Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

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15/05/2024

O espírito capitalista | El espíritu capitalista


«Sombart observa que, com o tempo, se produziu uma alteração na mentalidade burguesa e, por isso, fala da passagem do que designa por “burguês à moda antiga” (dos inícios do capitalismo no séc. XVIII) ao homem económico moderno, homo economicus. O burguês à antiga era “um empresário capitalista que procurava o lucro como objectivo e fundava empresas como um meio para alcançá-lo”, pois isto era considerado uma virtude burguesa. No entanto percebe-se que o burguês à antiga se guia, antes de tudo, pela consideração do bem e do mal: a riqueza não é um fim em si mesmo, mas um meio para criar e conservar valores em relação com a vida. Procura a calma e o descanso acima de tudo. Pelo contrário, o espírito do homem económico moderno caracteriza-se pela sua atracção pelo ilimitado e pelo infinito. Não é por acaso que, em A Decadência do Ocidente, Spengler fala dessa paixão “faustica” ocidental pelo ilimitado e pelo infinito. O homem económico moderno procura ganhar tanto quanto seja possível, fazer prosperar o seu negócio ao máximo, sem outro interesse além do próprio lucro. É uma lógica interminável: é, simultaneamente, ilimitada e, em sentido teleológico, sem outro fim à vista. A figura do Fausto de Goethe, aliado do demónio Mefistófeles, parece ser a imagem invertida do homem piedoso liberto das grilhetas eclesiásticas que estava só perante Deus. Os seus instrumentos são a magia e o dinheiro. Este livro apareceu precisamente nos alvores das revoluções técnica, industrial e económica ocidental. Goethe vê o amanhecer desta empresa sem precedentes, que tem como objectivo reconstruir o mundo, misturando o conformismo burguês e o Antigo Regime, ao qual já não lhe restam forças para continuar a existir. Fausto é a encarnação da nova aventura iniciada pelo capitalismo.

Livre do poder da racionalização, o homem de negócios moderno pode concentrar-se inteiramente em ampliar o seu comércio com a intenção de querer cada vez mais. A este último tortura-o a aspiração ao infinitamente grande: lucrum in infinitum, a procura do lucro pelo lucro. Mas a procura do lucro é necessária a qualquer economia capitalista que queira prosperar, pelo que deve sempre ir além das suas necessidades. Baudrillard interessou-se especialmente pelo acto do consumo no mundo moderno. O posicionamento do homem moderno é de um homem ávido do consumo interminável das “experiências” que lhe pode proporcionar o mundo comercial. Este mundo comercial não é, na realidade, mais do que um mercado do desejo que se vê obrigado a passar pela sedução (Michel Clouscard) e pelo espectáculo (no sentido em que Guy Debord o entende em A Sociedade do Espectáculo) como “fetichismo da mercadoria”, que foi teorizado primeiramente por Marx. O objectivo é controlar o universo simbólico para perpetuar e acentuar a lógica capitalista. Como diz Baudrillard em A Sociedade do Consumo: “É preciso experimentar tudo, porque, ao consumidor, persegue-o o medo de ‘perder’ alguma coisa, ou seja, o desfrute de qualquer tipo. Nunca sabe se tal ou qual contacto, tal ou qual experiência (Natal nas Canárias, enguia com whisky, museu do Prado, LSD, fazer amor à japonesa) não lhe causará uma ‘sensação’ única. Já não é o desejo, nem sequer o ‘gosto’ ou uma inclinação específica o que está em jogo; é uma curiosidade generalizada impulsionada por uma obsessão difusa: é a ‘moral da diversão’ ou o imperativo de divertir-se, de explorar ao máximo todas as possibilidades de se emocionar, desfrutar ou gratificar-se”.

É nessa orientação forçada da actividade capitalista onde reside a possibilidade psicológica tanto da aspiração ao infinitamente grande como ao infinitamente pequeno. A aspiração ao infinito só se pode satisfazer, por sua vez, mediante o desenvolvimento da técnica moderna e o ódio à harmonia natural. Esse desenvolvimento pretende “alcançar um estado que não se define por nada, a não ser pela capacidade de alcançar novos estados”, como explica Cornelius Castoriadis, e reintegrar desse modo o infinito no mundo material. Se os empresários quiserem seguir o ritmo das invenções tecnológicas, só o poderão fazer ampliando indefinidamente os seus negócios. Em consonância com esta evolução, produz-se o infinitamente pequeno através da contracção do tempo e da minimização de custos. O capitalismo, com a ajuda da tecnologia, determina o ritmo da vida espiritual do homem económico moderno, que se vê obrigado a apressar-se, ainda que não queira seguir por esse caminho. O que diferencia fundamentalmente o homem moderno do homem tradicional, é que ele deixou de ser a medida de todas as coisas. Os traços psíquicos do homem moderno definem-se por uma racionalização absoluta que impregna todos os âmbitos da vida, e uma proclamação da superioridade do lucro sobre todos os outros valores. De facto, certo número de virtudes burguesas, próprias do burguês de antigamente (diligência, poupança, honorabilidade), perderam-se no homem económico moderno e tornaram-se, pelo contrário, em princípios objectivos inerentes a toda a conduta económica. A natureza da actividade económica deixou de ser empírica (a economia da procura e do uso) para passar a ser racional (a economia da oferta e do intercâmbio).»

