demasiado viriles para una época que considera tóxica la masculinidad. Las víctimas, por el contrario, lejos de fomentar la sensibilidad y la solidaridad, difunden la sensiblería humanitarista a través del impacto de las imágenes audiovisuales: la muerte de un héroe es un hecho circunstancial que se conmemora en sus círculos más íntimos y privados; la muerte de una víctima ‒es indiferente que se trate de una persona, un animal o un vegetal‒ es un acontecimiento mundial que se retransmite por todo el mundo. Y de esta ideología victimista deriva, según Alain de Benoist, la “lucha contra todas las discriminaciones”, que consiste en confundir la discriminación (que, en origen, no era otra cosa que distinción o separación en grados o niveles de tratamiento) con la injusticia. Hay discriminaciones, por ejemplo, perfectamente justas: un ciudadano se beneficia de ciertos derechos y prerrogativas (en contraprestación a sus obligaciones y cargas, por supuesto) que no se conceden a los no-ciudadanos; por el contrario, hay injusticias que no implican ninguna discriminación por razón de raza o sexo, como las desigualdades sociales, que no derivan de la necesidad de un tratamiento diferenciado, sino de la explotación del trabajo por el sistema capitalista.»

23/12/2022

Querem proibir Homero | Quieren prohibir a Homero



«Segundo informou na altura o Washington Post, os energúmenos de um centro “educativo” do Massachusetts proibiram há uns meses o ensino da Odisseia de Homero. Por ser machista, heteropatriarcal, violento, racista... Enfim, o habitual. É curioso que num mundo como o nosso, centrado nas notícias-espectáculo, tal coisa tenha passado despercebida. Curioso? Não é curioso, é normal que num mundo como o nosso semelhante notícia não escandalize ninguém, nem abra noticiários, nem ocupe a primeira página dos jornais.

No entanto, a coisa é arrepiante. Pela primeira vez na história da nossa civilização proibiu-se a Odisseia de Homero, a obra que, juntamente com a Ilíada e os relatos mitológicos de Hesíodo, constituía a “bíblia” sobre a qual se cimentava toda a cultura da Antiguidade, continuando a marcar o saber e o sentir dos homens durante os séculos em que a nossa civilização florescia e os bárbaros não pretendiam destruí-la.
Porque é disto precisamente que se trata: de acabar com as nossas raízes, com a nossa civilização. Com a mais alta, dito seja com todo o respeito pelas outras.

É indiferente que “apenas” num centro escolar do Massachusetts se tenha proibido o ensino da Odisseia (juntamente com o aplauso tributado no Twitter pelos professores censores e pelos seus já descerebrados alunos). É indiferente que “apenas” se tenha cortado a Odisseia e, entretanto, preservado a Ilíada (vá-se lá saber porquê), bem como a infinidade de obras do nosso acervo cultural, a maioria das quais não cumprem os preceitos do politicamente correcto e sobre as quais acabará por cair, mais tarde ou mais cedo, o machado do verdugo. Ou da verduga.»

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«Según informaba en su momento el Washington Post, los energúmenos de un centro “educativo” de Massachusetts prohibieron hace unos meses la enseñanza de la Odisea de Homero. Por machista, heteropatriarcal, violento, racista... Lo de siempre, enfin. Es curioso que en un mundo como el nuestro centrado en las noticias espectaculares, tal cosa haya pasado desapercibida. ¿Es curioso, decía?... No, qué va a ser curioso, es normal que en un mundo como el nuestro semejante noticia no haya escandalizado a nadie, ni abierto los telediarios, ni ocupado las primeras páginas de los periódicos.

La cosa, sin embargo, es estremecedora. Por primera vez en la historia de nuestra civilización se ha prohibido la Odisea de Homero, la obra que, junto a la Iliada y los relatos mitológicos de Hesíodo, constituía la “biblia” sobre la que se cimentaba toda la cultura de la Antigüedad al tiempo que continuó marcando el saber y el sentir de los hombres durante los siglos en que nuestra civilización florecía y los bárbaros no pretendían destruirla.
Porque de esto precisamente se trata: de acabar con nuestras raíces, con nuestra civilización. Con la más alta, dicho sea con todo el respeto por las demás.

Da igual que “sólo” en un centro escolar de Massachusetts se haya prohibido la enseñanza de la Odisea (junto con el aplauso tributado en Twitter por los profesores censores y por sus ya descerebrados alumnos). Da igual que “sólo” se haya puesto en la picota la Odisea y se haya, en cambio, preservado la Iliada (vayan ustedes a saber por qué), así como la multitud de obras de nuestro acervo cultural, la mayoría de las cuales incumplen los preceptos de lo políticamente correcto y sobre las que acabará cayendo, tarde o temprano, el hacha del verdugo. O de la verduga.» (El Manifiesto)

12/12/2022

A cobardia da Igreja actual | La cobardía de la Iglesia hoy



«Efectivamente, nos primeiros séculos, a Igreja teve de empenhar-se a fundo nas tácticas defensivas, ou seja na Apologia. No tempo em que se construía a Igreja para dentro, esta empregou os seus melhores efectivos na defesa do acosso exterior; porque era extremamente difícil que o mundo a deixasse desenvolver-se. Aí estão as catacumbas, e aí estão as perseguições sangrentas. A rejeição da sociedade era enorme – como a que sofre hoje, mas mais visceral. Hoje predomina entre todo o tipo de adversários a táctica da tolerância: eu tolero-te, mas ficas a saber que não só não gosto nada de ti como até te odeio. Neste sistema também sofremos uma guerra mortal, mas sem derramamento de sangue. Uma guerra que está a desgastar a Igreja de uma maneira espantosa; porque a táctica pastoral dominante é a de não opor resistência, antes pelo contrário, mimetizar-se o mais possível com o inimigo. E é evidente que esta táctica não é nada boa. A prova está em que a Igreja, hoje, não pára de retroceder e de encolher – ao passo que as perseguições dos primeiros séculos (e, sobretudo, a valente resposta dos cristãos) fizeram-na crescer e fortalecer-se. Prova evidente de qual é a táctica correcta e qual a incorrecta. [...]

