Crónicas do Grande Despertar | Crónicas del Gran Despertar

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04/07/2022

Capitalismo de emergência (e 4) | Capitalismo de emergencia (y 4)




«É habitual os impérios sofrerem uma morte lenta e dolorosa ao negar a causa do seu colapso. A queda do mundo capitalista dirigido pelos Estados Unidos começou há mais de meio século e tem sido adiada pelas vagas de falsa riqueza alimentadas pela criação de dinheiro (dívida) da qual se beneficiou uma pequena elite, enquanto sobrecarregava as massas com dívidas e miséria.

O actual capitalismo financeiro baseia-se na impressão e difusão de dinheiro sem sentido, para compensar a mais-valia que desaparece rapidamente. Se os EUA tiveram um período de crescimento relativo nos anos 90, apesar dos baixos salários e do aumento da produtividade, tal deveu-se ao consumo que se sustentou cada vez mais no crédito.
A globalização proporcionou uma saída para o “esgotado modo de produção fordista” mas, ao mesmo tempo, amarrou-se a pirâmides de dívida progressivamente maiores e a excessos especulativos, fazendo com que o sistema se tornasse cada vez mais instável.

A ‘pandemia’ foi utilizada como um escudo global para a impressão de dinheiro e para um endividamento sem precedentes: durante a crise das taxas de juro, a Reserva Federal imprimiu mais dinheiro fiduciário num ano do que em todos os seus programas de estímulo monetário desde 2008. No entanto, Vigh afirma que é provável que a crise da dívida e do mercado de valores se adie um pouco mais. O grande final – “um colapso bíblico para além da mais destravada imaginação, desencadeado pela explosão de uma hiper-borbulha no mercado da dívida” – é actualmente protelado pelo “impacto da inflação na economia real”.

Isto significa que o “índice de miséria” (a combinação da inflação e do desemprego) continuará a subir. Assim, em certo sentido, estamos a regressar à “pré-história do capitalismo”, uma sociedade de classes com uma elite rica, e pobres. A actual “violência bio e geopolítica” (vírus, guerra e outras futuras emergências mundiais) é parte integrante deste processo: uma tentativa deliberada de controlar o colapso por meios autoritários.
Segundo Vigh, que leu Marx, só temos uma opção real: ou nos libertamos “dos modelos de mercadoria, do valor e da moeda, e portanto do modelo do capital como tal”, ou nos veremos arrastados a “uma nova era obscura de violência e reacção”. Dada a ganância e a ânsia de poder dos círculos financeiros, a última opção é, para nossa desgraça, a mais provável.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

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«Es común que los imperios sufran una muerte lenta y dolorosa al negar la causa de su colapso. La caída del mundo capitalista dirigido por Estados Unidos comenzó hace más de medio siglo y sólo se ha retrasado por las oleadas de falsa riqueza alimentadas por la creación de dinero (deuda) que ha beneficiado a una pequeña élite mientras cargaba a las masas con deudas y miseria.

El capitalismo financiero actual se basa en la impresión y difusión sin sentido de dinero para compensar la plusvalía que desaparece rápidamente. Si EE.UU. tuvo un periodo de crecimiento relativo en los años 90, a pesar de los bajos salarios y el aumento de la productividad, fue porque el consumo se sustentó cada vez más en el crédito.
La globalización proporcionó una salida al "agotado modo de producción fordista", pero al mismo tiempo se ató a pirámides de deuda cada vez mayores y a excesos especulativos, haciendo que el sistema fuera cada vez más inestable.

La 'pandemia' se utilizó como escudo global para la impresión de dinero y el endeudamiento sin precedentes: durante la crisis de los tipos de interés, la Reserva Federal imprimió más dinero fiduciario en un año que en todos sus programas de estímulo cuantitativo desde 2008. Sin embargo, Vigh afirma que es probable que la crisis de la deuda y del mercado de valores se retrase aún más. El gran final – "un colapso bíblico más allá de nuestras más descabelladas imaginaciones, encendido por la explosión de una hiperburbuja del mercado de deuda"- se está posponiendo actualmente por el "bombo de la inflación en la economía real".