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«Sombart observa que con el tiempo se produjo un cambio en la mentalidad burguesa y por eso habla de un paso de lo que llama el “burgués de viejo cuño” (de los comienzos del capitalismo en el siglo XVIII) al hombre económico moderno, homo economicus. El burgués a la antigua era “un empresario capitalista que buscaba el beneficio como objetivo y fundaba empresas como un medio para alcanzarlo”, ya que esto era considerado como una virtud burguesa. Sin embargo, se entiende que el burgués a la antigua se guía ante todo por la consideración del bien y del mal: la riqueza no es un fin en sí mismo, sino un medio para crear y conservar valores en relación con la vida. Busca la calma y el descanso por encima de todo. En cambio, el espíritu del hombre económico moderno se caracteriza por su atracción por lo ilimitado y lo infinito. No es casualidad que en La decadencia de Occidente Spengler hable de esa pasión “fáustica” occidental por lo ilimitado o lo infinito. El hombre económico moderno busca ganar tanto como sea posible, hacer prosperar su negocio lo más que pueda, sin otro interés que la propia ganancia. Es una lógica interminable: a la vez ilimitada y, en sentido teleológico, sin otro fin a la vista. La figura del Fausto de Goethe, aliado del demonio Mefistófeles, parece ser una imagen invertida del hombre piadoso liberado de los grilletes eclesiásticos que estaba solo ante Dios. Sus instrumentos son la magia y el dinero. Precisamente este libro apareció en los albores de las revolución técnica, industrial y económica occidental. Goethe ve el amanecer de esta empresa sin precedentes que tiene como objetivo reconstruir el mundo, mezclando el conformismo burgués y el Antiguo Régimen al cual ya no le quedan fuerzas para continuar existiendo. Fausto es la encarnación de la nueva aventura iniciada por el capitalismo.

Libre del poder de la racionalización, el hombre de negocios moderno puede concentrarse enteramente en ampliar su comercio con la intención de querer cada vez más. A este último le tortura la aspiración a lo infinitamente grande: lucrum in infinitum, la búsqueda de la ganancia por la ganancia. Pero la búsqueda de la ganancia es necesaria para cualquier economía capitalista si quiere prosperar, por lo que siempre debe ir más allá de sus necesidades. Baudrillard se interesó especialmente por el acto de consumo en el mundo moderno. El planteamiento del hombre moderno es el de un hombre ávido de consumo interminable de “experiencias” que le puede proporcionar el mundo comercial. Este mundo comercial no es en realidad más que un mercado del deseo que se ve obligado a pasar por la seducción (Michel Clouscard) y el espectáculo (en el sentido en que Guy Debord la entiende en La sociedad del espectáculo) como “fetichismo de la mercancía”, que fue teorizado por primera vez por Marx. El objetivo es controlar el universo simbólico para perpetuar y acentuar la lógica capitalista. Como dice Baudrillard en La sociedad del consumo: “Hay que probarlo todo, porque al consumidor le persigue el miedo a ‘perderse’ algo, es decir, el disfrute de cualquier tipo. Nunca sabe si tal o cual contacto, tal o cual experiencia (Navidad en Canarias, anguila o whisky, el Prado, L.S.D., hacer el amor a la japonesa) no le producirá una ‘sensación’ distinta. Ya no es el deseo, ni siquiera el “gusto” o una inclinación específica lo que está en juego, es una curiosidad generalizada impulsada por una obsesión difusa: es la ‘moral de la diversión’ o el imperativo de divertirse, de explotar al máximo todas las posibilidades de emocionarse, disfrutar o gratificarse”.

Es esa orientación forzada de la actividad capitalista donde reside la posibilidad psicológica tanto de la aspiración a lo infinitamente grande como a lo infinitamente pequeño. La aspiración al infinito sólo puede satisfacerse, a su vez, mediante el desarrollo de la técnica moderna y el odio hacia la armonía natural. Este desarrollo pretende “alcanzar un estado que no se define por nada, salvo por la capacidad de alcanzar nuevos estados”, como explica Cornelius Castoriadis, y reintegrar de ese modo lo infinito en el mundo material. Si los empresarios quieren seguir el ritmo de las invenciones tecnológicas sólo podrán hacerlo ampliando indefinidamente sus negocios. En consonancia con esta evolución se produce lo infinitamente pequeño mediante la contracción del tiempo y la minimización de los costes. El capitalismo, con la ayuda de la tecnología, determina el ritmo de la vida espiritual del hombre económico moderno que se ve obligado a darse prisa, aunque no quiera seguir ese camino. Lo que diferencia fundamentalmente al hombre moderno del hombre tradicional es que ha dejado de ser la medida de todas las cosas. Los rasgos psíquicos del hombre económico moderno se definen por una racionalización absoluta que impregna todos los ámbitos de la vida y una proclamación de la superioridad de la ganancia sobre todos los demás valores. De hecho, cierto número de virtudes burguesas propias del burgués de antaño (diligencia, ahorro, honorabilidad) se han perdido en el hombre económico moderno y más bien se han convertido en principios objetivos inherentes a toda conducta económica. La naturaleza de la actividad económica ha pasado de ser empírica (la economía de la demanda y el uso) a ser racional (la economía de la oferta y el intercambio).»[artigo integral]

07/05/2024

A filantropia de George Soros | La filantropía de George Soros



«Um exemplo emblemático, entre os muitos disponíveis, oferece-nos o modus operandi do financeiro apátrida e arauto liberal-progressista da Open Society, George Soros. Em 1992 perpetrou um ataque especulativo contra a lira italiana e a libra esterlina, graças ao qual ganhou, numa única noite, uma imensa fortuna. Em concreto, pediu emprestados dez mil milhões de libras esterlinas e converteu-as em marcos alemães. Esperou que a libra se depreciasse nos mercados em 15% e, nesse momento, revendeu os marcos e obteve em troca quase doze mil milhões de libras. Deste modo pôde devolver os dez mil milhões que tinha pedido emprestados, mais os juros correspondentes, e ficar com o resto, com um benefício de cerca de dois mil milhões de libras esterlinas.