Isto significa que à pastoral de hoje falta o elemento apologético. O católico deve saber defender a sua fé ante os que o atacam e os que o ridicularizam. Não parece ser uma boa táctica continuar com a mesma estratégia e com a mesma pastoral de quando o catolicismo era a religião universal, que ninguém colocava em dúvida, e quando era raro que alguém não fosse à missa de domingo, ou passasse sem a confirmação da religião. Não é acertado actuar como se a nossa moral continuasse a ser a moral universal. Se te arruinaram o campo derramando nele toneladas de sal, não podes continuar a semear como se nada se tivesse passado. Será um milagre se essa sementeira não for totalmente estéril. Por isso há (e não são poucos) os que nem sequer se dão ao trabalho de semear. A solução óbvia não é deixar de semear, como tantos fazem, nem continuar a semear como se fazia antes de envenenar o campo (e são muitos os que continuam com essa táctica), mas voltar a arar o terreno, ainda mais fundo, para torná-lo novamente fértil. [...]

Hoje, um cristão bem preparado, com o catecismo e a teologia agora necessárias, deve ser capaz de defender com coerência e firmeza a sua posição antiabortista, a sua defesa do matrimónio cristão indissolúvel, a sua posição contra a eutanásia, a sua posição contra a sodomia, a sua convicção de que a Igreja é um dos grandes dons que Deus nos deu, não só aos católicos, como a toda a humanidade. Tudo isto acrescentado ao que se ensina na catequese ordinária (na qual se incluem as homilias). Porque se o cristão não é hoje capaz de responder com claridade e firmeza aos ataques que lhe vêm pelos flancos todos os dias, mostrando a credibilidade da sua fé, anda bem perdido: mais lhe vale passar despercebido, não chamar as atenções, calar-se e dissimular. Porque não é caso para dar a cara, para que outros a partam. Essa não é uma forma muito acertada de ser cristão. Não temos de nos envergonhar da cruz, não temos de a esconder.»

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«Efectivamente, en los primeros siglos, la Iglesia tuvo que emplearse a fondo en las tácticas defensivas, es decir en la Apología. Al tiempo que se construía la Iglesia hacia dentro, empleó ésta a sus mejores efectivos en defenderse del acoso exterior: porque era sumamente difícil que el mundo la dejase desarrollarse. Ahí están las catacumbas, y ahí las sangrientas persecuciones. El rechazo de la sociedad era tremendo. Como el que sufre hoy, pero más visceral. Hoy predomina entre los adversarios de todo género la táctica de la tolerancia: te soporto, pero sepas que no sólo no me gustas nada, sino que hasta te odio. En este sistema hemos de sufrir también la guerra a muerte pero incruenta. Una guerra que está desgastando a la Iglesia de una manera tremenda: porque la táctica pastoral dominante es no oponer resistencia, antes al contrario, mimetizarse todo lo posible con el enemigo. Y no, es evidente que esta táctica no es nada buena. La prueba está en que no para de retroceder y de menguar hoy la Iglesia; mientras que las persecuciones de los primeros siglos (y sobre todo la valiente respuesta de los cristianos) la hicieron crecer y robustecerse. Prueba evidente de cuál es la táctica correcta y cuál la incorrecta. […]

Eso significa que a la pastoral de hoy le falta el elemento apologético. El católico ha de saber defender su fe ante los que la atacan y ante los que la ridiculizan. No parece una buena táctica seguir con la misma estrategia y con la misma pastoral de cuando el catolicismo era la religión universal, no puesta en duda por nadie, y cuando lo raro era que alguien no fuese a misa los domingos o pasase de la asignatura de religión. No es un acierto actuar como si nuestra moral siguiese siendo la moral universal. Si te han arruinado el campo derramando en él toneladas de sal, no puedes seguir sembrando como si tal cosa. Milagro será que esa siembra no resulte totalmente estéril. Por eso los hay (y no pocos) que ni siquiera se molestan en sembrar. La solución obvia no es dejar de sembrar, como hacen tantos, ni tampoco seguir sembrando como se venía haciendo antes de envenenar el campo (son muchos los instalados en esa táctica), sino volver a roturar, aún más hondo, para hacerlo fértil de nuevo. […]

