Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

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23/08/2024

O ataque dos macacos da varíola | El ataque de los monos de la viruela



«Na semana passada, a Organização Mundial de Saúde declarou uma emergência de saúde global devido a uma nova estirpe de varíola dos macacos, agora chamada Mpox (onde o M significa monkey, ou seja, “macaco”). Emergência mundial? A verdade é que a incidência não parece ser particularmente alarmante. O número global de casos acumulados nos últimos dois anos é de pouco menos de 100 mil afectados em todo o mundo, dos quais apenas 208 resultaram em morte, segundo dados do último relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças da União Europeia.

Para colocar as coisas na sua devida dimensão, recordemos que a população mundial é de 8,2 mil milhões de pessoas. […] Quanto ao perfil médio dos doentes, é inequívoco: homens com cerca de 35 anos que – não deveria ser pecado dizê-lo – contraíram a doença após a prática homossexual através da troca de fluidos. Ou seja, nem pelo número de casos nem pelo universo dos afectados se poderia dizer que estamos realmente perante uma emergência de alcance planetário. Agora, supõe-se que tenha surgido uma nova variante denominada Clade I que seria transmitida pelas vias respiratórias e que justificaria a intensificação do alarme. Não importa que ninguém até agora tenha sido capaz de descrever satisfatoriamente esta variante. Também não importa que numerosos virologistas tenham explicado que não se trata de “varíola dos macacos”. Nada disso interessa. A OMS, rapidamente escoltada pelos meios de comunicação da oligarquia, apressou-se a espalhar o alarme. A classe política, mais uma vez, tem sido obediente ao apito. Ainda bem que (veja lá!) há vacina. Ah, sim: a 25 de Janeiro de 2022 (exactamente quando a pandemia anterior estava a terminar), a patente de uma vacina contra o VIH (SIDA) com vector do vírus da varíola foi concedida à Bavarian Nordic e à Janssen. Mais ainda: nesse mesmo mês, foi autorizado um medicamento injectável contra o vírus nos Estados Unidos. Coincidência. […]

Os jornais da oligarquia já começam a dizer – mentindo com todos os dentes – que o sector mais exposto à nova estirpe são as crianças e por isso devem ser vacinadas (é preciso ser canalha). E aqui aparece um investigador espanhol do CSIC a explicar, não sem efeitos hilariantes, que a vacina espanhola para a COVID também é válida para a varíola dos macacos.
O que é realmente prodigioso neste teatro é que já passámos por isto. Da primeira vez, quando o COVID rebentou, tudo funcionou como uma tragédia feroz. Os mortos eram reais, mas hoje sabemos que nem todos morreram pelas causas que nos contaram. As possibilidades de contágio também eram reais, mas nem de longe tão fatais ou tão abundantes como nos foi dito. As medidas de isolamento – era difícil de saber na altura – eram perfeitamente inadequadas. A vacinação foi uma grande farsa, pelo discurso redentor dos que estiveram envolvidos. O mundo foi condenado a uma paralisação forçada que, sem dúvida, teve os seus benefícios, mas causou danos incalculáveis aos comuns mortais. Tudo isto entre os aplausos quase unânimes da classe política, a cumplicidade indecente das instituições médicas e a obediência submissa dos grandes meios de comunicação. Um perfeito exercício de despotismo em nome da “saúde” aplicado a uma população em grande parte aterrorizada. Já sabendo tudo isto, como se atrevem a tentar de novo?

Hoje, poucas horas antes das instituições de saúde da UE tomarem as suas decisões, já sabemos algumas coisas fundamentais. Sabemos que as possibilidades reais de infecção por Mpox, para a grande maioria da população, são extremamente reduzidas. Sabemos que a comercialização de uma vacina específica, ou seja, uma operação da indústria farmacêutica, teve um papel determinante no lançamento da campanha. Sabemos que a OMS não é uma instituição benevolente para a humanidade, mas sim uma ferramenta de governação global nas mãos da indústria privada. Sabemos que o conhecimento real da nossa classe política em matéria epidemiológica é ostensivamente fraco e que os “especialistas” em que afirma confiar agem motivados por interesses que pouco têm a ver com a ciência médica. Sabemos que a comunicação social oligárquica manipula a realidade e constrói enormes mentiras baseadas em meias verdades. E sabemos, finalmente, que em última análise existem tribunais dispostos a defender os direitos dos cidadãos, quando estes têm a coragem de se opor aos novos déspotas. Por outras palavras, sabemos o suficiente para não reviver o pesadelo de há quatro anos.
Se desta vez, finalmente, os cidadãos voltarem a baixar a cabeça, a culpa já não será dos déspotas: a culpa será dos próprios cidadãos. Têm que resistir.»