Nisto, Soros pode tomar-se como um exemplo “de manual” dessa especulação financeira que, em síntese, consiste em “apostar” e obter benefícios “jogando” com a diferença de preços no tempo e no espaço dos instrumentos financeiros, mercadorias e moedas, sem trazer nenhum valor acrescentado. Para que a especulação sobre a economia e sobre a sociedade se torne hegemónica, são condições indispensáveis o monopólio da moeda e a completa liberdade dos capitais. E foi com vista a este resultado que o capitalismo financeiro se desenvolveu, especialmente depois dos acordos de Bretton Woods e mediante os sucessivos processos de desregulamentação financeira.»

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«Un ejemplo emblemático, entre los muchos disponibles, nos lo ofrece el modus operandi del financiero apátrida y heraldo liberal-progresista de la Open Society, George Soros. En 1992 perpetró un ataque especulativo contra la lira italiana y la libra esterlina, gracias al cual ganó, en una sola noche, una inmensa fortuna. En concreto, pidió prestados diez mil millones de libras esterlinas y las convirtió en marcos alemanes. Esperó a que la libra se depreciara en los mercados un 15% y, en ese momento, revendió los marcos y obtuvo en el cambio casi doce mil millones de libras. De este modo pudo devolver los diez mil millones que había pedido prestados, con los intereses correspondientes, y quedarse el resto, con un beneficio de cerca de dos mil millones de libras esterlinas.

El de Soros puede tomarse como un ejemplo “de manual” de esa especulación financiera que, en síntesis, consiste en “apostar” y obtener beneficios “jugando” con la diferencia de precios en el tiempo y en el espacio de los instrumentos financieros, mercancías y monedas, sin aportar ningún valor añadido. Para que la especulación sobre la economía y sobre la sociedad se haga hegemónica, son condiciones indispensables el monopolio de la moneda y la completa libertad de los capitales. Y es con miras a este resultado que el capitalismo financiero se desarrolló, especialmente tras el final de los acuerdos de Bretton Woods y mediante los sucesivos procesos de desregulación financiera.» [artigo integral]

13/09/2023

BlackRock, um exemplo do turbocapitalismo | BlackRock, un ejemplo de turbocapitalismo


«BlackRock, para os iniciados, é a maior empresa do mundo na gestão de activos. Neste momento, gere mais de 10 biliões de US$ (biliões à europeia, com doze zeros) em fundos de pensões, dotações, fundos de investimento de diversos tipos, fideicomissos, etc. Isto equivale a mais de 10% do PIB mundial. Os seus fundos encontram-se entre os três maiores accionistas em mais de 80% das empresas do índice S&P 500, o maior da bolsa estado-unidense.
Como administrador de milhões de investidores, a BlackRock exerce um amplo poder de voto, que utiliza para sustentar equipas de gestores, para orientá-las em novas direcções ou para enviá-las para casa, caso não façam o que lhes diz.

A BlackRock tem as suas garras cravadas em todo o lado, ao ponto de, em 2020, ter anunciado que pressionará empresas em todo o mundo para que tenham uma maior diversidade étnica e de género nas suas administrações e quadros do pessoal, utilizando a sua influência – uma vez que é accionista, através dos seus fundos, em numerosas empresas de quase todos os sectores – para votar contra as direcções que não tomem medidas neste sentido.

Para começar, a BlackRock tem estado a pedir às empresas estado-unidenses que revelem a composição racial, étnica e de género dos seus empregados, como parte das medidas que tomam para promover a diversidade e a inclusão. Não é conversa fiada. Em 2021, Engine No.1 LLC, um fundo activista a favor do capitalismo-progressista (woke capitalism), ganhou uma batalha pelo poder na gigantesca petroleira Exxon Mobil Corp. apesar de ser minúsculo e deter apenas um punhado de acções; tinha, em compensação, o apoio dos grandes administradores de participações como a BlackRock Inc.: a Engine No.1 deu à BlackRock o que queria (influência prática sobre a Exxon), e a BlackRock deu à Engine No.1 o que queria (a vitória numa luta pelo poder).»

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«BlackRock, para los iniciados, es la mayor firma de gestión de activos del mundo. Ahora mismo, gestiona más de US$10 billones (con B, de los billones nuestros: es decir, unas seis economías españolas) en fondos de pensiones, dotaciones, fondos de inversión de diversos tipos, fideicomisos, etc. Esto equivale a más del 10% del producto interior bruto mundial. Sus fondos se encuentran entre los tres mayores accionistas en más del 80% de las empresas del índice S&P 500, el mayor de la bolsa estadounidense.
Como administrador de millones de inversores, BlackRock ejerce un amplio poder de voto, que utiliza para respaldar a equipos gestores, para empujarlos en nuevas direcciones o para enviarlos a su casa si no hacen lo que dice. BlackRock es accionista clave en, por ejemplo, Iberdrola, donde de momento tolera al presidente Ignacio Galán.

BlackRock tiene sus zarpas por todos lados, hasta el punto de que en 2020 anunció que pondrá presión sobre empresas de todo el mundo para que consigan una mayor diversidad étnica y de género en sus juntas directivas y su plantilla, usando su gran influencia –dado que es accionista, a través de sus fondos, en numerosas firmas de casi todos los sectores– para votar en contra de los directivos que no tomen medidas en este sentido.