Hoy, un cristiano bien preparado, con la clase de catecismo y de teología que hoy se necesita, ha de ser capaz de defender con coherencia y firmeza su posición antiabortista, su defensa del matrimonio cristiano indisoluble, su posición contra la eutanasia, su posición contra la sodomía, su convicción de que la Iglesia es uno de los grandes dones que nos ha dado Dios no sólo a los católicos, sino a toda la humanidad. Todo esto, añadido a lo que se le enseña en la catequesis ordinaria (en la que se incluyen las homilías). Porque si hoy el cristiano no es capaz de responder con claridad y firmeza a los ataques que le vienen por esos flancos todos los días, mostrando la credibilidad de su fe, anda bien perdido: más le vale pasar inadvertido, no hacerse notar, callar y disimular. Porque no es el caso de dar la cara para que te la partan. Y ésa no es una forma demasiado acertada de ser cristiano. No hemos de avergonzarnos de la cruz, no hemos de esconderla.» (Alerta Digital)

14/11/2022

“Marxismo cultural”


«Foucault passou por um grande intelectual, sendo um degenerado mental e moral, violador de crianças e promotor da pedofilia, que pretendia despenalizar. E com Derrida era a mesma coisa. Depois da queda do Muro de Berlim, o marxismo cultural, que tem muito pouco a ver com o outro marxismo, é financiado pela oligarquia financeira mundial. Ninguém pergunta porquê. E a resposta é muito simples: porque essa política e essas ideias destroem espiritualmente os povos, aniquilam-nos. Se já não existe verdade, se tudo é relativo, para quê dar a vida por algo? Para quê sacrificar-se? Para quê ter filhos? Ao perder-se o sentido de transcendência só resta viver o momento, porque a vida não tem sentido algum. E para viver o momento incomoda-me o outro e até a minha própria família, os meus próprios filhos.

A gente do marxismo cultural é a mão-de-obra mais barata que jamais teve o imperialismo internacional do dinheiro. São a esquerda caniche ao serviço da oligarquia financeira mundial.»

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«Foucault ha pasado por un gran intelectual, siendo un degenerado mental y moral, violador de niños y promotor de la pederastia, que él quería despenalizar. Y lo mismo con Derrida. Después de la caída del Muro de Berlín, el marxismo cultural, que tiene muy poco que ver con el otro marxismo, está financiado por la oligarquía financiera mundial. Nadie pregunta por qué. Y la respuesta es muy sencilla: porque esa política y esas ideas destruyen espiritualmente a los pueblos, los aniquilan. Si ya no hay verdad, si todo es relativo, ¿para qué dar la vida por algo? ¿Para qué sacrificarse? ¿Para qué tener hijos? Al perderse el sentido de trascendencia sólo queda vivir el instante, porque la vida no tiene ningún sentido. Y para vivir un instante me molesta el otro y hasta mi propia familia, mis propios hijos.

La gente del marxismo cultural es la mano de obra más barata que jamás tuvo el imperialismo internacional del dinero. Son una izquierda caniche al servicio de la oligarquía financiera mundial.»

05/11/2022

Querem proibir Beethoven | Quieren prohibir a Beethoven



«Repitamos o título: querem proibir Beethoven. Uma vez mais, se alguém acredita ainda que leu mal: querem proibir Ludwig van Beethoven.

Quem propõe semelhante atentado?

Quem lançou o primeiro ataque contra o maior, ou talvez, um dos cinco maiores músicos de todos os tempos, foi uma tal Susan McClary, que além de feminista é “musicóloga”, a qual, já em 1980, comparou a Nona Sinfonia com “a raiva de um violador impotente”. Mas desde então não só prosseguiram, como se incrementaram, os ataques contra o nosso mundo e a nossa civilização. Em particular, o movimento racista anti-branco denominado Black Lives Matter que não se dedicou só a destruir estátuas e monumentos – também investiu contra a música clássica e em particular contra Beethoven.

Assim, segundo o musicólogo Nate Sloam e o compositor Charlie Harding, estrelas do podcast Switched on Pop, produzido em associação com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque (sim, leram bem: com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque), a Quinta Sinfonia de Beethoven constitui um expoente em tudo o que, para eles, é mais detestável na música clássica e na cultura ocidental. Se dependesse deles, proibia-se Beethoven, cuja música é a “banda sonora do privilégio branco”.

Em Vox.com, a desgraçada rede onde os ditos cretinos culpam a música de Beethoven e em particular a Quinta Sinfonia, é a treta do costume, como podem imaginar: que é uma expressão opressiva da cultura clássica elitista que reforça o poder dos homens brancos e reprime as vozes das mulheres, dos negros e da comunidade LGBTQ.

Perante tanta aberração, a paciência esgota-se e não podemos deixar de
nos perguntar: a culpa de tanta cretinice, cabe só aos cretinos? Não caberá também àqueles que, ainda que criticando, toleram-nos, olham para o outro lado, ou acreditam que há algo a debater com eles? As vozes que atacam a música, a arte e a beleza, são apenas umas vozes erradas, ou são as vozes dos nossos inimigos mais viscerais?

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«Repitamos el titular: quieren prohibir a Beethoven. Repitámoslo, por si alguien cree que lo ha leído mal: quieren prohibir a Ludwig van Beethoven.

¿Quiénes proponen semejante atentado?

Quien lanzó el primer ataque contra el que es el mayor o, digamos, uno de los cinco mayores músicos de todos los tiempos, fue una tal Susan McClary, que además de feminista es “musicóloga”, la cual, ya en 1980, comparó la Novena Sinfonía con “la rabia de un violador impotente”. Pero desde entonces no sólo han proseguido, sino que se han incrementado los ataques contra nuestro mundo y nuestra civilización. En particular, el movimiento racista antiblanco denominado Black Lives Matter no sólo se ha dedicado a destruir estatuas y monumentos: también la ha emprendido contra la música clásica y en particular contra Beethoven.