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«La semana pasada, la Organización Mundial de la Salud declaró la emergencia sanitaria mundial por una nueva cepa de la viruela del mono, que ahora hay que llamar Mpox (donde la M significa monkey, o sea, «mono»). ¿Emergencia mundial? La verdad es que no parece que la incidencia sea especialmente alarmante. La cifra global de casos acumulados en los dos últimos años es de algo menos de 100.000 afectados en todo el mundo, de los cuales sólo 208 desembocaron en muerte, según datos del último informe del European Centre for Disease Prevention and Control de la Unión Europea.

Para poner la cosa en su justa dimensión, señalemos que la población mundial es de 8.200 millones de personas. […] En cuanto al perfil medio de los pacientes, es inequívoco: varones de en torno a 35 años que —no debería ser pecado decirlo— han contraído la enfermedad después de una práctica homosexual por intercambio de fluidos. Es decir, que ni por número de casos ni por universo de afectados podría decirse que realmente estemos ante una emergencia de alcance planetario. Ahora bien, se supone que ha aparecido una nueva variante llamada Clado I que se transmitiría por vías respiratorias y que justificaría la intensificación de la alarma. No importa que nadie hasta la fecha haya sido capaz de describir satisfactoriamente esta variante. Tampoco importa que numerosos virólogos hayan explicado que esto no es «viruela del mono». Todo eso da igual. La OMS, rápidamente escoltada por los medios de comunicación de la oligarquía, se ha apresurado a extender ya la alarma. La clase política, una vez más, ha sido obediente al toque de silbato. Menos mal que, mire usted por dónde, hay una vacuna. Oh, sí: el 25 de enero de 2022 (justo cuando terminaba la pandemia anterior) se concedió la patente de una vacuna contra el VIH (sida) con vector de virus de la viruela para Bavarian Nordic y Janssen. Es más: en ese mismo mes se autorizaba en los Estados Unidos un fármaco —inyectable— contra el virus. Casualidad. […]

Los periódicos de la oligarquía ya empiezan a decir —mintiendo con toda la boca— que el sector más expuesto a la nueva cepa son los niños y que por eso hay que vacunarlos (hay que ser canalla). Y en esto aparece un investigador español del CSIC explicando, no sin efectos hilarantes, que la vacuna española para la COVID vale también para la viruela del mono.
Lo realmente prodigioso del espectáculo es que ya hemos pasado por aquí. La primera vez, cuando el estallido del COVID, todo funcionó como en una feroz tragedia. Los muertos eran de verdad, pero hoy sabemos que no todos murieron por las causas que nos dijeron. Las posibilidades de contagio también eran reales, pero ni mucho menos tan fatales ni tan abundantes como nos contaron. Las medidas de aislamiento —entonces resultaba difícil saberlo— eran perfectamente improcedentes. La vacunación tuvo mucho de farsa, por el discurso redentor en el que se envolvieron. Se condenó al mundo a un parón forzado que sin duda tuvo sus beneficiarios, pero que al común de los mortales nos causó daños sin cuento. Todo ello entre el aplauso casi unánime de la clase política, la complicidad indecente de las instituciones médicas y la obediencia sumisa de los grandes medios de comunicación. Un perfecto ejercicio de despotismo en nombre de la «salud» aplicado sobre una población mayoritariamente aterrorizada. Sabiendo ya todo esto, ¿cómo se atreven a intentarlo de nuevo?

Hoy, pocas horas antes de que las instituciones sanitarias de la UE tomen sus decisiones, sabemos ya unas cuantas cosas fundamentales. Sabemos que las posibilidades reales de contagio del mpox para la inmensa mayoría de la población son extremadamente reducidas. Sabemos que en el lanzamiento de la campaña ha jugado un papel determinante la comercialización de una vacuna concreta, es decir, una operación de la industria farmacéutica. Sabemos que la OMS no es una institución benefactora de la humanidad, sino una herramienta de gobierno global en manos de la industria privada. Sabemos que los conocimientos reales de nuestra clase política en materia epidemiológica son ostensiblemente entecos y que los «expertos» en los que aquella dice apoyarse actúan movidos por intereses que tienen poco que ver con la ciencia médica. Sabemos que los medios de comunicación de la oligarquía manipulan la realidad y construyen enormes mentiras sobre la base de medias verdades. Y sabemos, en fin, que en última instancia hay tribunales dispuestos a defender los derechos de los ciudadanos cuando éstos tienen el valor de oponerse a los nuevos déspotas. O sea que sabemos lo suficiente para no volver a vivir la pesadilla de hace cuatro años.
Si esta vez, en fin, los ciudadanos vuelven a bajar la cabeza, ya no será culpa de los déspotas: será culpa de los propios ciudadanos. Hay que resistir.»[texto completo]