Para empezar, BlackRock ha estado pidiendo a las empresas estadounidenses que revelen la composición racial, étnica y de género de sus empleados, como parte de las medidas que están tomando para promover la diversidad e inclusión. No va de farol. En 2021, Engine No.1 LLC, un fondo activista en favor del progrecapitalismo (woke capitalism), ganó una batalla por el poder en la gigantesca petrolera Exxon Mobil Corp. pese a ser minúsculo y tener sólo un puñado de acciones; lo que tenía es el apoyo de grandes administradores de índices como BlackRock Inc.: Engine No.1 le dio a BlackRock lo que quería (influencia práctica sobre Exxon), y BlackRock le dio a Engine No.1 lo que quería (una victoria en una pelea por el poder).»

12/07/2023

Dinheiro, imprensa e liberalismo | Dinero, prensa y liberalismo


«Não há nenhum movimento proletário, nem sequer comunista, que não actue pelo interesse do dinheiro, na direcção assinalada pelo dinheiro, e com a duração marcada pelo dinheiro — sem que disso se apercebam os líderes que são verdadeiramente idealistas [nota: O grande movimento que utiliza os lemas marxistas não colocou os patrões na dependência dos trabalhadores, antes colocou a ambos — patrões e trabalhadores — sob a dependência da Bolsa]. O dinheiro pensa; o dinheiro dirige; tal é o estado das culturas decadentes, desde que a grande cidade se apoderou do resto do país. E, em última instância, não é sequer em menosprezo do espírito, o qual terminou vencedor, mas vencedor no reino das verdades, ou seja, no reino dos livros e dos ideais, reino que não é deste mundo. Os seus conceitos tornaram-se sagrados para a civilização incipiente. Mas o dinheiro vence no seu reino, que pertence precisamente a este mundo e só a este. [...]

Em Inglaterra descobriu-se o ideal da liberdade de imprensa e, ao mesmo tempo, o facto de que a imprensa serve a quem a possui. A imprensa não propaga, antes cria a opinião "livre".

As duas coisas juntas são o «liberalismo», isto é, são livres dos constrangimentos da vida apegada à terra, seja em direitos, formas ou sentimentos. O espírito é livre para toda a espécie de crítica, e o dinheiro é livre para todo o tipo de negócio. Mas ambas também se orientam, sem contemplações, para uma classe que não reconhece sobre si a superioridade do Estado. O espírito e o dinheiro, dado que são inorgânicos, não querem o Estado, como forma orgânica de alto simbolismo, que impõe respeito, antes como o mecanismo que serve para determinada finalidade.»

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«No hay movimiento proletario, ni siquiera comunista, que no actúe en interés del dinero y en la dirección marcada por el dinero y con la duración fijada por el dinero —sin que de ello se aperciban aquellos de los jefes que son verdaderamente idealistas [nota: El gran movimiento que hace uso de los lemas marxistas no ha puesto a los patronos bajo la dependencia de los trabajadores, sino que ha puesto a ambos —patronos y trabajadores— bajo la dependencia de la Bolsa]. El dinero piensa; el dinero dirige; tal es el estado de las culturas decadentes, desde que la gran ciudad se ha adueñado del resto del país. Y en última instancia no es siquiera en menoscabo del espíritu, el cual ha resultado vencedor, pero vencedor en el reino de las verdades, es decir, en el reino de los libros y los ideales, reino que no es de este mundo. Sus conceptos se han tornado sagrados para la civilización incipiente. Pero el dinero vence en su reino, que precisamente pertenece a este mundo y sólo a éste. [...]

En Inglaterra descubrióse el ideal de la libertad de prensa y, al mismo tiempo, el hecho de que la prensa sirve a quien la posee. La prensa no propaga, sino que crea la opinión «libre».

Ambas cosas juntas son «liberalismo», esto es, son libres de las constricciones de la vida, adherida a la tierra, ya sean derechos, formas o sentimientos. El espíritu es libre para toda especie de critica y el dinero es libre para toda clase de negocio. Pero ambas también se orientan, sin contemplaciones, hacia el predominio de una clase que no reconoce sobre sí la superioridad del Estado. El espíritu y el dinero, puesto que son inorgánicos, no quieren el Estado, como forma orgánica de alto simbolismo, que impone respeto, sino como mecanismo que sirve para determinada finalidad.»

04/05/2023

França contra Macron | Francia contra Macron



«A esquerda diz estar em pé de guerra contra a reforma das pensões levada a cabo pelo presidente da República, e grita "Macron demissão". Mas, como esquecer que essa mesma esquerda contribuiu para a sua eleição, duas vezes consecutivas, em 2017 e em 2022? [...]

Refugiado atrás das instituições da V República que, convém recordar, dão preeminência ao executivo e permitem ao presidente da República, inclusivamente, impor uma suspensão excepcional da legalidade (artigo 16), Emmanuel Macron não teme nem a rua nem a impopularidade.
Se faltam munições aos nossos exércitos, esse não é o caso das nossas "forças da ordem", que estarão sempre aí para proteger o poder. E os polícias e guardas suplementares que estão a ser recrutados para os Jogos Olímpicos, não serão depois despedidos, é óbvio que não.
"A república tem sorte, pode fuzilar o povo", disse, desiludido, o rei Luís Filipe no exílio. Apostamos que Emmanuel Macron não duvidará em fazê-lo, se for necessário. Os coletes amarelos que ficaram vesgos, podem testemunhá-lo. [...]

É verdade que a popularidade de Emmanuel Macron e do seu governo não é grande coisa. E, em muitos aspectos, a reforma das pensões foi, para muitos, a iniciativa que ia longe de mais. Mas, o que muda realmente?
Não muito, porque, em qualquer caso, Emmanuel Macron não pode apresentar-se a outro mandato. E tratam-se apenas de sondagens, não de votações. Na Assembleia Nacional sempre se acabará por encontrar uma maioria, graças à esquerda e à "Republique en marche", cujos deputados estarão sempre dispostos a ir comer à gamela.