Así, según el musicólogo Nate Sloam y el compositor Charlie Harding, estrellas del podcast Switched on Pop, producido en asociación con la Orquesta Filarmónica de Nueva York (sí, han leído bien: con la Orquesta Filarmónica de Nueva York), la Quinta Sinfonía de Beethoven constituye un exponente de todo lo que, para ellos, es más detestable de la música clásica y de la cultura occidental. Si por ellos fuera, habría que prohibir a Beethoven, cuya música es la “banda sonora” del “privilegio blanco”.

En Vox.com —desgraciada web cuyo desgraciado nombre nada tiene que ver, huelga decir, con el que ustedes tienen en mente—, dichos cretinos achacan a la música de Beethoven y en particular a la Quinta Sinfonía... lo de siempre, ya se pueden imaginar: ser una opresiva expresión de la elitista cultura clásica que refuerza el poder de los hombres blancos y reprime las voces de las mujeres, los negros y la comunidad LGTBQ.

Ante tanta aberración, la paciencia se colma y uno no puede sino preguntarse: la culpa de tanto cretinismo, ¿incumbe sólo a los cretinos? ¿No incumbe también a quienes, aun criticándolos, toleran, miran hacia otro lado o creen que hay algo que debatir con ellos? La voces que atacan a la música, al arte y a la belleza, ¿son sólo unas voces erradas, o son las voces de nuestros más viscerales enemigos?

20/10/2022

Acerca do genocídio | Acerca de genocidio




«O clube com mais sócios no mundo é o dos inimigos dos genocídios passados. Em número de membros só é comparável com o clube dos amigos dos genocídios em curso.»

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«El club con más socios del mundo es el de los enemigos de los genocidios pasados. Solo tiene el mismo número de miembros el club de los amigos de los genocidios en curso».

04/08/2022

O nada e o seu niilismo (e 2) | La nada y su nihilismo (y 2)



«O que no regime liberal-libertário se expressa como ideologia de género, ou na forma das demais aberrações desenvolvidas no âmbito do que os franceses chamam “o societal”, tudo isso tem também a sua correlação no âmbito político da “democracia líquida”, designação com a qual faço uma referência óbvia a Ziygmunt Bauman e ao seu conceito da “sociedade líquida”. […]

Os mecanismos são, em ambos casos, extremamente parecidos. Também no âmbito da democracia temos a proclamação inicial de uma liberdade absoluta. Também aqui se desconhece qualquer princípio substancial que estruture o mundo. Também aqui se sustenta tudo sobre a livre vontade e a livre decisão do povo soberano – do povo entendido (e aqui começam os problemas) não como ente orgânico e dotado da sua própria dinâmica histórica, mas como uma mera soma de átomos individuais. […] Também aqui as aparências democráticas necessitam, para que o mundo não se afunde completamente, uma base firme para se alicerçar. E para a estabelecer, também aqui tais aparências não podem senão converter-se num profundo engano – e um engano que, também aqui, se infiltrou e entranhou profundamente no imaginário colectivo dos nossos povos.

Vejamos como funciona o dito engano. As aparências demo-liberais têm uma absoluta e indiscutível força de lei. Legalmente falando, todas as ideias, todas as opções, todas as concepções do mundo são, desde que respeitem os procedimentos legalmente existentes, igualmente válidas e justas, igualmente boas e verdadeiras. Todas são inquestionáveis; ou – no que vai dar ao mesmo – todas se podem questionar e refutar. Para a lei, o conteúdo das ideias e concepções do mundo é rigorosamente indiferente. Mas para a realidade das coisas, não. Todas as ideias e concepções têm o mesmo direito à palavra, é certo, mas há uma delas que o tem incomparavelmente mais. Há uma e apenas uma (com todas as variantes que se queira) que fala sem parar e desde o único lugar de onde faz sentido falar: desde o centro do mundo, desde os poderosos meios de comunicação e doutrinamento de massas, desde os quais, e só desde eles, se chega a todo o mundo.

As outras ideias, as outras concepções do mundo, as dos rebeldes e insubordinados, também têm, é certo, o mesmo direito à palavra e à sua encarnação política. Mas esse direito, para eles – para nós, enfim… – é apenas formal, é apenas jurídico. Esse direito não serve de nada (ou de muito pouco…) se não se exerce desde os grandes meios de comunicação que, dominando o mundo e a gente, modulam os sentimentos e o pensamento (ou o que ocupa o lugar deste). […]

Tal é o engano em que se baseia a democracia liberal-libertária: o de proclamar e conceder com uma mão – a da lei – a liberdade que a sua outra mão – a da realidade, e em particular da realidade mediática – restringe em favor apenas daqueles que partilham a concepção dominante do mundo.»