02/07/2023

A morte do Ocidente | La muerte de Occidente


«O Ocidente eram Roma frente a Cartago e Grécia frente aos persas. Hoje, o Ocidente já não é nada disso. [...]

Hoje o Ocidente é um ancião decrépito com evidentes problemas cognitivos, corrupto e lascivo, que tenta dissimular a sua indisfarçável senilidade com um certo sorriso odontológico e os gestos mecânicos de um boneco articulado. O Ocidente é hoje Joe Biden (e os seus duplos). É a histeria "woke" e a maldição sobre a própria História, o ódio a si próprio de quem se olha e apenas reconhece o vazio do que um dia existiu. E o gesto estúpido das multidões narcotizadas repetindo a si mesmas «oh, como sou feliz» sem afastar o olhar do telefone enquanto se ajoelham perante o seu próprio vazio. E seres que não são homens nem mulheres, nem têm filhos, nem terra, nem Deus; seres que não são nem têm nada. Hoje o Ocidente deixou de ser Roma para ser Cartago.

Hoje o Ocidente está a suicidar-se pela sua própria ideologia, como diz Emmanuel Todd. Hoje o Ocidente quer morrer. Hoje o Ocidente merece morrer. Pois bem: que morra. E então, talvez, os últimos homens sobre esta terra, já não abençoada, descobrirão uma forma de começar de novo. Talvez, então, possamos recuperar a ingenuidade daquele primeiro grego ao qual apareceu, em sonhos, o perfil do Pártenon.»

* * * * *

«Occidente eran Roma frente a Cartago y Grecia frente a los persas. Hoy Occidente ya no es nada de eso. [...]

Hoy Occidente es un anciano decrépito con evidentes problemas cognitivos, corrupto y lascivo, que intenta disimular su indisimulable senilidad con cierta sonrisa odontológica y gestos mecánicos de muñeco articulado. Occidente hoy es Joe Biden (y sus dobles). Es la histeria de lo woke y la maldición sobre la propia historia y el odio a sí mismo de quien se mira y sólo reconoce el vacío de lo que un día existió. Y el gesto bobo de las multitudes narcotizadas repitiéndose a sí mismas «oh, qué feliz soy», sin apartar la vista del móvil, mientras se ponen de rodillas ante su propio vacío. Y seres que no son hombres ni mujeres, ni tienen hijos, ni tienen tierra ni tienen Dios, seres que no son ni tienen nada. Hoy Occidente ha dejado de ser Roma para ser Cartago.

Hoy Occidente se está suicidando por su propia ideología, como dice Emmanuel Todd. Hoy Occidente quiere morir. Ergo, hoy Occidente merece morir. Pues bien: que muera. Y entonces, tal vez, los últimos hombres sobre esta tierra, ya no bendita, descubrirán una forma de empezar de nuevo. Tal vez, entonces, podamos recuperar la ingenuidad de aquel primer griego al que se le apareció, en sueños, el perfil del Partenón.»

15/08/2022

Bruxelas contra Europa | Bruselas contra Europa



«A Europa é uma coisa. A União europeia é outra coisa. A União europeia devia estar ao serviço da sobrevivência colectiva da Europa, das suas nações, dos seus cidadãos. Por desgraça, o que vemos é o contrário: a União europeia pôs ao seu serviço os cidadãos e as nações da Europa para construir algo que já não se pode chamar Europa, porque renunciou expressamente à sua identidade histórica, e que mais se parece uma espécie de parque temático do mundo global. De modo que ser crítico da União europeia não significa ser “eurocéptico” nem, muito menos, “eurófobo”. Pelo contrário.