De qualquer modo, na pós-democracia europeia, a função do Estado já não consiste em responder às necessidades e expectativas dos cidadãos, mas em impor as mudanças desejadas pela oligarquia. A sua função é meramente coerciva.»

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«La izquierda dice estar en pie de guerra contra la reforma de las pensiones emprendida por el presidente de la República, y grita "Macron dimisión". Pero ¿cómo olvidar que esa misma izquierda le hizo salir elegido, dos veces consecutivas, en 2017 y en 2022? [...]

Refugiado tras las instituciones de la V República que, conviene recordar, dan preeminencia al ejecutivo e incluso permiten al presidente de la República imponer una suspensión excepcional de la legalidad (artículo 16), Emmanuel Macron no teme ni a la calle ni a la impopularidad.
Si a nuestros ejércitos les faltan municiones, no es el caso de nuestras "fuerzas del orden", que siempre estarán ahí para proteger al poder. Y los policías y gendarmes suplementarios que se están reclutando para los Juegos Olímpicos no serán despedidos después, desde luego que no.
"La república tiene suerte, puede fusilar al pueblo", dijo desilusionado el rey Luis Felipe en el exilio. Apostemos a que Emmanuel Macron no dudará en hacerlo, si es necesario. Los chalecos amarillos que han quedado tuertos pueden dar fe de ello. [...]

Es cierto que la popularidad de Emmanuel Macron y de su gobierno no es buena. Y en muchos aspectos, la reforma de las pensiones ha sido, para muchos, la iniciativa que iba demasiado lejos. Pero, ¿qué cambia realmente?
No mucho, porque en cualquier caso Emmanuel Macron no puede presentarse a otro mandato. Y se trata tan sólo encuestas, no de votaciones. En la Asamblea Nacional siempre acabará encontrando una mayoría, gracias a la izquierda y a La République en marche, cuyos diputados siempre estarán dispuestos a ir al comedero.

En cualquier caso, en la posdemocracia europea, la función del Estado ya no consiste en responder a las necesidades y expectativas de la población, sino en imponer los cambios que desea la oligarquía. Su función es meramente coercitiva.»

01/04/2023

As reformas de Macron | Las reformas de Macron


«Um simples cálculo, feito a partir do projecto de reforma, demonstra que não se obterão poupanças reais e significativas no orçamento do Estado francês. Segundo os números oficiais, estão em causa 18 mil milhões de euros por ano, mas tal quantia é insignificante quando se compara com os investimentos multimilionários de Macron na energia nuclear (uns 50 mil milhões de euros), ou com o orçamento da defesa (cerca de 100 mil milhões de euros). Além disso, o aumento dos juros, devido ao endurecimento da política monetária do Banco Central Europeu, oscilará entre 60 mil e 90 mil milhões de euros por ano. O portal financeiro Nasdak diz que "o déficit provocado pelas pensões também é pequeno em comparação com o custo das medidas introduzidas em resposta à crise provocada pela pandemia (165 mil milhões de euros), ou pela energia (uns 100 mil milhões de euros)". E por essa razão Alesia Miloradovic, uma assessora da Academia geopolítica de Paris, declarou ao FGC que "a grande maioria dos franceses sabe que Macron não passa de uma marioneta dos fundos de investimento, como o BlackRock, os quais colocaram a economia francesa ao seu serviço. Por isso, muitos consideram que o actual presidente de França segue as ordens do globalismo, para a abolição completa das pensões".»

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«Un simple cálculo hecho a partir del proyecto de reforma demuestra que no se producirán realmente ahorros significativos en el presupuesto nacional. Según las cifras oficiales solo se obtendrán 18.000 millones de euros al año, pero tales cifras son insignificantes si las comparamos con las multimillonarias inversiones de Macron en la energía nuclear (unos 50.000 millones de euros) o el presupuesto de defensa (alrededor de 100.000 millones de euros). Además, el aumento de los intereses debido al endurecimiento de la política monetaria del Banco Central Europeo oscilará entre 60.000 y 90.000 millones de euros al año. El portal financiero Nasdak dice que “el déficit causado por las pensiones también es pequeño en comparación con el coste de las medidas introducidas en respuesta a la crisis provocada por la pandemia (165.000 millones de euros) o la energía (unos 100.000 millones de euros)”. Es por esa razón que Alesia Miloradovic, una asesora de la Academia geopolítica de París, dijo a FGC que “la gran mayoría de los franceses sabe que Macron no es más que una marioneta de los fondos de inversión como BlackRock, los cuales han puesto a la economía francesa a su servicio. Es por esa razón que muchos consideran que el actual presidente de Francia sigue las órdenes del globalismo de abolir por completo las pensiones”.»

20/11/2022

As elites neoliberais | Las élites neoliberales



«Ao falar do modelo neoliberal como base do mundo ocidental moderno, é importantíssimo recordar que não se trata apenas da economia, é todo um estilo de vida que, inevitavelmente, implica aspectos culturais, espirituais, sociológicos, sociais, políticos e ideológicos. Se o capitalismo clássico se baseava, para o seu desenvolvimento, no poder dos capitais das elites económicas de cada país, as quais se convertiam automaticamente em hierarquias políticas e definiam um equilíbrio entre a produção, a exploração e o bem-estar das suas populações, das quais necessitavam para o seu crescimento económico e o voto político para reafirmar a legitimidade do seu poder, o que sucede agora é muito diferente.