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«Lo que en el régimen liberal-libertario se expresa como ideología de género o en forma de las demás aberraciones desarrolladas en el ámbito de lo que los franceses llaman “lo societal”, todo ello tiene también su correlación en el ámbito político de “la democracia líquida”, denominación con la que estoy haciendo un obvio guiño a Ziygmunt Bauman y a su concepto de “la sociedad líquida”. […]

Los mecanismos son, en ambos casos, sumamente parecidos. También en el ámbito de la democracia tenemos la proclamación inicial de una libertad absoluta. También aquí se desconoce cualquier principio sustancial que vertebre al mundo. También aquí se sostiene todo sobre la libre voluntad y la libre decisión del pueblo soberano —del pueblo entendido (y ahí empiezan los problemas) no como ente orgánico y dotado de su propia dinámica histórica, sino como una mera suma de átomos individuales. […] También aquí las apariencias democráticas necesitan, para que el mundo no se hunda del todo, una base firme sobre la que asentarse. Y para establecerla, también aquí tales apariencias no pueden sino convertirse en un profundo engaño —y engaño que, también aquí ha calado y se ha engarzado profundamente en el imaginario colectivo de nuestros pueblos.

Veamos cómo funciona dicho engaño. Las apariencias democrático-liberales tienen absoluta, indiscutible fuerza de ley. Legalmente hablando todas las ideas, todas las opciones, todas las concepciones del mundo son, con tal de que respeten los procedimientos legalmente vigentes, igual de válidas y justas, igual de buenas y verdaderas. Todas son incuestionables; o lo que es lo mismo: todas se pueden cuestionar e impugnar. Para la ley, el contenido de las ideas y concepciones del mundo es estrictamente indiferente. Pero para la realidad de las cosas, no. Todas las ideas y concepciones tienen el mismo derecho a la palabra, es cierto, pero hay una de ellas que lo tiene incomparablemente más. Hay una y sólo una (con todas las variantes que se quiera) que habla sin parar y desde el único lugar desde el que tiene sentido hablar: desde el centro del mundo, desde los poderosos medios de comunicación y adoctrinamiento de masas desde los cuales y sólo desde ellos se llega a todo el mundo.

Las demás ideas, las demás concepciones del mundo, las de los rebeldes y díscolos, también tienen, es cierto, el mismo derecho a la palabra y a su encarnación política. Pero ese derecho, para ellos —para nosotros, en fin…— es sólo formal, es sólo jurídico. Ese derecho no sirve de nada (o de tan poco…) si no se ejerce desde los grandes medios de comunicación que, dominando al mundo y a las gentes, modulan los sentimientos y el pensamiento (o lo que tiene lugar de éste). […]

Tal es el engaño en el que se basa la democracia liberal-libertaria: el de proclamar y otorgar con una mano —la de la ley— la libertad que su otra mano —la de la realidad, y en particular la realidad mediática— restringe a favor tan sólo de quienes comparten la concepción dominante del mundo.»

02/08/2022

O nada e o seu niilismo (1) | La nada y su nihilismo (1)



«Pela primeira vez na História a anormalidade fundamenta a normalidade. O anormal, o desviante, converte-se na pedra angular do mundo. Em todos os campos. Também no de uma arte convertida em não-arte, e onde a fealdade e a insignificância se convertem na base e pilar de algo que, sabe-se lá porquê, continua a chamar-se “beleza”. Também no campo da sexualidade (ou do género), o que tratam de impor como norma é a anormalidade da transexualidade ou da homossexualidade. […]

Não; contrariamente às aparências, contrariamente ao que aparentam os niilistas que tudo refutam e tudo arrasam, o que tratam de nos impor não é o Nada de uma “liberdade” liquefeita, dissolvida na areia de tais ninharias. O que tratam de nos impor é uma ordem incomparavelmente mais dura e feroz que todas as ordens autoritárias, despóticas e até totalitárias que existiram no passado. […]

Apesar das suas aparências, o regime liberal-libertário é o mais ferozmente despótico de todos, devido a duas razões essenciais. A primeira, porque se fundamenta num engano que é infinitamente mais do que um simples ardil propagandístico. É um engano, por assim dizer, ontológico, consubstancial ao sistema que o institui. Trata-se do engano – um engano que se infiltrou, transformando-se numa “verdade” incrustada no imaginário colectivo – que consiste em fundamentar o mundo sobre a ausência de qualquer princípio que não seja o da mais absoluta liberdade de cada indivíduo. Trata-se dessa enganosa e falsa liberdade que, partindo da ausência de toda a norma, desemboca na norma do anormal.

E há um segundo motivo. Ao estabelecer como norma primeira o anormal e o desviante, está a efectuar-se algo nunca visto em nenhum outro momento da História. Ao estabelecer esse delírio orwelliano segundo o qual a base do normal é o anormal, do mesmo modo que a base da sensatez é a loucura, e da beleza a fealdade; ao efectuar tal coisa, o resultado é corroer pura e simplesmente as bases antropológicas mais elementares da existência. Já não são as suas bases culturais, sociais, económicas, políticas…, mas as suas bases – repito – pura e simplesmente antropológicas.»