O projecto da União europeia é sem dúvida um dos grandes factos do mundo contemporâneo, de acordo. Com razão iludiu a milhões de europeus desde a Escandinávia a Algeciras. Por desgraça, a deriva da União, nos últimos anos, conduziu a uma situação em que, mais que construir a Europa, Bruxelas está a destruí-la. Porque a Europa não é uma amálgama burocrática de instituições que ninguém elege, essa amálgama que hoje parece ter estabelecido como única meta o desmantelamento das soberanias nacionais e a dissolução da nossa identidade colectiva. A Europa é muito mais do que isso. E se as instituições da UE deixam de representar os interesses objectivos das nações e dos cidadãos da Europa, então é legítimo perguntar-se se não será preciso rectificar todo o caminho. […]

A política recente da União europeia não tem consistido tanto em “fazer a Europa” como em desfazê-la. Porque desfazer a Europa é ignorar a identidade cultural das nossas nações, negar as nossas raízes históricas comuns, alterar arbitrariamente a composição étnica das nossas sociedades, subordinar a nossa economia às exigências de um mercado global alheio aos nossos interesses particulares e impor um sistema de decisão autocrático e sem rosto baseado em instituições que ultrapassam o enquadramento real da soberania, que não é outro senão o Estado nacional. Sim, o Estado-nação: porque esse é o único enquadramento no qual ainda se pode falar verdadeiramente de democracia, o único em que o cidadão conhece realmente quem toma as decisões e pode, eventualmente, mudá-lo ou referendá-lo. De tal maneira que, hoje, as instituições da União europeia se converteram no maior empecilho para os europeus, porque deixaram de ser propriamente europeias para se converter numa espécie de despotismo asiático envolto em presunções tecnocráticas.»

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«Europa es una cosa. La Unión europea es otra distinta. La Unión europea debería estar al servicio de la supervivencia colectiva de Europa, de sus naciones, de sus ciudadanos. Por desgracia, lo que vemos es lo contrario: la Unión europea ha puesto a su servicio a los ciudadanos y a las naciones de Europa para construir algo que ya no puede llamarse Europa, porque ha renunciado expresamente a su identidad histórica, sino que se parece más bien a una suerte de parque temático del mundo global. De manera que ser crítico hacia la Unión europea no es ser “euroescéptico” ni, menos aún, “eurófobo”. Al revés.

El proyecto de la Unión europea es sin duda uno de los grandes hechos del mundo contemporáneo, de acuerdo. Con razón ha ilusionado a millones de europeos desde Escandinavia hasta Algeciras. Por desgracia, la deriva de la Unión en los últimos años ha conducido a una situación en la que, más que construir Europa, Bruselas la está destruyendo. Porque Europa no es una amalgama burocrática de instituciones que nadie elige, esa amalgama que hoy parece haberse fijado por única meta el desmantelamiento de las soberanías nacionales y la disolución de nuestra identidad colectiva. Europa es mucho más que eso. Y si las instituciones de la UE dejan de representar los intereses objetivos de las naciones y de los ciudadanos de Europa, entonces es legítimo preguntarse si acaso no habrá que rectificar a fondo el camino. […]

La política reciente de la Unión europea no ha consistido tanto en “hacer Europa” como en deshacerla. Porque deshacer Europa es ignorar la identidad cultural de nuestras naciones, negar nuestras raíces históricas comunes, alterar arbitrariamente la composición étnica de nuestras sociedades, subordinar nuestra economía a las exigencias de un mercado global ajeno a nuestros intereses particulares e imponer un sistema de decisión autocrático y sin rostro basado en instituciones que suplantan el marco real de la soberanía, que no es otro que el Estado nacional. Sí, el Estado-nación: porque ese el único marco en el que de verdad puede hablarse aún de democracia, el único en el que el ciudadano conoce realmente al que toma las decisiones y puede, eventualmente, cambiarlo o refrendarlo. De tal manera que, hoy, las instituciones de la Unión europea se han convertido en el mayor lastre para los europeos, porque han dejado de ser propiamente europeas para convertirse en una especie de despotismo asiático envuelto en ínfulas tecnocráticas.»

24/07/2022

No mundo da globalização | En el mundo de la globalización



«O alarme foi dado por Christopher Lasch em 1994: o hipercrescimento da economia global e a insustentabilidade dos sistemas de bem-estar social estavam a criar um novo fosso. Tal como Ortega y Gasset predisse em 1927 a “rebelião das massas”, hoje podia falar-se de uma “rebelião das elites”. Com efeito, nas nossas sociedades pós-modernas, desconjuntadas e entregues ao niilismo da máquina, o problema já não é o assalto das massas urbanas ao poder social, contra as velhas hierarquias. O problema de hoje é que as elites, os que mandam, os que dirigem este difícil caos, renunciaram a qualquer sentido de responsabilidade.