As elites que hoje pretendem governar o mundo já não são nacionais, e em vez de representar um capital produtivo, que no século passado assegurava um desenvolvimento socialmente injusto, mas, apesar de tudo, algum tipo de desenvolvimento, agora já não produzem nada, são o resultado das especulações financeiras e já não pretendem explorar ninguém; a maioria dos seres humanos sobram-lhes como um fardo social para os orçamentos cada vez mais diminutos dos estados nacionais, que são na realidade, há já algum tempo, meras sucursais de uma empresa planetária, na qual os governos dos países são gerentes locais, teleguiados por campanhas de marketing, organismos financeiros internacionais e normas impostas.»

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«Hablando del modelo neoliberal, como la base del mundo occidental moderno, es importantísimo recordar que se trata no solo de la economía, es todo un estilo de vida, que inevitablemente implica aspectos culturales, espirituales, sicológicos, sociales, políticos e ideológicos. Si el capitalismo clásico para su desarrollo se basaba en el poder de los capitales de las élites económicas de cada país, las que automáticamente se convertían en las jerarquías políticas y definían un equilibrio entre la producción, explotación y el bienestar de sus poblaciones, de quienes necesitaban para su crecimiento económico y el voto político para reafirmar la legitimidad de su poder, lo que sucede ahora es muy diferente.

Las élites que hoy pretenden gobernar el mundo ya no son nacionales, y en vez de representar un capital productivo, que en el siglo pasado aseguraba un desarrollo socialmente injusto, pero después de todo, algún tipo del desarrollo, estas no producen nada, son resultado de las especulaciones financieras y ya no pretenden a explotar a nadie; la mayoría de los seres humanos les sobran como una carga social para cada vez más raquíticos presupuestos de los estados nacionales, que en realidad desde hace tiempo son sucursales de una empresa planetaria, donde los gobiernos de países son gerentes locales teledirigidos vía campañas de marketing, organismos financieros internacionales y las sanciones.»

11/08/2022

A hora da “governança” | La hora de la “gobernanza”



«Ainda que a eficácia do ethos ocidental da liberdade tenha entrado em erosão nos últimos anos, os valores liberais continuam ameaçados por inimigos aos quais é preciso desumanizar. Entre eles encontram-se as potências que competem com o Ocidente, como a Rússia e a China. Com a repetitiva campanha informativa, incitou-se as gentes contra um grupo de pessoas, os russos – e em breve também contra os chineses – que se opõem aos dogmas do liberalismo. Desta vez perdoa-se a intolerância, e até se incita as gentes do Ocidente a odiar.

No entanto, não é Putin, nem o politburo comunista chinês, quem assusta os jovens com a catástrofe climática e a destruição do mundo, mas os (falsos) meios de comunicação do poder ocidental e um pequeno grupo de especialistas e cientistas. Não é a Rússia que está a espremer os agricultores dos países do euro, colocando deliberadamente em perigo a produção alimentar; pelo contrário, também isso está a ser utilizado em benefício dos interesses egoístas da elite económica. É a mesma agenda, que está a ser promovida pela política de emissões zero, que é imposta ao Ocidente.

Todas as instituições, empresas e governos ocidentais apoiam com orgulho as qualificações ESG [Environmental, Social and Corporate governance – Governança Ambiental, Social e Corporativa] de “investimento responsável” inventadas pelos poderes fácticos, que estão a arruinar as pequenas empresas em todo o Ocidente. A mesma rede, impulsionada por gigantes do investimento como o grupo Vanguard ou BlackRock, proclama com orgulho a necessidade de uma “governança global”; num estado de “emergência climática”, já não existe lugar para as normas democráticas e para a opinião pública.

Ironicamente, nada ameaça mais o consenso do pós-guerra que os mesmos que exaltam os valores liberais contra o “autoritarismo”. A classe bilionária e o seus sequazes defendem publicamente um mundo de valores que, ao mesmo tempo, estão a erradicar rapidamente. Conseguirão as pessoas ver através desta ofuscação e hipocrisia? Talvez, quando passarmos da actual democracia do oligopólio à tirania aberta do ecofascismo e da tecnocracia.»

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«Aunque la eficacia del ethos occidental de la libertad ha comenzado a erosionarse en los últimos años, los valores liberales siguen estando amenazados por enemigos a los que hay que deshumanizar. Entre ellas se encuentran las potencias que compiten con Occidente, como Rusia y China. Con la campaña de la cinta informativa, ya se ha incitado a la gente contra un grupo de personas, los rusos - pronto seguramente también los chinos - contra los dogmas del liberalismo. Esta vez se excusa la intolerancia e incluso se incita a la gente de Occidente a odiar.

Sin embargo, no son Putin ni el politburó comunista chino los que asustan a los jóvenes con la catástrofe climática y la destrucción del mundo, sino los medios de comunicación (falsos) del poder occidental y un grupo selecto de expertos y científicos. No es Rusia la que está exprimiendo a los agricultores de los países del euro y poniendo en peligro deliberadamente la producción de alimentos, sino que esto también se está utilizando para servir a los intereses egoístas de la élite económica. La misma agenda está siendo promovida por la política de emisiones cero que se está imponiendo en Occidente.

Todas las instituciones, empresas y gobiernos occidentales apoyan con orgullo las calificaciones ESG de “inversión responsable” inventadas por los poderes fácticos, que están acabando con las pequeñas empresas en todo Occidente. La misma red, impulsada por gigantes de la inversión como el Grupo Vanguard y BlackRock, proclama con orgullo la necesidad de una “gobernanza global”; en un estado de “emergencia climática”, ya no hay el menor lugar para las normas democráticas y la opinión pública.