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«Por primera vez en la historia la anormalidad funda la normalidad. Lo anormal, lo desviante, se convierte en piedra angular del mundo. En todos los campos. También en el de un arte convertido en no arte, y donde la fealdad y la insignificancia se convierten en la base y el pilar de algo que, no se sabe por qué, se sigue llamando “belleza”. También en el campo de la sexualidad (o del género), lo que tratan de imponer como norma es la anormalidad de la transexualidad o de la homosexualidad. […]

No, contrariamente a las apariencias, contrariamente a lo que aparentan los nihilistas que todo lo impugnan y todo lo arrasan, lo que tratan de imponernos no es la Nada de una “libertad” licuada, disuelta en la arena de tales naderías. Lo que tratan de imponernos es un orden incomparablemente más duro y feroz que el de todos los órdenes autoritarios, despóticos y hasta totalitarios que en el pasado han sido. […]

Pese a sus apariencias, el régimen liberal-libertario es el más ferozmente despótico de todos, y ello por dos razones esenciales. La primera, porque se funda en un engaño que es infinitamente más que un simple ardid propagandístico. Es un engaño, por así decirlo, ontológico, consustancial al sistema que lo instituye. Se trata del engaño —y engaño que ha calado transformándose en “verdad” incrustada en el imaginario colectivo— que consiste en fundar el mundo sobre la ausencia de cualquier principio que no sea el de la libertad más absoluta de cada individuo. Se trata de esa engañosa, falsa libertad que, partiendo de la ausencia de toda norma, desemboca en la norma de lo anormal.

Y hay un segundo motivo. Al establecer como norma primera lo anormal y desviante, se está efectuando algo nunca visto en ningún otro momento de la historia. Al establecer ese delirio orwelliano según el cual la base de lo normal es lo anormal, de igual modo que la base de la cordura es la locura, y la de la belleza la fealdad; al efectuar tal cosa, lo que se está haciendo es socavar simple y llanamente las bases antropológicas más elementales de la existencia. No ya sus bases culturales, sociales, económicas, políticas..., sino sus bases —repito— simple y llanamente antropológicas.»

03/07/2022

Do relativismo ao globalismo | Del relativismo al globalismo




«Na origem da negação da lei natural está o relativismo, ao considerar aceitáveis e legítimas todas as ideias, e ao negar a existência de um princípio transcendente inscrito no homem pelo Criador. A História, a cultura e a arte convertem-se então em fenómenos a analisar pelo prisma sociológico ou psicológico e já não são o que constitui uma civilização. […]

Que pensávamos, os ocidentais, que podíamos conseguir cortando a cabeça de reis, nobres e prelados? Que pensávamos que podia melhorar com personagens como Fouchet, Danton, Robespierre e todo o alvoroço de assassinos corruptos que se supunha irem substituir os guilhotinados? Algum de nós pensou realmente que permitir o divórcio era um progresso? Ou que dar a uma mãe o direito de matar o filho que leva no ventre foi uma conquista da liberdade? Ou que envenenar os velhos enquanto dormem, os doentes e os pobres, é um sinal de civilização? Há alguém que esteja honestamente convencido de que a ostentação dos vícios mais abomináveis é um direito fundamental? Ou que uma pessoa pode mudar de sexo modificando grotescamente o que a Natureza decidiu? Os que aceitam estes horrores fazem-no apenas porque estes horrores se impõem como modelo de “civilização” e “progresso”, e aceitam-no porque querem seguir as massas sem dar nas vistas.

O problema é que o homem contemporâneo é filho da Revolução, inconscientemente doutrinado na “correcção política”, no relativismo, na ideia de que não existe uma verdade objectiva e que todas as ideias são igualmente aceitáveis. Essa doença do pensamento é a primeira causa do êxito dos adversários, porque muita gente adere aos seus princípios sem entender que são precisamente essas ideias as que tornaram possível transformar a nossa sociedade [de forma tão destrutiva].

A escravidão da União Europeia –e a sua ideologia infernal– foi apenas um dos últimos passos pelos quais Itália recebeu o golpe de misericórdia. Por isso, quando ouço elogios à Revolução, à declaração dos direitos humanos, ao Iluminismo, ao Renascimento e à Expedição dos Mil [um episódio lendário na História da reunificação italiana, em 1860], eu estremeço: o globalismo é a metástase de todos os erros modernos, que só a Igreja, desde as suas origens, soube condenar com antecipação. E se o globalismo sofreu de facto uma aceleração, isso devemos à hierarquia que, desde o Concílio Vaticano II, deixou de ser uma inimiga jurada da conspiração maçónica e passou a sua diligente aliada.»

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«En el origen de la negación de la ley natural está el relativismo, considerando aceptables y legítimas todas las ideas, negando la existencia de un principio trascendente inscrito en el hombre por el Creador. La historia, la cultura y el arte se convierten entonces en fenómenos a analizar en clave sociológica o psicológica y ya no son lo que constituye una civilización. […]

¿Qué pensábamos los occidentales que podíamos conseguir cortando las cabezas de reyes, nobles y prelados? ¿Qué pensábamos que podía mejorar, con personajes como Fouchet, Danton, Robespierre y todo el revoltijo de asesinos corruptos que se suponía que iban a reemplazar a los guillotinados? ¿Alguno de nosotros realmente pensó que permitir el divorcio era un progreso? ¿O que darle a la madre el derecho de matar al hijo que lleva en su vientre fue una conquista de la libertad? ¿O que envenenar a los ancianos mientras duermen, a los enfermos o a los pobres es un signo de civilización? ¿Hay alguien que esté honestamente convencido de que la ostentación de los vicios más abominables es un derecho fundamental, o que una persona puede cambiar de sexo, modificando grotescamente lo que la Naturaleza ya ha decidido? Quienes aceptan estos horrores lo hacen sólo porque estos horrores se imponen como modelo de “civilización” y “progreso”, y quienes los aceptan quieren seguir a las masas sin sobresalir.