Refugiados nas suas luxuosas zonas residenciais, longe da comunidade e alheios aos procedimentos democráticos de eleição (nos quais, no entanto, a gente comum continua a acreditar a pés juntos), a Nova Classe dos políticos profissionais, dos comunicadores famosos e dos banqueiros anónimos, limita-se a governar de forma cada vez mais impessoal – e, portanto, cada vez mais irresponsável – os dados frios da vida social. O rosto da tecnocracia é hoje omnipresente. Nada se pode fazer contra eles, porque já não se vêem. No velho mundo mandavam os imperadores; hoje mandam os reguladores. Esta era a mensagem de Christopher Lasch.

O que Lasch descreve é, nem mais nem menos, a morte do sistema democrático. O que constata em primeiro lugar é o enorme fosso que se abriu entre o povo e os seus “representantes”. Os primeiros, a gente da rua, está a começar a experimentar na própria carne os perigos do “progresso” técnico e económico: grandes bolsas de pobreza, deterioração ambiental, etc. Por isso foi alastrando entre o povo um agudo clima de desconfiança relativamente ao sistema e às suas instituições. Os “representantes”, pelo contrário, levaram o discurso progressista ao paroxismo – capitalismo primário, industrialização total, etc. – e tratam de impô-lo por todo o lado, sejam quais forem as suas consequências. Estes “representantes” só o são a título nominal; de facto, raras vezes são eleitos democraticamente. No entanto, têm nas suas mãos todos os mecanismos de informação e propaganda, dum modo que acabam sempre por impor as suas decisões. Os mecanismos do poder social tornaram-se cada vez mais subtis. Surge assim uma nova elite de poderosos que são cada vez mais poderosos, porque só eles entendem – ou assim nos dizem – os mecanismos da ordem económica e social, frente a uma massa popular dominada, que se vê cada vez mais dominada, precisamente porque carece da instrução técnica necessária para controlar esse “misterioso mecanismo” que, como um sopro mágico, rege as sociedades complexas. A possibilidade de mobilidade social, de promoção profissional ou da elevação do status económico, requisito sacrossanto das democracias, esfuma-se. No seu lugar aparecem umas sociedades claramente divididas em duas partes: em cima, o reduzido número dos controladores; em baixo, o número cada vez maior dos controlados. É a morte da democracia.»

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«La voz de alarma la dio hacia 1994 Christopher Lasch: el hipercrecimiento de la economía global y la insostenibilidad de los sistemas de bienestar estaban abriendo una nueva brecha. Así como Ortega y Gasset predijo en 1927 la “rebelión de las masas”, hoy cabía hablar de una “rebelión de las elites”. En efecto, en nuestras sociedades posmodernas, descoyuntadas y entregadas al nihilismo de la máquina, el problema ya no es que las masas urbanas vengan al poder social contra las viejas jerarquías. El problema de hoy es más bien que las elites, los que mandan, los que dirigen este difícil caos, han renunciado a cualquier sentido de la responsabilidad.

Refugiados en sus lujosas zonas residenciales, lejos de la comunidad y ajenos a los procedimientos democráticos de elección (en los cuales, sin embargo, la gente sigue creyendo a pies juntillas), la Nueva Clase de los políticos profesionales, los comunicadores famosos y los banqueros anónimos se limita a gobernar de forma cada vez más impersonal –y, por tanto, cada vez más irresponsable– los datos fríos de la vida social. El rostro de la tecnocracia es hoy omnipresente. Nadie puede nada contra ellos, porque ya no se les ve. En el viejo mundo mandaban los emperadores; hoy mandan los reguladores. Tal venía a ser el mensaje de Christopher Lasch.