Esto significa que el "índice de miseria" (la combinación de la inflación y el desempleo) seguirá aumentando. Así que en cierto sentido estamos volviendo a la "prehistoria del capitalismo", una sociedad de clases de élites ricas y pobres. La actual "violencia bio y geopolítica" (virus, guerra y otras futuras emergencias mundiales) es parte integrante de este proceso; un intento deliberado de controlar el colapso por medios autoritarios.
Según Vigh, que leyó a Marx, sólo tenemos una opción real: o nos liberamos de "las formas de la mercancía, el valor y la moneda, y por tanto de la forma del capital como tal", o nos vemos arrastrados a "una nueva era oscura de violencia y reacción". Dada la codicia y el ansia de poder de los círculos financieros, la última opción es, por desgracia, la más probable.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

02/07/2022

Capitalismo de emergência (3) | Capitalismo de emergencia (3)



«Vighi acha que a guerra serve claramente “para o contrário do que nos dizem”. O objectivo das sanções anti-russas e o envio de ajuda militar não é defender a Ucrânia, mas “prolongar o conflito e alimentar a inflação para evitar o risco de uma catástrofe no mercado da dívida que, caso contrário, se alastraria como um incêndio ao sector financeiro”.

“A ‘guerra’ de Putin (tal como a ‘guerra contra o terrorismo’ e as mexidas nas taxas de juro com bloqueio dos fundos) está a adiar o rebentamento da ‘borbulha de tudo’, e por isso a Ucrânia está a ser sacrificada no altar do massacre da liberdade e da democracia”. Trata-se de evitar um novo “choque Lehman” que afundaria o mundo num caos ainda mais profundo.

Esta é a superfície económica da gestão da crise extrema, segundo a teoria de Vighi. Se rasparmos essa superfície, encontraremos “a causa fundamental de todos os jogos geopolíticos e propagandísticos que se levam a cabo: o afundamento irreparável do valor do capital”. Ou todo o mundo segue o guião, ou o programa se encrava e todo o sistema com ele.

Na narrativa actual, culpa-se Putin pela inflação e o seu impacto “apocalíptico” sobre os pobres do mundo. Ainda que os choques negativos da oferta causados pelas crises tenham potenciado a desvalorização provocada pela política monetária flexível, o problema inicial provém do “dinheiro sem valor”, sem base real, criado pelos banqueiros centrais.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

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«Vighi cree que está claro que la guerra sirve “para lo contrario de lo que se nos dice”. El objetivo del envío de las sanciones antirrusas y de la ayuda militar no es defender a Ucrania, sino “prolongar el conflicto y alimentar la inflación para evitar el riesgo de una catástrofe en el mercado de la deuda que, de lo contrario, se extendería como un incendio en el sector financiero”.

“La ‘guerra’ de Putin (al igual que la ‘guerra contra el terrorismo’ y las medidas de los tipos de interés con el bloqueo de los fondos) está retrasando el estallido de ‘la burbuja de todo’, por lo que Ucrania está siendo sacrificada en el altar de la masacre de la libertad y la democracia”. Se trata de evitar un nuevo “shock Lehman” que sumiría al mundo en un caos aún más profundo.

Esta es la superficie económica de la gestión de crisis extrema según la teoría de Vigh. Si rascamos esa superficie, nos encontraremos con “la causa fundamental de todos los juegos geopolíticos y propagandísticos que se están llevando a cabo: el hundimiento irreparable del valor del capital”. O todo el mundo sigue el guión, o el programa se cancela y todo el sistema con él.

En la narrativa actual, se culpa a Putin de la inflación y de su impacto “apocalíptico” sobre los pobres del mundo. Aunque los choques negativos de la oferta causados por las crisis exacerban la devaluación provocada por la política monetaria flexible, el problema inicial proviene del “dinero sin valor” sin respaldo creado por los banqueros centrales.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

30/06/2022

Capitalismo de emergência (2) | Capitalismo de emergencia (2)



«A aristocracia financeira está disposta a fazer quase tudo para garantir que o nosso modelo económico moribundo continue vivo. Ao fazê-lo, demonstram que compreendem melhor o sombrio estado das coisas que a “intelectualidade pós-marxista e a esquerda pós-moderna em todas as suas variantes sem sentido”.
Vighi, que conhece a fundo o pensamento da esquerda, fustiga os idiotas úteis da esquerda contemporânea que “há muito tempo falharam a sua tarefa básica de crítica à economia política e, portanto, são directamente cúmplices da catástrofe que se está a produzir.” As acusações de Vighi trazem à memória a Aliança de Esquerda finlandesa, agora partidária da OTAN, o que levou a demissão dos mais ortodoxos.
De modo crucial, o velho poder monetário entende também que o colapso deve ter lugar na forma de um “colapso controlado” do modelo actual, o que lhes permitirá manter a sua posição dominante na “iminente normalidade capitalista neofeudal”. Para alguns, trata-se do “capitalismo de controlo”, para outros é o “comunismo global”. (Markku Siira / Fabio Vighi)

