Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

Mostrar mensagens com a etiqueta Élisabeth Lévy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Élisabeth Lévy. Mostrar todas as mensagens

09/08/2022

A invasão turística (e 2) | La invasión turística (y 2)



«No entanto, não é apenas a questão do dinheiro que explica a tolerância atribuída ao turista, quando o trabalhador é designado como o agente da catástrofe climática. Na era do low-cost e da internet, percorrer o planeta tornou-se em mais um direito humano, e talvez seja mesmo, nos dias de hoje, o único direito cuja dignidade é superior ao do próprio planeta. O turista tem todos os direitos, incluindo o de reclamar, nas catedrais, que os horários das missas sejam adaptados à sua conveniência.

Reconhecendo que é urgente reflectir sobre a melhor canalização do fluxo de visitantes, o Le Monde precisa que não se trata de retirar aos chineses ou aos indianos o direito de tomar parte nesta democratização da viagem. De facto, não vemos com que argumento se proibiria a estes últimos de vir ver a Mona Lisa quando, desde há trinta anos, se repete às classes médias ocidentais que a mobilidade é a essência da existência. Isto leva a que o povo, mesmo quando está notavelmente enraizado no seu lugar de origem, também queira a sua dose anual de exposição ao sol e de autenticidade preparada. Perfeito, há para todas as bolsas.

O paradoxo do caso é que, no momento em que a transformação do mundo pelo turismo está em vias de se realizar integralmente, ninguém quer ser tratado por turista, e desde logo as classes sociais de educação mais elevada. O turista é sempre o outro. O parolo que se desloca em rebanho. Os que têm mais nível, viajam. Excepto que, quando suam em bica à espera de visitar Angkor, as Pirâmides ou o Santo Sepulcro, ricos e pobres são bastante parecidos.»

* * * * *

«Sin embargo, solo los temas de dinero no explican la tolerancia de la que se beneficia el turista, cuando el trabajador es designado como el agente de la catástrofe climática. En la era del low-cost y de internet, recorrer el planeta se ha convertido en un derecho humano más, puede ser incluso el único que sea hoy superior en dignidad al del planeta mismo. El turista tiene todos los derechos, incluyendo el de reclamar que, en las catedrales, los horarios de las misas sean adaptados para no molestarles demasiado.

Reconociendo que es urgente reflexionar sobre la mejor canalización del flujo de visitantes, Le Monde precisa que no se trata de quitar a los chinos o a los indios el derecho de tomar parte en esta democratización del viaje. De hecho, no vemos con qué argumento se prohibiría a estos últimos venir a ver la Mona Lisa mientras que, desde hace treinta años, se repite a las clases medias occidentales que la movilidad es la esencia de la existencia. Esto lleva a que el pueblo, incluso cuando está notablemente arraigado en su lugar de origen, quiere también su dosis anual de puesta de sol y de autenticidad preparada. Perfecto, hay para todos los bolsillos.

La paradoja del asunto es que, en el momento en el que la transformación del mundo por el turismo está en vías de realizarse íntegramente, nadie quiere ser tratado de turista, no desde luego las clases sociales con mejor educación. El turista siempre es el otro. El paleto que se desplaza en rebaño. Los de más nivel, viajan. Salvo que, cuando sudan esperando visitar Angkor, las Pirámides o el Santo Sepulcro, ricos y pobres se parecen bastante.»

07/08/2022

A invasão turística (1) | La invasión turística (1)



«Para entender a transformação do planeta em “universo excursionário” e a dos nossos velhos lugares em parques de atracções, onde o turista vem contemplar os vestígios daquilo que o turismo destrói, não há melhor guia que o escritor que foi o cronista implacável desta mutação. O turismo é, com efeito, a actividade festiva e pós-histórica por excelência desde o momento em que, sob a ideia de aprender com as diferenças, não fez mais do que colocá-las sob a sua bitola, reclamando que nos adaptemos a ela e às suas necessidades calibradas. Nada se parece mais com uma multidão a sair de um autocarro em Roma, depois de vinte e quatro horas de viagem, que outra multidão a sair do mesmo veículo em São Petersburgo ou na Normandia. “É todo o lúgubre paradoxo do nosso tempo: apagar o “outro lugar” através da uniformização mundialista, e vender depois esse “outro lugar” destruído como um “outro lugar” autêntico, certificado”, escreve Muray. A isto, é preciso acrescentar que o turista contemporâneo não se alimenta só de hambúrgueres, também quer comer e divertir-se. Pede o seu lote de festivais, concertos e outros ajuntamentos, quer tradições esquecidas e recicladas ao gosto actual, e grandes eventos desportivos.

Infelizmente, todos esses esforços têm resultados. Os turistas sabem-no. Nem os ladrões, nem a falta de lavabos públicos, nem as greves dos transportes, não há nada que atenue o fluxo contínuo que se verte sobre as grandes cidades europeias, orgulhosas por se terem convertido em “cidades-mundo”. E converteu-se numa tradição anual, o anúncio triunfal, por um ministro, dos “números do turismo” com a imprensa a aplaudir.»

* * * * *

«Para entender la transformación del planeta en “universo excursionario” y la de nuestros viejos lugares en parques de atracciones donde el turista viene a contemplar los vestigios de lo que el turismo destruye, no hay mejor guía que el escritor que ha sido el cronista implacable de esta mutación. El turismo es, en efecto, la actividad festiva y posthistórica por excelencia desde el momento en que, bajo la idea de aprender de las diferencias, no ha hecho más que ponerlas bajo su vara de medir reclamando que nos adaptemos a ella y a sus necesidades calibradas. Nada se parece más a una multitud bajando de un autobús en Roma después de veinticuatro horas de viaje que otra multitud bajándose del mismo vehículo en San Petersburgo o en Normandía. “Es toda la paradoja lúgubre de nuestro tiempo: borrar el “otro lugar” a través de la uniformización mundialista, y vender después ese “otro lugar” destruido como “otro lugar” auténtico, certificado”, escribe Muray. A esto, hay que añadir que el turista contemporáneo no se alimenta solo de hamburguesas, quiere también comer y divertirse. Pide su lote de festivales, conciertos y otras reuniones, quiere tradiciones olvidadas y recicladas al gusto de hoy, y grandes eventos deportivos.

Desafortunadamente, todos esos esfuerzos tienen resultados. Los turistas lo saben. Ni los ladrones, ni la falta de baños públicos, ni los transportes en huelga, nada puede con el flujo continuo que se vierte sobre las grandes ciudades europeas orgullosas de haberse convertido en “ciudades-mundo”. Se ha convertido en una tradición anual que un ministro anuncie las “cifras del turismo” con sonidos triunfales y la prensa aplaudiendo.»