Irónicamente, nada amenaza más el consenso de la posguerra que los mismos que ensalzan los valores liberales contra el “autoritarismo”. La clase multimillonaria y sus secuaces defienden públicamente un mundo de valores que al mismo tiempo están erradicando rápidamente. ¿Puede la gente ver a través de esta ofuscación e hipocresía? Quizá cuando pasemos de la actual democracia de la nieve del oligopolio a la tiranía abierta del ecofascismo y la tecnocracia.»

24/07/2022

No mundo da globalização | En el mundo de la globalización



«O alarme foi dado por Christopher Lasch em 1994: o hipercrescimento da economia global e a insustentabilidade dos sistemas de bem-estar social estavam a criar um novo fosso. Tal como Ortega y Gasset predisse em 1927 a “rebelião das massas”, hoje podia falar-se de uma “rebelião das elites”. Com efeito, nas nossas sociedades pós-modernas, desconjuntadas e entregues ao niilismo da máquina, o problema já não é o assalto das massas urbanas ao poder social, contra as velhas hierarquias. O problema de hoje é que as elites, os que mandam, os que dirigem este difícil caos, renunciaram a qualquer sentido de responsabilidade.

Refugiados nas suas luxuosas zonas residenciais, longe da comunidade e alheios aos procedimentos democráticos de eleição (nos quais, no entanto, a gente comum continua a acreditar a pés juntos), a Nova Classe dos políticos profissionais, dos comunicadores famosos e dos banqueiros anónimos, limita-se a governar de forma cada vez mais impessoal – e, portanto, cada vez mais irresponsável – os dados frios da vida social. O rosto da tecnocracia é hoje omnipresente. Nada se pode fazer contra eles, porque já não se vêem. No velho mundo mandavam os imperadores; hoje mandam os reguladores. Esta era a mensagem de Christopher Lasch.

O que Lasch descreve é, nem mais nem menos, a morte do sistema democrático. O que constata em primeiro lugar é o enorme fosso que se abriu entre o povo e os seus “representantes”. Os primeiros, a gente da rua, está a começar a experimentar na própria carne os perigos do “progresso” técnico e económico: grandes bolsas de pobreza, deterioração ambiental, etc. Por isso foi alastrando entre o povo um agudo clima de desconfiança relativamente ao sistema e às suas instituições. Os “representantes”, pelo contrário, levaram o discurso progressista ao paroxismo – capitalismo primário, industrialização total, etc. – e tratam de impô-lo por todo o lado, sejam quais forem as suas consequências. Estes “representantes” só o são a título nominal; de facto, raras vezes são eleitos democraticamente. No entanto, têm nas suas mãos todos os mecanismos de informação e propaganda, dum modo que acabam sempre por impor as suas decisões. Os mecanismos do poder social tornaram-se cada vez mais subtis. Surge assim uma nova elite de poderosos que são cada vez mais poderosos, porque só eles entendem – ou assim nos dizem – os mecanismos da ordem económica e social, frente a uma massa popular dominada, que se vê cada vez mais dominada, precisamente porque carece da instrução técnica necessária para controlar esse “misterioso mecanismo” que, como um sopro mágico, rege as sociedades complexas. A possibilidade de mobilidade social, de promoção profissional ou da elevação do status económico, requisito sacrossanto das democracias, esfuma-se. No seu lugar aparecem umas sociedades claramente divididas em duas partes: em cima, o reduzido número dos controladores; em baixo, o número cada vez maior dos controlados. É a morte da democracia.»

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«La voz de alarma la dio hacia 1994 Christopher Lasch: el hipercrecimiento de la economía global y la insostenibilidad de los sistemas de bienestar estaban abriendo una nueva brecha. Así como Ortega y Gasset predijo en 1927 la “rebelión de las masas”, hoy cabía hablar de una “rebelión de las elites”. En efecto, en nuestras sociedades posmodernas, descoyuntadas y entregadas al nihilismo de la máquina, el problema ya no es que las masas urbanas vengan al poder social contra las viejas jerarquías. El problema de hoy es más bien que las elites, los que mandan, los que dirigen este difícil caos, han renunciado a cualquier sentido de la responsabilidad.

Refugiados en sus lujosas zonas residenciales, lejos de la comunidad y ajenos a los procedimientos democráticos de elección (en los cuales, sin embargo, la gente sigue creyendo a pies juntillas), la Nueva Clase de los políticos profesionales, los comunicadores famosos y los banqueros anónimos se limita a gobernar de forma cada vez más impersonal –y, por tanto, cada vez más irresponsable– los datos fríos de la vida social. El rostro de la tecnocracia es hoy omnipresente. Nadie puede nada contra ellos, porque ya no se les ve. En el viejo mundo mandaban los emperadores; hoy mandan los reguladores. Tal venía a ser el mensaje de Christopher Lasch.

Lo que Lasch describe es ni más ni menos que la muerte del sistema democrático. Lo primero que constata es que se ha abierto una fosa enorme entre el pueblo y sus “representantes”. Los primeros, la gente de la calle, están empezando a experimentar en carne propia los peligros del “progreso” técnico y económico: grandes bolsas de pobreza, deterioro ambiental, etc. Por eso se ha ido extendiendo entre el pueblo un agudo clima de desconfianza hacia el sistema y sus instituciones. Los “representantes”, por el contrario, han llevado el discurso progresista al paroxismo –capitalismo primario, industrialización total, etc.– y tratan de imponerlo por todas partes, sean cuales fueren las consecuencias. Estos “representantes” lo son sólo a título nominal: de hecho, rara vez son elegidos democráticamente. Sin embargo, tienen en sus manos todos los mecanismos de la información y la propaganda, de manera tal que siempre terminan imponiendo sus decisiones. Los mecanismos del poder social se han hecho cada vez más sutiles. Surge así una nueva elite de poderosos que son cada vez más poderosos, porque sólo ellos entienden –o eso se nos dice– los mecanismos del orden económico y social, frente a una masa popular dominada que se ve cada vez más dominada, precisamente porque carece de la instrucción técnica precisa para controlar ese “misterioso mecanismo” que, a modo de aliento mágico, rige las sociedades complejas. La posibilidad de la circulación social, de la promoción profesional o de la elevación del status económico, requisito sacrosanto de las democracias, se esfuma. En su lugar aparecen unas sociedades claramente escindidas en dos: arriba, el reducido número de los controladores; abajo, el número cada vez mayor de los controlados. Es la muerte de la democracia.»