El problema es que el hombre contemporáneo es hijo de la Revolución, inconscientemente adoctrinado en la “corrección política”, en el relativismo, en la idea de que no existe una verdad objetiva y que todas las ideas son igualmente aceptables. Esta enfermedad del pensamiento es la primera causa del éxito de los adversarios, porque mucha gente se alía con aceptar sus principios sin entender que son precisamente esas ideas las que han hecho posible transformar nuestra sociedad [de forma tan destructiva].

La esclavitud de la Unión Europea –y su ideología infernal– fue solo uno de los últimos pasos por los que Italia recibió el golpe de gracia. Por eso, cuando escucho elogios a la Revolución, la declaración de los derechos humanos, la Ilustración, el Risorgimento y la Expedición de los Mil [un momento patriótico legendario en la historia de la reunificación italiana en 1860], me estremezco: el globalismo es el metástasis de todos los errores modernos, que sólo la Iglesia, desde sus orígenes, ha sabido condenar con previsión. Y de hecho, si el globalismo ha experimentado una aceleración, se lo debemos precisamente al hecho de que desde el Concilio Vaticano II la jerarquía ha pasado de ser un enemigo jurado de la conspiración masónica a su celoso aliado.»

19/06/2022

Alternância sem alternativa | Alternancia sin alternativa



«A nova Inquisição laica marca a fogo nas redes sociais, nos meios de comunicação de massas e nas universidades. Além disso, na medida em que decidas ir contra a corrente sem encaixar a tua crítica dentro da moldura estreita de algum dos actuais partidos políticos, serás visto como um ente extraviado e, portanto, passível de ser julgado pelos novos acólitos do doutrinamento vazio. Essa é a fasquia, cada vez mais baixa. Os compartimentos estanques e as toscas etiquetas de centro, esquerda e direita são enquadrados pelos que beneficiam da divisão fratricida dos europeus. Não caiamos, nem agora nem nunca, na cortina de fumo da ressurreição perene do guerra-civilismo [...]. Sejamos intelectualmente autónomos mas exijamos sobreviver como civilização.
Evitemos a alternância única. Não permitamos aos que nos governam que continuem a moldar o sistema educativo e a perpetuar aquilo que o filósofo francês Jean-Claude Michéa denominou uma escola da ignorância dedicada à produção sistemática de consumidores imaturos, uma massa anómica presa fácil dos discursos enlatados. Assim se reforça a Matrix, criando falsas polaridades que não são verdadeiras oposições nem alternativas autênticas. Essa é a guerra enganadora na qual pretendem que nós vivamos imersos e divididos, submissos e obedientes.»

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 «La nueva Inquisición laica marca a fuego en las redes sociales, en los medios de comunicación de masas y en las universidades. Además, en la medida en que decidas ir a contracorriente sin encajar tu crítica dentro del marco estrecho de alguno de los partidos políticos actuales, serás visto como un ente extraviado y por tanto proclive a ser juzgado por los nuevos acólitos del adoctrinamiento hueco. Ese es el listón bajo fijado adrede. Los compartimentos estancos y las burdas etiquetas de centro, izquierda y derecha son encuadrados por los que se benefician de la división cainita de los europeos. No caigamos, ni ahora ni nunca, en la cortina de humo de la resurrección perenne del guerracivilismo [...]. Seamos intelectualmente autónomos pero exijamos sobrevivir como civilización.
Evitemos la alternancia única. No les permitamos a los que nos gobiernan que nos sigan troquelando el sistema educativo y perpetuando lo que el filósofo francés Jean-Claude Michéa denominó una escuela de la ignorancia dedicada a la producción sistemática de consumidores inmaduros, una masa anómica presa fácil de los discursos enlatados. La Matrix se refuerza así creando falsas polaridades que no son verdaderas oposiciones ni auténticas alternativas. Esa es la guerra falaz en la que quieren que vivamos inmersos y divididos, sumisos y obedientes.»

05/06/2022

Os “nossos valores” (1) | “Nuestros valores” (1)



«Para começar, o discurso dos nossos valores denota um plus de arrogância imperial, envolta – de forma autocomplacente – na bandeira da correcção política. Uma arrogância tipicamente anglo-americana, forjada no tempo do império britânico, cultivada no solo fértil da mentalidade puritana e alargada – após a segunda guerra mundial – ao clube de satélites da nação indispensável. Não em vão, no dealbar da nova era, Winston Churchill afirmava que os “povos de língua inglesa” emergiam como os campeões da liberdade e da civilização cristã, ou seja, como os guias do mundo [Discurso em Fulton, Março de 1946]. Várias décadas depois e concluída a guerra fria, o mundo era intimidado, de forma definitiva e sem discussão possível, a seguir o caminho do Ocidente civilizado, aquele que premeia os bons e castiga os maus.

Trata-se no fundo – e aqui vem a parte inconfessável da questão – de uma atitude profundamente racista e colonialista, ainda que hipocritamente se arrogue do contrário. Como dizia há alguns anos o escritor francês Régis Debray, “tiraram o capacete de cortiça, mas a cabeça por baixo continua a ser colonial”.

O Império Britânico assentou sobre uma massa imensa de sipaios, e essa é uma prática retomada pelos nossos valores. Nas guerras por procuração (guerras proxy) promovidas pela nação indispensável, a carne para canhão é posta, quase sempre, por criaturas retrógradas, arcaicas, incompatíveis com a concepção liberal da existência, mas que se vêm revestidas de nomes pomposos – freedom fighters, rebeldes moderados, revolucionários de cores, democratas de várias estirpes – segundo decidam os spin doctors dos nossos valores.