Lo que Lasch describe es ni más ni menos que la muerte del sistema democrático. Lo primero que constata es que se ha abierto una fosa enorme entre el pueblo y sus “representantes”. Los primeros, la gente de la calle, están empezando a experimentar en carne propia los peligros del “progreso” técnico y económico: grandes bolsas de pobreza, deterioro ambiental, etc. Por eso se ha ido extendiendo entre el pueblo un agudo clima de desconfianza hacia el sistema y sus instituciones. Los “representantes”, por el contrario, han llevado el discurso progresista al paroxismo –capitalismo primario, industrialización total, etc.– y tratan de imponerlo por todas partes, sean cuales fueren las consecuencias. Estos “representantes” lo son sólo a título nominal: de hecho, rara vez son elegidos democráticamente. Sin embargo, tienen en sus manos todos los mecanismos de la información y la propaganda, de manera tal que siempre terminan imponiendo sus decisiones. Los mecanismos del poder social se han hecho cada vez más sutiles. Surge así una nueva elite de poderosos que son cada vez más poderosos, porque sólo ellos entienden –o eso se nos dice– los mecanismos del orden económico y social, frente a una masa popular dominada que se ve cada vez más dominada, precisamente porque carece de la instrucción técnica precisa para controlar ese “misterioso mecanismo” que, a modo de aliento mágico, rige las sociedades complejas. La posibilidad de la circulación social, de la promoción profesional o de la elevación del status económico, requisito sacrosanto de las democracias, se esfuma. En su lugar aparecen unas sociedades claramente escindidas en dos: arriba, el reducido número de los controladores; abajo, el número cada vez mayor de los controlados. Es la muerte de la democracia.»

12/06/2022

O populismo | El populismo



«O que é para eles um “populista”? Simplesmente, alguém que não encaixa no modelo pré-determinado da correcção política ocidental. Ou seja, o mau.
Desde a queda do Muro de Berlim, com efeito, o Ocidente caminhou para a construção de um único espaço político válido, definido por quatro parâmetros fundamentais: democracia representativa através de partidos, economia encaixada no sistema financeiro global, progressiva abolição das identidades e fronteiras nacionais e, por fim, a engenharia social progressista, esse tipo de niilismo elevado a dogma que se manifesta através das “políticas de género”, entre outros exemplos. Estes parâmetros delimitam o espaço do aceitável, mais ainda, da única política possível, pois qualquer alternativa – dizem-nos – não passa de engano e demagogia, uma máscara que oculta as piores intenções. Tudo o que saia desse enquadramento, por qualquer dos quatro lados – político, económico, identitário ou social –, é suspeito de pecado. E receberá inevitavelmente o qualificativo de “populista” não como definição ideológica, mas como anátema moral. Pior ainda: como diagnóstico de uma doença infecto-contagiosa.
Na cultura política do segundo pós-guerra mundial, dominada pela retórica da esquerda, era comum desqualificar o adversário com o anátema maior de “fascista”, acusação incapacitante que, de forma automática, conduzia o acusado ao inferno de quem não tem direito à vida pública. Assim hoje, os líderes de opinião, geralmente herdeiros dos velhos mandarins progressistas e nutridos ideologicamente com o seu leite, sentenciam o mau com o estigma “populista”. Estigma ao qual, com frequência, se acrescenta o de “fascista”, claro.»

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 «¿Qué es para ellos un “populista”? Simplemente, alguien que no encaja en el molde prediseñado de la corrección política occidental. O sea, el malo.
Desde la caída del Muro de Berlín, en efecto, Occidente ha caminado hacia la construcción de un único espacio político válido definido por cuatro parámetros fundamentales: democracia representativa de partidos, economía encajada en el sistema financiero global, progresiva abolición de las identidades y fronteras nacionales y, en fin, ingeniería social progresista, ese tipo de nihilismo elevado a dogma que se manifiesta a través de las “políticas de género”, entre otros ejemplos. Estos parámetros delimitan el espacio de lo aceptable, aún más, de la única política posible, pues cualquier alternativa –nos dicen– no puede ser sino estafa y demagogia, máscara que oculta las peores intenciones. Todo el que se salga de ese marco, por cualquiera de los cuatro lados –el político, el económico, el identitario o el social–, es sospechoso de pecado. E inevitablemente recibirá el calificativo de “populista” no como definición ideológica, sino como anatema moral. Aún peor: como diagnóstico de una enfermedad infecto-contagiosa.
En la cultura política de la segunda posguerra mundial, dominada por la retórica de la izquierda, era común descalificar al adversario con el anatema mayor de “fascista”, acusación incapacitante que de forma automática conducía al acusado al infierno de quien no tiene derecho a la vida pública. Así hoy, los líderes de opinión, generalmente herederos de los viejos mandarines progresistas y criados ideológicamente a sus pechos, sentencian al malo con el estigma “populista”. Estigma que, con frecuencia, se suma al de “fascista”, por supuesto.»