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«La aristocracia financiera está dispuesta a hacer casi cualquier cosa para garantizar que nuestro moribundo modelo económico siga vivo. Al hacerlo, demuestran que comprenden mejor el sombrío estado de las cosas que la “intelectualidad posmarxista y la izquierda posmoderna en todas sus variantes sin sentido”.
Vighi, que conoce a fondo el pensamiento de la izquierda, fustiga a los idiotas útiles de la izquierda contemporánea que “hace tiempo que fracasaron en su tarea básica de criticar la economía política y, por tanto, son directamente cómplices de la catástrofe que se está produciendo”. Las bravatas de Vighi también recuerdan a la Alianza de la Izquierda finlandesa, compatible con la OTAN, de la que ya han dimitido los más principistas.
De manera crucial, el viejo poder monetario también entiende que el colapso debe tener lugar en forma de un “colapso controlado” del modelo actual, lo que les permitirá mantener su posición dominante en la “inminente normalidad capitalista neofeudal”. Para algunos, esto es “capitalismo de control”, para otros es “comunismo global”.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

27/06/2022

Capitalismo de emergência (1) | Capitalismo de emergencia (1)

 «“A aceleração do paradigma da emergência a partir de 2020 tem um propósito simples mas amplamente discutido: ocultar o colapso sócio-económico”, argumenta Fabio Vighi, professor da Universidade de Cardife, ao esboçar a sua tese sobre como se utilizam as diversas crises bio e geopolíticas para travar o colapso do sistema capitalista. […]

As “ameaças” que nos vendem não passam de uma “projecção ideológica do limite interno e da desintegração constante do modelo capitalista actual”. Num sentido sistémico, “a dependência da emergência mantém artificialmente vivo o corpo comatoso do capitalismo”. Por isso, as imagens do inimigo já não se constroem para justificar a expansão do império, mas “para encobrir a bancarrota de um economia mundial endividada”.

A globalização erodiu gradualmente as próprias condições de oportunidade do capital, afirma Vighi. Por fim, a única cura que se encontrou para esta tendência mórbida foi o “desencadeamento de emergências globais”, que se complementaria com “injecções cada vez maiores de medo, caos e propaganda”. […]

Agora, que parece ter começado uma nova e ainda mais amarga Guerra Fria, Vighi está muito consciente das causas e consequências do curso dos acontecimentos: “quanto mais se aproxima o colapso do sistema, mais crises externas são necessárias para distrair e manipular a população, enquanto se adia o colapso e se assentam as bases para uma renovação autoritária do sistema”.

A História demonstra que quando os impérios estão no limiar do colapso, solidificam-se em sistemas opressivos de gestão da crise.» (Markku Siira / Fabio Vighi)

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«“La aceleración del paradigma de la emergencia a partir de 2020 tiene un propósito simple pero ampliamente discutido: ocultar el colapso socioeconómico”, argumenta el profesor de la Universidad de Cardiff Fabio Vighi, esbozando su tesis sobre cómo se están utilizando diversas crisis bio y geopolíticas para frenar el colapso del sistema capitalista. […]

Las “amenazas” que nos venden no son más que una “proyección ideológica del límite interno y de la desintegración constante del modelo capitalista actual”. En un sentido sistémico, “la dependencia de emergencia mantiene artificialmente vivo el cuerpo comatoso del capitalismo”. Por lo tanto, las imágenes del enemigo ya no se construyen para justificar la expansión del imperio, sino “para encubrir la bancarrota de una economía mundial endeudada”.

La globalización ha erosionado gradualmente las propias condiciones de oportunidad del capital, sostiene Vighi. Al final, la única cura que se encontró para esta tendencia enfermiza fue el “desencadenamiento de emergencias globales”, que se complementaría con “inyecciones cada vez mayores de miedo, caos y propaganda”. […]

Ahora parece que ha comenzado una nueva y aún más amarga Guerra Fría. Vighi es muy consciente de las causas y consecuencias del curso de los acontecimientos: “cuanto más se acerca el colapso del sistema, más crisis externas se necesitan para distraer y manipular a la población, mientras se pospone el colapso y se sientan las bases para una renovación autoritaria del sistema”.

La historia demuestra que cuando los imperios están al borde del colapso, se solidifican en sistemas opresivos de gestión de crisis.» (Markku Siira / Fabio Vighi)