Que sob nomes tão nobres e apelativos se escondam algumas realidades desagradáveis – islamitas radicais, talibãs, traficantes de droga e de órgãos, terroristas, milícias neonazis – não implica mácula alguma nos seus patrocinadores. O eixo do Bem escreve direito por linhas tortas; tortuosos são os caminhos dos nossos valores. Mais ainda, enquanto a magia durar – e enquanto não se demonstrar o contrário – todos morrem pelos “nossos valores”. Desta forma os transformamos em mártires e parasitamos uma épica que nos é conveniente, para dar lustro a esses valores pelos quais ninguém quer morrer.

Ninguém quer morrer pelos nossos valores? Os ideais pelos quais os homens dão a vida são a pátria, a religião e a classe. Mas esta trilogia já não diz nada ao homem pós-moderno; tratam-se de categorias retrógradas, arcaicas, incompatíveis com uma concepção liberal da existência. Esta concepção, como é bem sabido, valoriza a propriedade individual acima de tudo e não está disposta (de modo algum!) a aceitar esse acto extremo de expropriação que consiste em dar a vida por algo. Mas aqui surge um problema: aceitar que ninguém está disposto a dar a vida pelos nossos valores equivale a admitir que os estes valores são um esterco. Para saltar este escolho, os estrategas do Ocidente recrutam os “tontos úteis” – gente disposta a morrer por motivos bolorentos como a religião ou a pátria – e vendem a narrativa segundo a qual, na realidade, se sacrificam pelos nossos valores. Um tributo de sangue que encontrará sempre os seus virtuosos. Este estratagema, há décadas que não pára de promover monstruosidades, de parir enganos e incendiar o mundo. O tiro sai demasiadas vezes pela culatra e deveríamos perguntar-nos quem é, na verdade, o tonto.»


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«De entrada, el discurso de nuestros valores denota un plus de arrogancia imperial, envuelta –de forma autocomplaciente– en la bandera de la corrección política. Una arrogancia típicamente anglo-americana, forjada en la era del imperio británico, cultivada en el suelo fértil de la mentalidad puritana y extendida –tras la segunda guerra mundial– al club de satélites de la nación indispensable. No en vano, en el albor de la nueva era, Winston Churchill afirmaba que los “pueblos de habla inglesa” emergen como los campeones de la libertad y de la civilización cristiana, es decir, como los guías del mundo. [discurso en Fulton, marzo 1946] Varias décadas después y concluida la guerra fría, el mundo quedaba conminado, de forma definitiva y sin discusión posible, a seguir la senda del Occidente civilizado, el que premia a los buenos y castiga a los malos.

Se trata en el fondo –y aquí viene lo inconfesable del asunto– de una actitud profundamente racista y colonialista, aunque hipócritamente se revista de todo lo contrario. Como decía hace años el escritor francés Régis Debray, “se han quitado los cascos, pero la cabeza que hay debajo sigue siendo colonial”.

El Imperio Británico se sostuvo sobre una masa ingente de cipayos, y ésa es una práctica retomada por nuestros valores. En las guerras por procuración (guerras proxy) promovidas por la nación indispensable, la carne de cañón la ponen, casi siempre, criaturas retrógradas, arcaicas, incompatibles con la concepción liberal de la existencia, pero que a los efectos se ven ennoblecidas con lustrosos nombres –freedom fighters, rebeldes moderados, revolucionarios de colores, demócratas de variado pelaje–, según dispongan los spin doctors de nuestros valores. Que bajo tan nobles apelativos se escondan algunas realidades desagradables –islamistas radicales, talibanes, traficantes de drogas y de órganos, terroristas, milicias neonazis– no supone desdoro alguno para sus patrocinadores. El eje del Bien escribe derecho con renglones torcidos; tortuosos son los caminos de nuestros valores. Además, mientras la magia dure –y mientras no se demuestre lo contrario– todos mueren por “nuestros valores”. De esta forma les transformamos en mártires vicarios y parasitamos una épica que nos viene al pelo para dar lustre a esos valores por los que nadie quiere morir.

¿Nadie quiere morir por nuestros valores? Los ideales por los que los hombres dan la vida son la patria, la religión y la clase. Pero esta tríada ya no interpela al hombre posmoderno; se trata de categorías retrógradas, arcaicas, incompatibles con una concepción liberal de la existencia. Esta concepción, como es bien sabido, valora la propiedad individual por encima de todo y no está dispuesta ¡de ningún modo! a aceptar ese acto extremo de expropiación que consiste en dar la vida por algo. Pero aquí surge un problema: aceptar que nadie está dispuesto a dar la vida por nuestros valores equivale a admitir que nuestros valores son una boñiga. Para salvar este escollo, los estrategas de Occidente enrolan a “tontos útiles” –gente dispuesta a morir por motivos rancios como la religión y la patria– y venden la narrativa de que, en realidad, se sacrifican por nuestros valores. Un tributo de sangre para el que siempre habrá paganinis. Esta estratagema no cesa, desde hace décadas, de promover engendros, de alumbrar chapuzas y de incendiar el mundo. El tiro sale demasiadas veces por la culata y uno podría preguntarse quién es de verdad el tonto.»