04/07/2022

Capitalismo de emergência (e 4) | Capitalismo de emergencia (y 4)




«É habitual os impérios sofrerem uma morte lenta e dolorosa ao negar a causa do seu colapso. A queda do mundo capitalista dirigido pelos Estados Unidos começou há mais de meio século e tem sido adiada pelas vagas de falsa riqueza alimentadas pela criação de dinheiro (dívida) da qual se beneficiou uma pequena elite, enquanto sobrecarregava as massas com dívidas e miséria.

O actual capitalismo financeiro baseia-se na impressão e difusão de dinheiro sem sentido, para compensar a mais-valia que desaparece rapidamente. Se os EUA tiveram um período de crescimento relativo nos anos 90, apesar dos baixos salários e do aumento da produtividade, tal deveu-se ao consumo que se sustentou cada vez mais no crédito.
A globalização proporcionou uma saída para o “esgotado modo de produção fordista” mas, ao mesmo tempo, amarrou-se a pirâmides de dívida progressivamente maiores e a excessos especulativos, fazendo com que o sistema se tornasse cada vez mais instável.

A ‘pandemia’ foi utilizada como um escudo global para a impressão de dinheiro e para um endividamento sem precedentes: durante a crise das taxas de juro, a Reserva Federal imprimiu mais dinheiro fiduciário num ano do que em todos os seus programas de estímulo monetário desde 2008. No entanto, Vigh afirma que é provável que a crise da dívida e do mercado de valores se adie um pouco mais. O grande final – “um colapso bíblico para além da mais destravada imaginação, desencadeado pela explosão de uma hiper-borbulha no mercado da dívida” – é actualmente protelado pelo “impacto da inflação na economia real”.

Isto significa que o “índice de miséria” (a combinação da inflação e do desemprego) continuará a subir. Assim, em certo sentido, estamos a regressar à “pré-história do capitalismo”, uma sociedade de classes com uma elite rica, e pobres. A actual “violência bio e geopolítica” (vírus, guerra e outras futuras emergências mundiais) é parte integrante deste processo: uma tentativa deliberada de controlar o colapso por meios autoritários.
Segundo Vigh, que leu Marx, só temos uma opção real: ou nos libertamos “dos modelos de mercadoria, do valor e da moeda, e portanto do modelo do capital como tal”, ou nos veremos arrastados a “uma nova era obscura de violência e reacção”. Dada a ganância e a ânsia de poder dos círculos financeiros, a última opção é, para nossa desgraça, a mais provável.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

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«Es común que los imperios sufran una muerte lenta y dolorosa al negar la causa de su colapso. La caída del mundo capitalista dirigido por Estados Unidos comenzó hace más de medio siglo y sólo se ha retrasado por las oleadas de falsa riqueza alimentadas por la creación de dinero (deuda) que ha beneficiado a una pequeña élite mientras cargaba a las masas con deudas y miseria.

El capitalismo financiero actual se basa en la impresión y difusión sin sentido de dinero para compensar la plusvalía que desaparece rápidamente. Si EE.UU. tuvo un periodo de crecimiento relativo en los años 90, a pesar de los bajos salarios y el aumento de la productividad, fue porque el consumo se sustentó cada vez más en el crédito.
La globalización proporcionó una salida al "agotado modo de producción fordista", pero al mismo tiempo se ató a pirámides de deuda cada vez mayores y a excesos especulativos, haciendo que el sistema fuera cada vez más inestable.

La 'pandemia' se utilizó como escudo global para la impresión de dinero y el endeudamiento sin precedentes: durante la crisis de los tipos de interés, la Reserva Federal imprimió más dinero fiduciario en un año que en todos sus programas de estímulo cuantitativo desde 2008. Sin embargo, Vigh afirma que es probable que la crisis de la deuda y del mercado de valores se retrase aún más. El gran final – "un colapso bíblico más allá de nuestras más descabelladas imaginaciones, encendido por la explosión de una hiperburbuja del mercado de deuda"- se está posponiendo actualmente por el "bombo de la inflación en la economía real".

Esto significa que el "índice de miseria" (la combinación de la inflación y el desempleo) seguirá aumentando. Así que en cierto sentido estamos volviendo a la "prehistoria del capitalismo", una sociedad de clases de élites ricas y pobres. La actual "violencia bio y geopolítica" (virus, guerra y otras futuras emergencias mundiales) es parte integrante de este proceso; un intento deliberado de controlar el colapso por medios autoritarios.
Según Vigh, que leyó a Marx, sólo tenemos una opción real: o nos liberamos de "las formas de la mercancía, el valor y la moneda, y por tanto de la forma del capital como tal", o nos vemos arrastrados a "una nueva era oscura de violencia y reacción". Dada la codicia y el ansia de poder de los círculos financieros, la última opción es, por desgracia, la más probable.» (Markku Siira / Fabio Vighi)